Creatina: cresce o músculo ou cai o cabelo? O que a ciência realmente diz sobre o suplemento
Pesquisas já confirmaram a eficácia da creatina, mas os boatos sobre calvície e inchaço ainda confundem quem busca performance e saúde
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A creatina é um dos suplementos mais famosos do mundo da academia, com mais de 500 estudos publicados. Os resultados vão muito além da força física, ajudando na recuperação muscular, o desempenho cognitivo e até a saúde neurológica.
Apesar disso, a substância segue cercada de mitos, desde o medo de perder cabelo até as novas modas das redes sociais.
Vamos conhecer mais sobre o assunto?
A polêmica da queda de cabelo
O mito surgiu em 2009, a partir de um estudo pequeno que apontava um aumento de DHT, hormônio ligado à calvície.
Desde então, dezenas de pesquisas revisaram o tema e nenhuma confirmou essa hipótese. Segundo a literatura científica atual, não existe evidência de que a creatina provoque queda de cabelo. A calvície continua sendo uma questão de genética e hormônios, não de suplementação.
Outra confusão comum é sobre o acúmulo de água no corpo. De fato, a creatina provoca retenção, mas dentro das células musculares, coisa que é positiva. “O que acontece, na verdade, é uma retenção intramuscular de água, dentro da célula, não debaixo da pele. Esse processo é benéfico, melhora a hidratação celular e potencializa a performance. Ou seja, não se trata de inchaço estético, mas de adaptação fisiológica positiva”, explica o nutrólogo Dr. Ronan Araujo.
Café com creatina: o erro da moda
A tendência recente de misturar creatina no café quente virou febre online, mas os especialistas alertam que é uma prática equivocada, por três motivos principais:
- O pó pode não se dissolver totalmente, diminuindo a absorção.
- A mistura pode causar desconforto gástrico, já que o café é estimulante.
- A cafeína não anula os efeitos da creatina, mas o uso conjunto na mesma xícara não traz vantagem.
Por isso, a recomendação ideal é para diluir a creatina em água, suco ou consumi-la com refeições que contenham carboidratos e proteínas, o que facilita a absorção.
Erros que podem comprometer o resultado
- Ciclar creatina: não é necessário. O efeito vem do uso contínuo.
- Tomar em excesso: mais de 5 g por dia não traz benefícios extras.
- Não beber água suficiente: a hidratação é essencial para o suplemento funcionar.
- Achar que é só para atletas: idosos, pacientes em reabilitação e até pessoas com doenças neurológicas podem se beneficiar.
“A creatina não é vilã nem milagre. Quando usada corretamente, é um dos recursos mais eficazes e acessíveis para performance, saúde e longevidade. O problema não está na substância, mas nos mitos e modas equivocadas que circulam nas redes sociais", conclui Ronan.