Os mistérios bizarros que Pluribus precisa responder

Por Observatório do Cinema Publicado em 09/12/2025 às 20:02

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Pluribus chegou ao Apple TV trazendo uma combinação entre ficção científica e estranheza existencial, moldada ao ritmo paciente de Vince Gilligan. Como toda boa série que abraça o mistério em vez de explicá-lo, ela também cultiva um conjunto de perguntas esquisitas, desconfortáveis e inevitáveis.

Com apenas alguns episódios no ar, o mundo ao redor de Carol Sturka se expande por caminhos que levantam dúvidas fundamentais sobre o funcionamento dessa nova realidade. São perguntas pequenas em escala, mas gigantes em impacto e, se respondidas, podem redefinir tudo o que acreditamos entender sobre o fenômeno.

Onde foram parar os animais?

Um dos mistérios mais peculiares envolve algo simples: cadê os animais domésticos? O surto que transformou quase toda a humanidade em um único organismo ocorreu por transmissão de saliva, mas Pluribus nunca mostra cães, gatos ou qualquer outro bichinho circulando em ruas, quintais ou casas vazias.

A ausência completa deles levanta duas possibilidades estranhas: ou os animais foram afetados de alguma forma pelo evento ou simplesmente desapareceram em decorrência do caos inicial.

Como funciona a intimidade dentro da colmeia?

Outro ponto desconfortável surge quando percebemos que tudo é compartilhado. Se cada pessoa dentro da colmeia sente, pensa e experimenta as coisas como parte de um único fluxo, como funciona algo tão pessoal quanto a intimidade? O caso de Koumba Diabaté, um dos poucos imunes, ilustra bem essa dúvida ao pedir para se relacionar com Zosia, que representa a colmeia.

Se sensações são coletivas, então o prazer também é? Cada ato físico reverbera para todos? A série ainda não aborda isso diretamente, mas o tema desperta implicações que vão muito além de romance: mexe com consentimento, limites e até com a própria definição de individualidade.

O que significa crescer dentro da colmeia?

Pluribus ainda não mostrou nenhuma criança vivendo como parte do organismo coletivo, mas a existência delas é mencionada. Isso abre um dilema complexo: um recém-nascido acessa todo o conhecimento humano? Ele aprende como qualquer criança, ou apenas “desperta” sabendo tudo o que o grupo sabe?

Se ninguém experimenta o mundo de forma isolada, o que acontece com o aprendizado, com a curiosidade, com a descoberta? E mais: como fica a noção de arte? Se todos compartilham percepções iguais, existe espaço para gosto pessoal, interpretação subjetiva ou senso individual de criação?

Como sonhos funcionam nesse universo?

Se o dia a dia já é compartilhado, o que dizer dos sonhos? A colmeia divide experiências conscientes, mas Pluribus ainda não explorou se também existe algum tipo de conexão durante o sono. Seriam sonhos coletivos? Ou o inconsciente é o único espaço preservado do indivíduo?

Essa resposta, caso venha, pode definir se ainda existe algum tipo de privacidade dentro desse organismo global e se Carol realmente é a única pessoa que sabe o que significa estar sozinha.

Por que Carol é imune e o que isso representa?

Carol segue sendo um enigma para a própria colmeia. Até agora, não existe explicação sobre sua imunidade, apenas suposições. A protagonista é tratada quase como uma falha no sistema, alguém que não se encaixa e, por isso, precisa ser “consertada”.

A questão é: a resistência dela é biológica ou simbólica? É acaso ou consequência de algo que ainda não vimos? A resposta para esse mistério pode ser a chave para entender se o mundo pode, ou deve, voltar ao que era.

Pluribus

A colmeia possui limites éticos ou apenas operacionais?

Nos episódios mais recentes, vimos que a colmeia reage emocionalmente a agressões, mas não necessariamente impõe limites concretos para manter a si mesma segura. Isso deixa em aberto até onde esse organismo consegue, ou não, se proteger de decisões humanas que ameacem sua existência.

A série sugere que há zonas de sombra na programação emocional do grupo, e entender esses limites pode revelar não apenas a origem do fenômeno, mas também sua vulnerabilidade.

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