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Júri de acusado de matar administradora Renata Alves entra em fase final no Recife e decisão pode sair a qualquer momento

Tribunal do júri avalia versão de acusação e defesa, com família da vítima presente e expectativa por sentença após quase dois dias de sessões

Por JC Publicado em 26/02/2026 às 20:36 | Atualizado em 27/02/2026 às 13:42

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O julgamento de João Raimundo Vieira, de 35 anos, acusado de matar a administradora Renata Alves, de 35 anos, com um tiro na testa em agosto de 2022 no apartamento onde ela morava, no bairro de Campo Grande, no Recife, segue em sua fase final após quase 48 horas de sessões no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano.

O Tribunal do Júri ocorre a portas fechadas, por determinação para que o caso tramite em segredo de justiça, e a expectativa é que a sentença seja anunciada ainda nesta quinta-feira (26) ou na manhã seguinte.

Julgamento

Durante o julgamento, que começou por volta das 10h da quarta-feira (25), testemunhas de acusação foram ouvidas, o réu foi interrogado e negou autoria do crime. Após intervalo, as portas foram novamente fechadas ao retorno, sem possibilidade de entrada ou saída até a conclusão dos debates.

A acusação sustenta que o réu deve responder por feminicídio com diversas qualificadoras, além de outros crimes relacionados ao contexto do caso.

Durante a sessão, a advogada de acusação afirmou que, em uma hora e meia de explanação, foi apresentado aos jurados o perfil do acusado, descrito como agressivo e manipulador, com base em documentos anexados aos autos sobre fatos anteriores.

Segundo ela, também foram exibidas provas periciais sobre a dinâmica do disparo e conversas extraídas do celular de Renata, que demonstrariam um relacionamento conturbado. A advogada mencionou ainda registros anteriores, como boletins de ocorrência e processos criminais, que teriam sido objeto de debate em plenário.

Relato da mãe

A mãe de Renata, Kátia Alves, acompanha o julgamento e falou sobre a dor de reviver os acontecimentos.

“Eu não sei o que é o pior, se foi ontem... porque ontem mostrou todo o sofrimento que Renata passou, teve as testemunhas, e hoje está uma briga. Na minha cabeça leiga, que me perdoem as partes advogadas, essa coisa já está ganha (o caso). Mas aí, eu acho que a defesa está apelando. Foi aquela gritaria, aquela confusão, que o juiz teve que tirar os jurados”, afirmou.

Ela também destacou que a filha não volta mais, mas que o legado deixado por Renata e o apoio recebido fortalecem a família. Ela também ressaltou que o caso da filha pode servir de alerta para salvar a vida de outras mulheres.

Defesa do réu

A defesa, por sua vez, sustenta que o disparo não foi intencional. A advogada afirmou que o tiro ocorreu quando o acusado manuseava a arma fora das regras de segurança.

Segundo ela, ele acreditava ter habilidade suficiente para desarmar o equipamento e que o fato não aconteceria. Com isso, a estratégia é buscar a desclassificação de homicídio doloso para homicídio culposo por imperícia.

Neste momento, o Conselho de Sentença está reunido e a decisão pode sair a qualquer instante. Familiares e amigos aguardam o resultado do julgamento, que ocorre mais de três anos após o crime que causou grande comoção no Estado.

Sentença

Ao final do julgamento, encerrado na quarta-feira (26), João Raimundo Vieira da Silva de Araújo foi condenado a 71 anos, 2 meses e 26 dias de prisão por homicídio qualificado.

Ele também recebeu condenação pelos crimes de sequestro de duas pessoas, por privação de liberdade, violência doméstica e familiar contra a mulher nos âmbitos físico, psicológico, sexual, patrimonial e moral, além de estupro e feminicídio.

O crime ocorreu em agosto de 2022. De acordo com os autos, o casal mantinha um relacionamento estável há cerca de oito meses. Familiares e amigos acompanharam o desfecho do caso, que causou grande comoção no Estado.

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