O boom dos dramas históricos e a expansão do ensino de coreano no Recife
A ascensão das séries de drama do audiovisual sul-coreano despertou uma curiosidade além das telas; saiba como o ensino de coreano ganhou mais adeptos
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A onda cultural coreana, o fenômeno global conhecido como Hallyu, consolidou de vez suas raízes na capital pernambucana. Longe de ser apenas um modismo passageiro restrito às coreografias do K-pop e ao skincare característico, a cultura da Coreia do Sul tem atraído um público cada vez mais diversificado no Recife, impulsionado especialmente pelo sucesso estrondoso de suas produções televisivas.
Recentemente, os dramas de época ganharam um destaque especial no catálogo das plataformas de streaming, despertando não apenas o entretenimento, mas uma curiosidade genuína pela história, pelos costumes ancestrais e, fundamentalmente, pelo idioma do país asiático. Esse panorama transformou as salas de aula de idiomas na cidade, que agora acolhem turmas unidas pelo desejo comum de decifrar os caracteres e a fonética coreana.
Para entender como essa febre audiovisual se reflete na busca pelo aprendizado da língua em solo recifense, conversamos com Marina Marques (@maremari.coreano), professora de coreano que atua na região. A especialista detalha o perfil dos novos estudantes, desconstrói mitos sobre as nomenclaturas dessas produções e explica como as nuances linguísticas das séries de época enriquecem o debate histórico dentro de sala de aula.
Cultura oriental no Recife
Se no passado a procura por cursos de idiomas orientais estava estritamente ligada a objetivos corporativos ou intercâmbios universitários, o cenário atual mostra que o lazer e o consumo de mídia se tornaram os grandes catalisadores da educação. De acordo com a professora, a motivação dos estudantes que a procuram possui caminhos variados, mas quase sempre para no mesmo lugar: o amor pelas telas.
"Geralmente eles entram em contato por motivos acadêmicos, lazer, como viajar para a Coreia, mas o que realmente acaba sendo predominante é essa questão de querer assistir as séries coreanas sem legenda em algum momento", explica.
Essa busca por autonomia na hora de assistir aos episódios reflete o nível de engajamento do público recifense. Assistir a uma produção sem o auxílio das legendas em português permite que o espectador capte piadas, trocadilhos, entonações de respeito e nuances culturais que frequentemente se perdem no processo de tradução ou dublagem, tornando a experiência muito mais imersiva e completa.
Sageuk: A diferenciação dos termos e a riqueza do idioma de época
Um dos primeiros passos pedagógicos de Marina é esclarecer as nomenclaturas utilizadas pelo público ocidental. Embora a palavra "dorama" tenha se popularizado no Brasil como um termo guarda-chuva para qualquer série asiática, linguisticamente e geograficamente a expressão possui outra aplicação, e compreender essa diferença faz parte do respeito à identidade de cada país.
"Dorama é um termo utilizado de maneira errada. É muito comum as pessoas utilizarem, porém, 'Dorama' é como japoneses chamam as novelas japonesas, o termo correto para se referir a uma série coreana seria k-drama, drama coreano ou só drama", detalha.
Quando o foco se volta para as produções de época, que narram conspirações políticas em dinastias passadas, romances proibidos na corte e batalhas épicas com espadas, alguns ditados podem acabar passando despercebidos com as atualizações da língua. Essas obras recebem uma denominação própria na Coreia do Sul e exigem um olhar atento dos estudantes de conversação.
"Algumas expressões também acabam sendo utilizadas de maneira diferente. Como os dramas históricos, também conhecidos como (sageuk), se passam em uma época diferente, essas palavras elas são substituídas de maneira que façam sentindo com a época. Os costumes também acabam sendo diferentes pela questão da época, em termos de tecnologia, comunicação e até mesmo a vestimenta. Dentro do meu curso eu acabo trazendo esse debate por ser também algo voltado para história do país."Marina Marques, professora de coreano
A introdução dos sageuks nas aulas funciona como uma excelente ferramenta de imersão cultural. Ao analisar os diálogos dessas produções, os alunos conseguem compreender a evolução da sociedade coreana, os rígidos sistemas de hierarquia que moldavam o idioma no passado e como esses reflexos ainda ditam os níveis de polidez e formalidade no coreano moderno.
Para todos
Outro reflexo visível desse fenômeno na capital pernambucana é a total desconstrução do estereótipo de que o interesse pela cultura pop asiática pertence apenas aos adolescentes. O alcance das narrativas complexas e bem produzidas dos dramas quebrou barreiras de idade, criando salas de aula com uma troca geracional riquíssima.
"A procura acaba sendo bem ampla em relação a faixa etária. É muito comum a gente encontrar de pessoas mais jovens a pessoas mais velhas assistindo uma mesma série coreana. Por isso que, muitas vezes, dentro de uma turma eu acabo tendo pessoas com 15 anos como também é possível encontrar pessoas com 50 anos querendo aprender o idioma."
O poder das histórias contadas pelo audiovisual sul-coreano é universal. A expansão do interesse pelo idioma é uma realidade consolidada que transforma o cenário educacional local.
"Hoje eu consigo perceber que existe realmente uma expansão nessa questão do interesse em aprender o idioma ainda ocorrência dos dramas asiáticos. Já tive feedbacks de alguns alunos que viajaram ou que tiveram contato direto com pessoas nativas. Eles realmente acabaram utilizando ou ouvindo de alguma maneira quando estavam lá, então acabou sendo um vocabulário bem importante pertinente para eles saberem", finaliza a profissional.
O que começou com uma simples curiosidade diante da televisão ou do celular transformou-se em uma ponte cultural sólida, conectando os recifenses à rica história e linguagem do outro lado do mundo.
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"Algumas expressões também acabam sendo utilizadas de maneira diferente. Como os dramas históricos, também conhecidos como (sageuk), se passam em uma época diferente, essas palavras elas são substituíd
Marina Marques, professora de coreano