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"Dá um alívio no coração", diz pai de Renata Alves após psicólogo ser condenado a 71 anos de prisão por feminicídio, estupro e sequestro

Ele foi considerado culpado por matar a vítima com um tiro na cabeça em 6 de agosto de 2022. Também constam os crimes de estupro e feminicídio

Por JC Publicado em 27/02/2026 às 15:41 | Atualizado em 27/02/2026 às 16:11

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O júri popular do psicólogo João Raimundo Vieira da Silva de Araújo foi encerrado nesta quarta-feira (26) com a condenação do réu pelo assassinato da pernambucana Renata Alves da Costa, de 35 anos. O julgamento ocorreu no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano.

Ele foi considerado culpado por matar a vítima com um tiro na cabeça em 6 de agosto de 2022.

A sentença fixou a pena em 71 anos, 2 meses e 26 dias de prisão por homicídio qualificado. Além disso, o réu foi condenado por sequestro de duas pessoas, por privação de liberdade e por violência doméstica e familiar contra a mulher nos âmbitos físico, psicológico, sexual, patrimonial e moral.

Também constam na condenação os crimes de estupro e feminicídio. De acordo com o processo, Renata e o acusado mantinham um relacionamento estável havia cerca de 8 meses na época do crime.

Relatos do pai da vítima

Após a leitura da sentença, o pai da vítima, Carlos Alberto Costa, afirmou que a decisão representa um alívio, apesar da dor permanente da perda da filha.

“A justiça foi feita. Não vai trazer minha filha de volta, mas pelo menos dá um alívio no coração”, declarou.

Ele agradeceu ao Ministério Público, às advogadas que atuaram no caso e às instituições envolvidas na investigação e no atendimento à ocorrência, como as polícias Civil e Militar e o Instituto de Medicina Legal (IML). Também mencionou o apoio recebido de vizinhos e de movimentos que acompanharam o caso.

Emocionado, o pai de Renata disse que seguirá convivendo com a ausência da filha, mas destacou que a condenação representa uma resposta à gravidade dos crimes.

“Agora é seguir a vida, continuar sentindo a falta dela. As lembranças ficam”, afirmou.

Relembre o caso

As últimas imagens registradas mostram a vítima no elevador ao lado do então namorado. Ele foi preso três dias depois, no aeroporto de Natal, quando tentava embarcar para São Paulo. Na ocasião, duas armas de fogo ilegais foram apreendidas com ele, entre elas a pistola apontada como a utilizada no crime.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil, concluídas em agosto daquele ano, indicaram que João Raimundo praticava violência física, doméstica e psicológica contra Renata.

De acordo com a apuração, o acusado teria mentido desde o início da relação e, quando as mentiras eram descobertas, recorria à chantagem emocional.

O delegado Roberto Lobo, responsável pelo caso, afirmou que o réu ocultava informações da vítima, como o uso de tornozeleira eletrônica. Ele também dizia ser médico e costumava portar arma de fogo dentro de casa.

Durante as diligências, foram apreendidas quase 200 munições no apartamento onde o casal vivia. João Raimundo foi indiciado por feminicídio e posse ilegal de arma de fogo.

Após ser preso, João Raimundo declarou em depoimento à polícia que o disparo que atingiu a namorada teria ocorrido de forma acidental. A versão, no entanto, foi descartada com base nos laudos periciais elaborados pelo IML e pela Polícia Científica.

Na época do assassinato de Renata, ele já respondia a um processo por tentativa de homicídio e utilizava tornozeleira eletrônica, retirada pouco antes da tentativa de fuga. O caso anterior ocorreu em 2019, no Mar Hotel, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.

Na ocasião, João Raimundo foi preso por agredir a ex-esposa e balear dois funcionários do hotel após uma discussão. Ele permaneceu detido de dezembro de 2019, quando se apresentou à polícia, até abril de 2020, passando depois a cumprir prisão domiciliar.

O réu também chegou a atuar como psicólogo no Tribunal de Justiça da Paraíba, com atuação no Juizado de Violência Doméstica e Familiar.

Lei Renata Alves

Com a repercussão do caso, foi criada a Lei Renata Alves (nº 3567/2025), que define o dia 6 de agosto, dia em que o crime ocorreu, como Dia Estadual em Memória das Vítimas de Feminicídio.

Mulheres que se encontram em situação de violência podem ligar gratuitamente para o 180 de qualquer lugar do Brasil, todos os dias da semana, 24 horas por dia.

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