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Júri de acusado de matar administradora Renata Alves ocorre a portas fechadas no Recife

Réu nega autoria do crime durante julgamento no Fórum Rodolfo Auréliano, no Recife, e sentença pode ser anunciada ainda hoje ou nesta quinta-feira

Por JC Publicado em 25/02/2026 às 20:34

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O júri popular de João Raimundo Vieira, de 35 anos, acusado de matar a administradora Renata Alves, ocorre nesta quarta-feira (25), no Fórum Rodolfo Auréliano, na Ilha Joana Bezerra, área central do Recife. O julgamento acontece a portas fechadas, após pedido da defesa para que o caso tramite em segredo de justiça.

A sessão teve início por volta das 10h, ouvindo duas testemunhas de acusação. Em seguida, o réu passou a ser interrogado. Segundo informações obtidas pela reportagem, João Raimundo negou o crime e manteve postura considerada fria por pessoas que acompanharam a audiência.

Renata Alves tinha 35 anos quando foi assassinada com um tiro na testa, dentro do apartamento onde morava, no bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife. Ela mantinha um relacionamento com o acusado.

Três dias após o crime, João Raimundo foi preso no aeroporto do Rio Grande do Norte, no momento em que tentava embarcar para São Paulo, de acordo com as investigações. À época, ele utilizava tornozeleira eletrônica por responder a outros processos relacionados a violência contra a mulher. A arma usada no crime foi apreendida.

Durante o julgamento, houve um intervalo de dez minutos. Após o retorno das partes ao plenário, as portas foram fechadas novamente, sem possibilidade de entrada ou saída até nova deliberação.

A expectativa é de que, após o interrogatório, acusação e defesa apresentem seus debates, podendo haver réplica e tréplica. A sentença pode ser proferida ainda nesta noite ou ficar para a manhã seguinte.

Mais cedo, a equipe conversou com os pais de Renata, que falaram sobre a expectativa pelo julgamento.

“Ela era forte, mas era carinhosa no jeito dela, e forte no jeito dela, e tudo o que eu pedia, a Renata fazia, sabe? Ela não era muito de abraçar e não sei o quê, mas era uma atenção incrível. No celular que eu tenho conversa com ela desde 2017, ela era sempre: ‘Oi mãe! Oi mãe!’ Então ela sempre estava prestes a ajudar".

Em seguida, o pai também contestou a versão apresentada pela defesa.

“Eu acho que ninguém mostra uma arma na testa do outro, né? Não acredito de jeito nenhum. Isso pra mim é história pra boi dormir, como dizem no interior. Não acredito de jeito nenhum".

A promotora de justiça, Ana Clézia Ferreira detalhou as acusações apresentadas pelo Ministério Público.

“O acusado será julgado por feminicídio, né? Com algumas qualificadoras. Então nós vamos sustentar uma acusação com vários elementos de prova de quatro qualificadoras. Uma delas é a qualificadora de gênero. Além de violência sexual, lesão corporal com base na Lei Maria da Penha, crimes conexos, conexos ligados à restrição de liberdade de mais duas vítimas. E também por porte de armas e munições de calibre restrito.”

O júri é formado por sete pessoas. O caso ocorre pouco mais de três anos após o crime que causou comoção. A reportagem segue acompanhando o julgamento e trará atualizações assim que houver decisão.

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