Togo, da Netflix, é baseado em fatos reais?
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Togo, que está disponível na Netflix, apresenta a extraordinária história real por trás do cão que desempenhou papel crucial na corrida do soro de 1925 rumo a Nome, no Alasca – mas quão fiel o filme é aos fatos?
Dirigido por Ericson Core, conhecido pelo remake de Caçadores de Emoção (2015) e pelo drama esportivo Invencível, o longa traz Willem Dafoe como o musher Leonhard Seppala e acompanha a jornada épica da equipe de cães que enfrentou a maior parte da missão de resgate.
Após um surto de difteria atingir a isolada cidade de Nome, autoridades locais convocaram Seppala para buscar antitoxinas e levá-las de volta ao Alasca. A viagem exigia que ele percorresse cerca de 1.000 km sozinho – uma tarefa quase impossível, considerando que Togo, seu cão líder, já tinha 12 anos. No fim, um sistema de revezamento entre diferentes equipes foi implantado, e Togo defende que a fama de Balto, celebrado há quase um século como o grande herói, foi fruto de sorte e circunstância.
Outro aspecto central do filme é a relação intensa e comovente entre Seppala e seu cão. Assim, Togo se torna uma história profundamente espiritual sobre dois parceiros chegando ao fim de uma longa jornada de vida juntos. A seguir, conheça o que é real – antes, durante e depois da corrida do soro – e o que foi adaptado ou alterado para o longa.

Togo na infância
Assim como mostrado no filme, Togo teve uma infância frágil e demandou cuidados constantes da esposa de Seppala, Constance. Pequeno, doente e com comportamento difícil, o filhote era considerado um estorvo para um criador profissional de cães de corrida. Por isso, é verdade que Seppala o deu a um vizinho quando Togo tinha seis meses.
A segunda parte da história também é verdadeira: poucas semanas depois, Togo fugiu de sua nova casa, correu vários quilômetros de volta ao canil original e literalmente atravessou uma janela de vidro para reencontrar Seppala. Essa determinação extrema inspirou seu nome – em homenagem ao almirante japonês T?g? Heihachir? – e garantiu sua posição na equipe.
Com Seppala, Togo liderou vitórias históricas na All Alaska Sweepstakes, incluindo a de 1915, retratada como flashback no filme. O musher também venceu as edições de 1916 e 1917.

A corrida do soro em 1925
A situação emergencial apresentada no filme realmente aconteceu. No inverno de 1924-1925, uma epidemia de difteria ameaçava Nome. O único médico da cidade, Curtis Welch, confirmou o diagnóstico após quatro mortes e esgotou rapidamente o estoque local de antitoxinas – já vencidas e ineficazes.
Com o porto fechado pelo inverno e o transporte aéreo ainda incipiente, Seppala foi escolhido para liderar a expedição. As condições climáticas eram extremas: cerca de -34 °C, com ventos que faziam a sensação térmica cair para -65 °C.
Apesar disso, Seppala e Togo não fizeram o percurso sozinhos. Quase 20 equipes de trenó participaram do revezamento que percorreu 674 milhas entre Nenana e Nome. Ainda assim, Togo liderou o trecho mais longo e mais perigoso – mais de 250 milhas -, incluindo o momento real em que pulou para a margem após cruzar o instável Estreito de Norton, praticamente salvando a expedição.
Ao concluir sua parte, Seppala entregou o soro a Charlie Olson, que passou a Gunnar Kaasen, responsável pelo trecho final com Balto liderando o trenó.

O que aconteceu depois
Como mostra o filme, Balto recebeu quase todo o reconhecimento pelo feito, ganhando uma estátua em Nova York e uma aura de herói que perdura até hoje. Já Togo teve sua importância minimizada por décadas.
Mesmo assim, Seppala, Togo e sua equipe viajaram pelos EUA, foram destaque em campanhas publicitárias e chegaram a aparecer em cartões colecionáveis. Contudo, diferentemente do final mostrado no filme, Seppala e sua esposa não mantiveram Togo até o fim. Eles o deram à treinadora Elizabeth Ricker, que vivia no Maine.
Togo está disponível na Netflix.
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