Novos casos de intoxicação por metanol em Pernambuco
No dia seguinte ao consumo, as vítimas começarama apresentar sintomas de intoxicação, como visão turva, cansaço e vômitos. Uma delas não resistiu
Dois novos casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas foram confirmados em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco.
As vítimas, duas irmãs de 25 e 28 anos, compraram uma garrafa de uísque para beberem juntas no dia 9 deste mês.
“Após a gente voltar para casa, começamos a passar mal. A gente não imaginava que iria chegar aqui, só ouvíamos falar, mas não passava pela cabeça”, contou uma das vítimas.
No dia seguinte, as irmãs começaram a apresentar sintomas de intoxicação, como visão turva, cansaço e vômitos. A mais nova não resistiu e morreu.
“Elas só foram ao hospital depois de um lapso temporal muito grande, o que pode ter dificultado o pronto atendimento”, explicou Tiago Callou, delegado responsável pelas investigações.
A polícia não informou o local onde a bebida foi comprada, mas confirmou que a irmã mais velha ingeriu menor quantidade e escapou de sequelas porque recebeu um antídoto a tempo.
“Essa parceria entre a Secretaria de Defesa Social e a Secretaria de Saúde permitiu o diagnóstico rápido de metanol no sangue da paciente. A partir disso, ela conseguiu tomar o antídoto, que pode ter salvado sua vida ou reduzido os efeitos colaterais”, afirmou o perito criminal Rafael Arruda.
Casos em Pernambuco
Com as duas novas confirmações, Pernambuco registra cinco casos oficiais de intoxicação por metanol. Os outros ocorreram em Lajedo, onde duas pessoas morreram e uma ficou com sequelas na visão.
Ao todo, o estado tem 83 casos notificados, além de quatro pacientes que ingeriram a bebida fora de Pernambuco, mas passaram mal no território pernambucano.
Desse total, 60 casos já foram descartados, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, que coordena ações de fiscalização de bebidas adulteradas.
“O trabalho da secretaria tem como ponto inicial as notificações dos casos suspeitos. Essa informação é essencial, porque permite a investigação epidemiológica com coleta de amostras biológicas para confirmar ou descartar a presença de metanol no sangue”, explicou José Lancart, diretor de Informações da Vigilância Sanitária.
Cuidados no consumo
A bebida consumida em Salgueiro foi descartada antes da análise, mas o perito Rafael Arruda alerta que a detecção do metanol é muito difícil para o consumidor comum.
“É um perigo silencioso, imperceptível. Ele é inodoro e tem o mesmo cheiro e gosto de qualquer outro álcool. Não há como identificar suas características no produto”, ressaltou.
O perito recomenda que o consumidor verifique o local da compra e a integridade das embalagens, observando lacres irregulares e possíveis sinais de violação.
A sobrevivente afirma que é grata pela vida, mas lamenta profundamente a perda da irmã.
“Primeiramente, agradeço a Deus por estar viva, mas é uma dor profunda perder minha irmã tão jovem, com 25 anos. De repente, uma bebida tirou a vida dela. Eu quero justiça pelo que aconteceu”, desabafou.
O caso das irmãs de Salgueiro segue sob investigação para identificar os responsáveis.