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Márcia Angela: uma vida dedicada à educação

Todas as segundas-feiras, a Coluna João Alberto apresenta entrevistas exclusivas com personalidades de destaque na sociedade pernambucana

Por Julliana Brito Publicado em 16/03/2026 às 0:00

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Natural de Garanhuns, no Agreste pernambucano, a pedagoga Márcia Angela da Silva Aguiar construiu uma trajetória marcada pela dedicação à educação pública e à pesquisa sobre políticas educacionais no Brasil. Professora titular do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ela formou-se em Pedagogia pela própria instituição, onde também concluiu o mestrado em Educação na década de 1980. Em 2000, obteve o doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Em reconhecimento à sua contribuição acadêmica, recebeu em 2025 o título de Professora Emérita da UFPE, tornando-se a primeira mulher do Centro de Educação da universidade a conquistar a honraria. Desde 2023, Márcia Angela atua como presidenta da Fundação Joaquim Nabuco.

FUNDAJ/DIVULGAÇÃO
Márcia Angela é presidente da Fundação Joaquim Nabuco desde 2023 - FUNDAJ/DIVULGAÇÃO

A senhora nasceu em Garanhuns, no Agreste pernambucano. Que memórias da infância mais lhe marcaram?

As festas natalinas e as procissões católicas.

Em que momento percebeu que queria seguir o caminho da educação?

Quando tive o primeiro contato com crianças em sala de aula.

Como foi sair do interior para estudar na Universidade Federal de Pernambuco?

Uma grande satisfação, pois gostava muito de passar férias em Recife.

 

A senhora se dedicou ao estudo das políticas educacionais brasileiras. O que mais a motivou a seguir por esse campo de pesquisa?

A principal motivação foi a participação nos movimentos estudantis. Foi nesse ambiente de debate e mobilização que despertou em mim o interesse em estudar mais profundamente.

Ao longo da carreira, presidiu importantes associações nacionais da área da educação. Qual desses desafios mais marcou sua trajetória?

O desafio sempre presente de dar o melhor de mim em todas as entidades científicas.

Quais eram as suas competências no Conselho Nacional de Educação?

Fui conselheira da Câmara de Educação Superior, atuando na análise e emissão de pareceres sobre processos do ensino superior, na elaboração de normas e diretrizes curriculares, no julgamento de recursos administrativos de instituições e na discussão de políticas públicas para o setor.

Em 2025, a senhora recebeu o título de Professora Emérita da UFPE. O que esse reconhecimento representa?

Recebi o título de Professora Emérita com humildade e gratidão e afirmei que o título não pertence apenas a mim, mas a todos e todas que comigo partilham a construção desta trajetória. Foi um reconhecimento coletivo e uma convocação para que sigamos firmes na defesa da educação, da democracia e da justiça social. O dediquei, assim como dedico a Ordem Nacional do Mérito Educativo, no grau de Grande Oficial, entregue pelo Presidente Lula na celebração dos 95 anos do Ministério da Educação, a todos e todas que acreditam na força transformadora da educação.

Como tem sido presidir a Fundaj, uma instituição com tanta tradição na pesquisa social e cultural do país?

Tem sido um desafio permanente no sentido de contribuir para que a Fundaj seja cada
vez mais reconhecida nacional e internacionalmente.

Quais são hoje as principais prioridades da sua gestão?

Direcionar esforços para a afirmação da Instituição como referência nacional nos campos da Educação e Cultura; contribuir com as instituições para o alcance dos objetivos institucionais, em especial o fortalecimento da identidade cultural e histórica brasileira, em especial da Região Nordeste; contribuir com a preservação do patrimônio e do legado da Fundaj, ampliando sua visibilidade; e contribuir para a formação qualificada dos pesquisadores/as e dos demais servidores, promovendo uma governança democrática.

E o que já foi realizado durante seu período da Fundaj? 

A criação do Núcleo de Educação, Cultura, Inclusão, Meio Ambiente e Diversidade em Direitos Humanos.Criação do Núcleo de Educação, Cultura, Inclusão, Meio Ambiente e Diversidade em Direitos Humanos na Fundação Joaquim Nabuco; a reforma, após 17 anos, na expografia e na infraestrutura no Museu do Homem do Nordeste; a articulação para realização de concurso com 20 vagas para pesquisadores e 92 para analista, o que sinaliza para a renovação no quadro da Fundaj após 18 anos; contribuições para promoção de ações educativas e comunitárias envolvendo crianças e jovens; a ampliação de exposições nas galerias, com destaque para o reconhecimento da produção intelectual das mulheres; a promoção de cursos de pós-graduação em temáticas sócio políticas emergentes; e o incentivo à realização de mostras e festivais de cinema de alcance nacional e internacional.

De que forma a pesquisa e a educação podem contribuir para enfrentar as desigualdades sociais no Brasil?

Com a ampliação do conhecimento científico em sua articulação com os saberes populares, bem como contribuindo para o exercício da crítica com relação à sociedade e o engajamento nas lutas por justiça social.

Qual considera ser hoje o maior desafio da educação brasileira?

O maior desafio consiste na ampliação do financiamento para a Educação Básica e Superior.

O que ainda precisa avançar nas políticas educacionais para garantir mais equidade no país?

O engajamento dos entes federativos no tocante a materialização do Plano Nacional de Educação, que está em tramitação no Congresso Nacional.

Que conselhos daria aos jovens que desejam seguir carreira acadêmica?

Eu diria que é fundamental ampliar os horizontes por meio de leituras críticas, que ajudem a compreender a realidade de forma mais profunda e questionadora. Também é importante buscar aproximação com as universidades públicas,

 

Fundaj/Divulgação
Márcia dedicou sua vida à educação - Fundaj/Divulgação

Há algum livro marcante?

Um único, não. Mas gosto devários autores que me marcaram tanto pessoalmente como profissionalmente, como Jorge Amado, Celso Furtado. Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Gabriel Garcia Márquez.

Depois de tantos anos dedicados à educação, o que ainda a move e inspira diariamente?

O desejo de contribuir para um mundo melhor.

Como podemos aproximar as teorias acadêmicas das práticas na vida?

Melhorando as condições materiais da universidade públicas para que tenham condições
de exercer plenamente o ensino, a pesquisa e a extensão.

RAIO X 

Time: Sport Club do Recife.
Restaurante: Bargaço.
Comida: Filé.
Filme: Poderoso Chefão.
Livro: Grande Sertão: Veredas.
Música: Construção, de Chico Buarque.
Cantor: Caetano Veloso.
Local favorito: Minha casa.
Hobby: Ler.

 

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