Netflix compra Warner: Sindicatos de Hollywood protestam contra a aquisição
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A Writers Guild of America (WGA), o Sindicato dos Roteiristas de Hollywood, passou a integrar o grupo de entidades de Hollywood que se posicionam contra o acordo proposto pela Netflix para adquirir os estúdios e a divisão de streaming da Warner Bros. Discovery. Avaliado em cerca de US$ 83 bilhões, o negócio é visto pelo sindicato como uma ameaça direta ao mercado de trabalho e à concorrência no setor.
Em comunicado, a WGA afirmou que a fusão eliminaria empregos, reduziria salários e resultaria em preços mais altos para o público.
“A maior empresa de streaming do mundo engolindo um de seus maiores concorrentes é exatamente o tipo de operação que as leis antitruste [que promove a competição livre e justa no mercado] foram criadas para impedir”, disse o sindicato. “O resultado seria devastador para trabalhadores do entretenimento e para os consumidores, com menos diversidade de conteúdo e maior concentração de poder.”
A entidade também lembrou que tem um histórico consistente de oposição a grandes fusões na indústria. Desde 2011, a WGA contestou acordos como Comcast–NBCUniversal, AT&T–Time Warner, Disney–Fox, Amazon–MGM e até a própria união entre Warner Bros. e Discovery em 2022. Em 2023, a guilda alertou que Netflix, Disney e Amazon estavam prestes a se tornar os novos “grandes controladores” da indústria.

Mais sindicatos se manifestam contra a fusão
Além dos roteiristas, outros grupos também manifestaram preocupação. O Producers Guild of America (PGA), Sindicato dos Produtores, destacou receios sobre o futuro da distribuição cinematográfica, lembrando que a Netflix historicamente prioriza o streaming e lança poucos filmes em salas de cinema.
“Produtores estão, com razão, preocupados com a aquisição de um dos estúdios mais significativos de nossa indústria”, afirmou a organização.
O PGA reforçou que qualquer mudança precisa proteger empregos, manter a relevância das salas de cinema e preservar a liberdade criativa.
O Directors Guild of America (DGA), Sindicato dos Diretores de Hollywood, também declarou ter “preocupações significativas” com o acordo. Já a SAG-AFTRA, Sindicato dos Atores, adotou um tom mais cauteloso, dizendo que ainda avalia o impacto da fusão, mas ressaltou que qualquer decisão precisa priorizar a criação de empregos e a manutenção de produções.
“Uma fusão dessa magnitude deve resultar em mais criação, não menos”, afirmou o sindicato dos atores.
A Netflix, por sua vez, destacou em nota que pretende manter as operações atuais da Warner Bros., incluindo o lançamento de filmes nos cinemas e a continuidade do HBO Max como serviço separado – ao menos a curto prazo.
O acordo segue em análise e enfrenta resistência crescente dentro da indústria, que teme os efeitos de mais uma grande consolidação no já reduzido número de conglomerados que controlam o entretenimento global.
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