Crítica: 10º episódio de One Punch Man marca o retorno da temporada
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Quem diria que One Punch Man, um anime que já redefiniu o padrão, chegaria a um ponto tão constrangedor? O episódio 10 da terceira temporada não é apenas ruim, ele é dolorosamente frustrante.
E o pior: não por falta de material, mas por uma sequência de decisões criativas questionáveis, censura absurda e uma produção que parece ter desistido de tentar.

Zombieman vs Vampiro (Puro-Sangue)
Era para ser uma das lutas mais brutais da Associação de Monstros. No mangá, Zombieman vs Vampiro (Puro-Sangue) é resistência levada ao limite, violência crua e atmosfera opressiva. No anime, virou algo quase inofensivo, esvaziado, censurado e, em certos momentos, involuntariamente cômico.
A censura aqui não apenas suaviza a violência, ela destrói a identidade do personagem. Zombieman perde membros, sangra, é mutilado, mas o que realmente parece “proibido” é o cigarro. Substituí-lo por um pirulito é um dos momentos mais ridículos da temporada.
E mesmo deixando a censura de lado, a animação de One Punch Man mal sustenta a luta. Há alguns cortes aceitáveis, sim, mas o conjunto é fraco: movimentos truncados, impacto inexistente, repetição de frames e ausência total de tensão.

One Punch Man e a animação que não existe
Se a censura incomoda, a animação chega a ser humilhante. Em muitos momentos, o episódio parece um slideshow do mangá. Quadros sem detalhe, poses repetidas, loops de animação que duram uma eternidade. Personagens travados, bocas mexendo sem o resto do corpo acompanhar. É quase uma paródia involuntária.
As famosas luzes de néon voltam com força total. Filtros coloridos surgem do nada, mudam a paleta da cena e desaparecem sem lógica. Em certos momentos, parece uma discoteca. Em outros, um experimento de edição feito às pressas. A luta contra o Cadeludemon é o maior exemplo disso: cores piscando, cortes confusos e zero impacto.
E o pior é a inconsistência de One Punch Man. Dá para perceber claramente que duas equipes diferentes trabalharam no episódio. Algumas poucas cenas têm animação aceitável. Logo depois, tudo despenca. Multidões de monstros somem e reaparecem entre cortes. Cenários mudam de iluminação sem explicação. É tudo tão mal editado que quebra qualquer imersão.

Pré-redesenho, decisões estranhas e personagens traídos
Outro problema grave é a escolha de adaptar versões pré-redesenho do mangá. A luta de Amai Mask contra Do-S é um exemplo gritante. Usaram uma versão antiga, anterior às reformulações que dão profundidade ao personagem. O resultado? Um Amai Mask incoerente, quase caricato, que no futuro inevitavelmente soará hipócrita, se a temporada sequer continuar.
Ao tentar suavizar as mortes dos mercenários, a produção também apagou interações importantes, especialmente com Iaian. Falas cortadas sem motivo, diálogos truncados, relações que perdem peso. Parece que alguém pensou: “ninguém vai notar”. Mas quem acompanha a obra nota. E dói.
E quando Atomic Samurai aparece, até há um respiro, mas dura pouco. A luta com G5 é estendida sem necessidade, termina de forma estranha e ainda reaproveita a mesma aura azul usada com Garou em episódios anteriores. Falta criatividade. Falta cuidado.

Um episódio que machuca quem esperou anos
Arruinar três lutas importantes em um único episódio não é erro pequeno. É descuido grave. Ainda mais quando estamos falando do trabalho insano que Murata dedicou a esses capítulos. Ver tudo isso reduzido a imagens estáticas, filtros de néon e decisões preguiçosas é quase ofensivo.
Talvez esse seja o pior episódio da temporada de One Punch Man. Talvez esteja empatado com os episódios 6 e 7. Mas uma coisa é certa: é impossível assistir sem sentir frustração. E isso, para uma obra desse calibre, é o maior pecado de todos.
Nota: 2/10.
One Punch Man está disponível na Netflix.
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