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Brasileiros ampliam uso de inteligência artificial e 62% dizem confiar nas respostas geradas

Pesquisa aponta que quase metade dos usuários utiliza IA diariamente, 32% reduziram buscadores e 62% confiam nas respostas geradas

Por Fagner Clemente Publicado em 19/02/2026 às 17:02

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O avanço da inteligência artificial tem transformado a forma como os brasileiros produzem e consomem informação na internet e reacendido o debate sobre autenticidade e confiança no ambiente digital. Dados de uma pesquisa da Conversion em parceria com a ESPM, divulgada pela Forbes Brasil, indicam que 93% dos brasileiros conectados já utilizaram ferramentas de IA e que 49,7% fazem uso diário da tecnologia. O cenário evidencia uma mudança estrutural no ambiente online, marcada pelo crescimento da IA generativa e pelo aumento do conteúdo sintético em circulação.

O levantamento mostra que o uso recorrente da tecnologia tem impacto direto na credibilidade atribuída às respostas automatizadas. Cerca de 62% dos usuários afirmam confiar muito ou totalmente nas informações geradas por inteligência artificial, percentual próximo ao registrado para buscadores tradicionais. Os dados indicam que as ferramentas deixaram de ocupar papel secundário e passaram a integrar de forma central a rotina digital dos brasileiros.

O comportamento de busca também vem sendo alterado. Segundo a pesquisa, 32,3% dos brasileiros reduziram o uso de buscadores tradicionais após começarem a utilizar ferramentas de IA, consolidando um modelo híbrido de pesquisa, no qual plataformas automatizadas são utilizadas simultaneamente com mecanismos clássicos.

Para o especialista em marketing digital Felipe Pereira, o cenário amplia os desafios relacionados à credibilidade no ambiente digital. “A produção de conteúdo deixou de ser limitada pela capacidade humana e passou a ser escalável por algoritmos. Isso aumenta a eficiência, mas torna mais difícil identificar o que é autoridade real e o que é apenas volume automatizado”, afirma.

Ele avalia que a popularização da IA exige mudança de postura por parte de marcas, profissionais e produtores de conteúdo. Em um ambiente em que qualquer pessoa pode gerar textos, imagens e vídeos em grande escala, autenticidade, consistência de voz e posicionamento estratégico passam a ser fatores decisivos para a construção de confiança.

O crescimento do conteúdo sintético também acende alertas no ecossistema da comunicação e do jornalismo. Especialistas defendem a adoção de práticas de transparência, como a identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial e o fortalecimento da curadoria humana, como formas de reduzir riscos de desinformação e preservar a credibilidade das fontes.

Para Pereira, a tendência é que o debate sobre autenticidade se intensifique à medida que a tecnologia avance. “A inteligência artificial não elimina a importância da identidade e da reputação. Pelo contrário: quanto mais automatizado o ambiente digital, mais valioso se torna o conteúdo produzido por fontes reconhecidas e confiáveis”, conclui.

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