O Senhor dos Anéis: Por que Gandalf recebeu um Anel de Poder, mas Saruman não?

Por Observatório do Cinema Publicado em 07/12/2025 às 13:04

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Quem rever O Senhor dos Anéis pode acabar ficando com uma dúvida: por que Gandalf, o “segundo” dos Istari, recebeu um dos Anéis Élficos, enquanto Saruman, o líder dos magos, ficou de mãos vazias? À primeira vista, isso parece até uma quebra de lógica na própria história criada por Tolkien.

Mas, e aqui vem a parte interessante, ao olhar mais de perto, é possível perceber que essa escolha revela mais sobre quem eles eram do que sobre títulos ou hierarquias.

A intuição de um elfo

Círdan, o mais velho dos elfos que permaneceram na Terra-média, foi quem recebeu os magos quando eles chegaram vindos do Oeste. A cena parece simples, mas esconde algo enorme: ele encontrou Saruman primeiro e não entregou o anel. Depois, ao ver Gandalf surgir na névoa, sentiu algo diferente, algo que nenhum cargo ou aparência transmitia.

Círdan enxergava o futuro como poucos. E logo percebeu um detalhe que ninguém mais via: Gandalf carregava uma humildade e uma sabedoria que se tornariam centrais no combate contra Sauron.

Mesmo com Saruman sendo o “primeiro” dos Istari, Círdan não sentiu o impulso de presenteá-lo. Ele não desconfiava do mago branco, Tolkien deixa claro isso, mas simplesmente não encontrou nele o mesmo fogo interior.

O peso de Narya e o fardo invisível da coragem

Narya, o Anel do Fogo, tinha um propósito muito específico: inflamar corações, reavivar esperança, inspirar coragem em tempos de escuridão. Não era um anel de destruição, mas de resistência moral. Justamente por isso, Gandalf foi o único capaz de usá-lo sem ser consumido.

Ao longo de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, essa chama aparece: na calma diante do Balrog, na fé absoluta nos hobbits, no jeito quase mágico de transformar medo em determinação. Não é curioso como todos ao redor de Gandalf, homens, elfos, anões e até pequenas criaturas do Condado, ganham coragem quando ele está por perto?

Agora, imagine isso nas mãos de Sarumam.

Saruman: o orgulho ferido e a semente da queda

Saruman já carregava um traço perigoso antes mesmo de pisar na Terra-média: o orgulho. Ele se via como líder natural dos Istari, o mais sábio, o mais preparado para enfrentar Sauron. E, ironicamente, era mesmo muito poderoso. Mas o orgulho tem um detalhe cruel: cresce no silêncio.

Quando Saruman percebeu, séculos depois, que Gandalf possuía o Anel do Fogo, algo dentro dele se partiu. Não porque desejasse o anel para proteger alguém, mas porque não suportava ver que outro mago fora julgado “mais digno”.

E Tolkien deixa isso claro em Contos inacabados de Númenor e da Terra-média, Saruman sabia de Narya e ressentia a escolha. A partir daí, o ciúme virou uma rachadura emocional, que mais tarde se transformaria em ambição. A inveja não criou o traidor, mas certamente empurrou Saruman alguns passos mais próximos da escuridão.

Uma escolha certa também causa um problema

A decisão de Círdan salvou a Terra-média, e também trouxe consequências dolorosas. Gandalf, fortalecido por Narya, inspirou povos inteiros a resistirem ao terror de Mordor. Mas, ao mesmo tempo, o ressentimento de Saruman cresceu como uma sombra silenciosa.

E isso nos leva a um ponto fascinante da história: para Tolkien, até as escolhas corretas têm um preço. Narya estava nas mãos certas. Mas isso não impediu que sua ausência nas mãos erradas criasse um vazio, um vazio que Saruman tentou preencher com máquinas, fumaça, espionagem e, por fim, com a busca desesperada pelo Um Anel.

O que realmente define um portador de poder?

Talvez o grande motivo pelo qual Gandalf recebeu o anel, e Saruman não, seja o mais humano de todos: Gandalf não queria poder. Ele evitava o protagonismo, recusava autoridade, caminhava entre os povos como um viajante comum. Gandalf era, antes de tudo, humilde.

Saruman, por outro lado, buscava controle. Domínio. Reconhecimento. E o problema com os Anéis de Poder é que eles entregam exatamente o que você deseja, e esse é sempre o começo do fim.

E você, o que acha? A história da Terra-média teria sido diferente se Saruman tivesse usado Narya? Ou Círdan realmente viu mais longe do que qualquer um?

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