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De Pernambuco à Coreia do Sul: Luanny Vital fala sobre "Meu Namorado Coreano" e carreira musical

Em entrevista, artista comenta a experiência no programa da Netflix e a criação do "bregorama", projeto que une brega e referências coreanas

Por Alice Lins Publicado em 05/02/2026 às 20:15

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O frio abaixo de zero, a comida adocicada e apimentada, a dificuldade de comunicação e a exposição emocional diante das câmeras ajudaram a desenhar o tom de Meu Namorado Coreano, reality da Netflix que acompanha brasileiras em uma imersão afetiva e cultural na Coreia do Sul.

Mais que uma narrativa romântica, o programa se constrói a partir do choque entre expectativas e realidade, mostrando como relações se transformam quando atravessam a barreira do idioma, costumes e distância.

É nesse cenário que surge Luanny Vital, recifense e uma das participantes do programa. Ao longo das gravações, ela viveu a experiência de forma intensa, lidando com os desafios cotidianos do país, criando vínculos com outras mulheres do elenco e construindo uma trajetória marcada pela franqueza emocional e pela adaptação constante.

Divulgação/Netflix
Luanny Vital em "Meu Namorado Coreano" - Divulgação/Netflix

A participação acabou indo além do enredo do relacionamento e chamou atenção pela maneira como ela ocupou o espaço do programa: sem roteiro, sem filtro e com forte senso de identidade.

Natural de Pernambuco, com 26 anos e mãe solo, Luanny carrega uma trajetória construída muito antes da produção da Netflix. Cantora desde jovem, ela cresceu entre estúdios, bandas e composições próprias, desenvolvendo uma relação direta com a música popular e com o brega, gênero que atravessa sua formação artística.

Com uma carreira marcada pela mistura de referências e pela busca por identidade, Luanny chegou ao reality já com bagagem profissional e pessoal, usando a experiência televisiva não como um início, mas como extensão de um caminho que vinha sendo traçado há anos.

Ao falar sobre a experiência de viver fora do Brasil, Luanny destaca que o processo de adaptação exigiu preparo e resiliência diante de uma realidade muito diferente da dela. As diferenças culturais ficaram evidentes desde os primeiros dias e impactaram diretamente na rotina da cantora.

"Acho que a principal questão foi a comida. Foi um choque muito grande para mim. Lá tem muita comida gostosa, mas os pratos são bem mais adocicados e apimentados. Como eu tenho pressão baixa, precisava andar o tempo inteiro com um saquinho de sal, porque minha pressão caía e eu podia acabar desmaiando", afirma. "Teve também a questão do clima. Na primeira vez que fui para lá, peguei menos 15 graus. Da última vez, estava em torno de 7. É uma diferença enorme quando comparo com o clima da gente. E a barreira linguística pesou bastante. Foi, sem dúvida, o que mais dificultou".

Deixando as dificuldades de lado, a cantora também possui momentos mais que especiais vividos durante as gravações do reality. Ela destaca que a experiência foi marcada não apenas pelas câmeras, mas, principalmente, pelos laços criados ao longo do processo.

"Acho que o dia em que conheci a mãe de Siwon foi um dos mais marcantes para mim. Também foi muito especial conhecer as meninas, porque a gente não se conhecia antes. Foi engraçado perceber como cada uma tinha uma personalidade diferente, mas, mesmo assim, a convivência era muito boa. Não tinha confusão, nada disso. A gente era muito unida", explica.

Além do trabalho diante das câmeras, a experiência rendeu laços que ultrapassaram as gravações. Luanny conta que criou amizades que levou para a vida, em especial com Morena, uma das participantes com quem dividia o quarto e que esteve ao seu lado nos momentos mais difíceis.

Divulgação/Netflix
Luanny Vital em "Meu Namorado Coreano" - Divulgação/Netflix

Para ela, viver algo assim é uma oportunidade rara, que precisa ser aproveitada, e que se mostrou extremamente valiosa também por revelar os bastidores de uma produção desse porte - uma dimensão que, segundo ela, o público dificilmente imagina. "No fim, todo mundo ali virou como uma família, tanto a equipe quanto o elenco", declara.

A passagem pelo reality, no entanto, não representa um ponto de partida. Antes da visibilidade proporcionada pela Netflix, Luanny já havia trilhado uma grande jornada na música. Agora, após a experiência internacional, essa trajetória ganha novos espaços, se abrindo para projetos que conectam história pessoal, referências culturais e a projeção conquistada diante do grande público.

"Meu tio tinha um estúdio de música, então eu sempre via bandas, MCs, todo mundo indo lá, e acompanhava tudo de perto. Até que um MC me chamou uma vez para gravar uma partezinha de uma música. Ele gostou da minha voz, mas, na época, ela era muito feia - muito feia mesmo", brinca Luanny.

Quando foi chamada para cantar profissionalmente, Luanny lembra que entrou no estúdio com o tio na produção e teve uma reação dura, mas decisiva. No meio da gravação, ele interrompeu tudo e deixou claro que, se ela não estivesse disposta a aprender de verdade, seria melhor desistir da música.

A abordagem direta foi estratégica: ele sabia que, se suavizasse as críticas, ela não iria se desafiar. A partir daquele choque, Luanny transformou a provocação em motivação, decidiu aprender a cantar e passou a se dedicar para provar que era capaz.

Naquele mesmo período, ela chegou a gravar uma música inspirada em uma artista coreana, quando ainda fazia parte da banda Bandida, que mais tarde acabou sendo regravada. Na época, porém, doramas e K-pop não viviam o boom atual e o interesse do público era bem mais restrito.

Anos depois, com a popularização desse universo e a proximidade da participação no reality da Netflix, essas referências passaram a fazer sentido em um mesmo projeto. Assim nasceu o "bregorama", que une músicas coreanas ao brega, proposta que começou a ser lançada antes mesmo da exibição do programa.

"Quem me apresentou foi minha prima. Ela sempre gostou muito da cultura asiática, e eu, na época, não tinha nenhuma ligação com isso. Eu via ela assistindo e até brincava: 'que donzelinha, sai disso, menina'. Até que um dia ela colocou uma série para a gente assistir, uma série de colegial. Quando sentei para assistir, comecei a me encantar", revela Luanny.

Essa aproximação inicial com a dramaturgia sul-coreana abriu caminho para uma curiosidade que foi além da tela. Aos poucos, o contato com as histórias, estéticas e trilhas sonoras dos doramas ampliou o repertório cultural de Luanny e ajudou a construir uma relação mais afetiva - e menos idealizada - com esse universo.

Divulgação/Netflix
Luanny Vital em "Meu Namorado Coreano" - Divulgação/Netflix

O interesse, que começou de forma despretensiosa dentro de casa, acabou se transformando em referência pessoal e artística, influenciando a maneira que ela passou a consumir, interpretar e dialogar com a cultura asiática.

"Querendo ou não, nos doramas, eles mostram um lado mais romântico, algo que a gente não vê tanto na realidade. Parece que só nos doramas essas coisas existem. A partir disso, fui me envolvendo, conhecendo as músicas. Hoje, inclusive, sou mais fã de doramas do que de K-pop em si. Eu curto K-pop, mas não a ponto de ser fanática", diz.

Luanny também revela que o desejo de voltar à Coreia do Sul segue mais vivo que nunca. Entre risos, ela brinca que a ideia é retornar ainda este ano, "esperando ficar rica" para realizar a viagem. O interesse pelo país também se reflete dentro de casa: a filha sonha em conhecer a Coreia e já demonstra o carinho pela cultura pop sul-coreana, colecionando bonecos do BTS e acompanhando tudo de perto.

Entre planos, sonhos e bom humor, a trajetória de Luanny mostra como a experiência no reality ultrapassou a televisão e passou a influenciar vida pessoal e artística da cantora. Ao unir referências culturais, música e vivências intensas, ela segue construindo novos caminhos, com os pés no presente e os olhos voltados para as próximas oportunidades - quem sabe, em breve, em solo coreano outra vez.

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