O amor pela moda e a excelência de Tininha Da Fonte
Todas as segundas-feiras, a Coluna João Alberto apresenta entrevistas exclusivas com personalidades de destaque na sociedade pernambucana
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POR JULLIANA BRITO
À frente da Movimento, marca pernambucana referência em moda praia desde 1982, Tininha da Fonte transformou paixão em propósito. A arte sempre conduziu seus passos, da dança às passarelas, mas foi na moda que construiu sua trajetória de destaque. Influenciada pelas tias, que já atuavam no segmento, cresceu nos bastidores de desfiles e eventos, onde o encantamento pelo universo fashion surgiu ainda cedo. De lá para cá, fez desse entusiasmo uma missão: consolidar uma marca que se tornou sinônimo de identidade, estilo e tradição em Pernambuco.
Quando transformou essa paixão na sua carreira?
A inclinação artística sempre esteve presente na minha vida. Fui bailarina clássica por anos e dei aulas de dança enquanto cursava faculdade de design, já que não tinha formação disponível em moda. Na dança comecei a criar os figurinos dos espetáculos de balé e, em seguida, surgiu a ideia de abrir a primeira loja, inicialmente voltada para roupas de balé. Com o tempo, o negócio evoluiu e passou a se dedicar à moda praia.
Sua participação nos desfiles?
Entre os mais importantes está o São Paulo Fashion Week, considerado o maior evento de moda da América Latina, no qual desfilamos por cerca de 10 anos. Também participamos de feiras internacionais com desfiles, como o Miami SwimShow, a Surf Expo e eventos em Portugal e Espanha. Também fomos convidados para o Elle Summer Preview por dois anos consecutivos, que reunia as 8 melhores marcas de moda praia do Brasil selecionadas pela revista Elle. A cada desfile sempre dava aquele frio na barriga, mas sempre gratificante ver o resultado.
O que te inspira antes de desenhar novas coleções?
O processo criativo começa com muita pesquisa e observação. As viagens ajudam a perceber comportamentos, enquanto a internet e os bureaux de tendência auxiliam na pesquisa de cores e direcionamentos. Mas a criação também é muito guiada pela intuição e pelo sentimento do momento. A natureza é uma das minhas principais fontes de inspiração, pela riqueza de paisagens, cores e texturas.
Como surgiu sua marca de roupas?
Com o crescimento da linha de beachwear, o foco acabou migrando totalmente para a moda praia e também para o resortwear. A primeira loja foi aberta no Alameda Center, em Boa Viagem, e foi se expandindo. Três anos depois surgiu a primeira loja em shopping center, um marco importante, já que foi a primeira marca de moda praia do Brasil a abrir loja em shopping center.
Por que escolheu o beachwear?
Porque o segmento tinha relação direta com o que eu já produzia. Além disso, a moda praia oferecia mais possibilidades criativas e abriu portas para participar de eventos nacionais e internacionais. Sempre existiu também o desejo de criar peças associadas a momentos de lazer e felicidade, algo que continua sendo um dos pilares da marca.
Em que momento a marca virou referência em moda praia?
Um deles foi quando um fornecedor perguntou quantas lojas tínhamos e, ao ouvir a resposta, comentou: “Ah, então vocês têm uma rede de lojas.” Na época achei engraçado, mas percebi ali a dimensão que o negócio estava alcançando. Outro marco foi o convite para participar do São Paulo Fashion Week. As marcas que participavam normalmente eram do eixo Rio–São Paulo, então receber um convite para lançar tendências em um evento desse porte, sendo uma marca do Nordeste, representou um reconhecimento muito forte.
Maiores desafios no início?
Conciliar família e trabalho. Eu já tinha filhos e lojas para administrar, e a logística de equilibrar tudo, sempre procurando fazer o melhor, era bastante exigente. Com organização, dedicação e muito apoio da família, consegui conduzir bem esses dois lados da minha vida.
Peça que se tornou um verdadeiro ícone da marca?
Ao longo desses 44 anos várias peças se destacaram, mas uma que me vem à memória foi no primeiro São Paulo Fashion Week em que participamos. Criamos dois biquínis inspirados na bandeira de Pernambuco, todos trabalhados com cristais Swarovski. As peças ficaram lindas e marcaram muito aquele momento da marca.
Como é o diálogo com seu público?
É muito natural para nós. Ainda assim, é sempre desafiador, porque buscamos equilibrar conforto e qualidade, que são características fortes da marca, com inovação e beleza.
Tem alguma coleção que foi mais marcante em sua carreira?
Na verdade, não houve apenas uma coleção mais marcante. A cada ano, cada coleção traz algo especial e sempre existem peças ou estampas que se tornam queridinhas das clientes. Eu também tenho minhas preferidas como estilista em cada coleção. Uma campanha que marcou muito foi a da estampa “Peixe Gato”. Foi bastante inovadora e trouxe um personagem masculino, algo diferente do que se via normalmente na moda praia feminina. Foi tão marcante que anos depois ainda era lembrada.
Alguma personalidade já usou a marca de forma especial?
Muitas celebridades já usaram a marca ao longo dos anos, como Gisele Bündchen, Adriana Lima e Alessandra Ambrosio. Isso é sempre especial, mas clientes que usam no dia a dia é a conexão com a marca que passa de geração para geração, de mães para filhas e até netas. Essa relação afetiva é muito especial para nós.
Evolução da moda praia brasileira no cenário internacional?
A moda praia brasileira conquistou um reconhecimento internacional muito forte. Ela é vista como algo especial e desejado em muitos países. Em feiras internacionais, era comum ver modelos e profissionais encantados com os biquínis brasileiros. A modelagem brasileira, que valoriza mais o corpo, acabou se tornando uma referência. Algo que antes precisava ser adaptado para modelagens europeias e americanas.
Mudança do cenário na atualidade?
Mudou muito. Quando começamos, era realmente um trabalho de desbravar mercados. A comunicação era diferente e o acesso às tendências também. Antes era necessário viajar pelo menos duas vezes por ano para a Europa para pesquisar tendências que só chegariam ao Brasil meses depois. Hoje, com internet, redes sociais e bureaux de moda, tudo é muito mais rápido. As coleções também ficaram mais dinâmicas e frequentes. Além da busca por trabalhar com pessoas de diferentes gerações, porque essa troca é muito importante.
O que ainda te encanta na moda?
A moda é um aprendizado constante e continua sendo muito inspiradora para mim. A cada ano cresce a vontade de melhorar e criar algo novo. Mesmo depois de tantos anos, não perdi o entusiasmo.
Como é para você suas filhas te acompanharem na profissão?
Minhas filhas trabalham na empresa. Marina cuida da parte comercial e Maria é responsável pela produção, além da área financeira e administrativa da marca. Eu continuo à frente do estilo, trabalhando com uma equipe jovem, mas hoje as duas participam bastante junto comigo da parte de criação.
Há planos de expansão da marca?
A marca já vem se expandindo principalmente através dos canais de e-commerce e do atacado, além da presença em multimarcas e crescimento das nossas rede de lojas próprias. Nossa linha masculina também ganhou um foco especial e estamos com um lançamento no forno para complementar.
Está na produção de alguma linha?
Estamos desenvolvendo uma linha de moda leve, confortável, com a mesma identidade da marca, pensada para transitar com facilidade, oferecendo peças para o dia a dia, viagens, momentos de lazer e também para a rotina da cidade. É um lançamento importante para nós, porque amplia o nosso universo.
RAIO X
Time: Náutico.
Restaurante: Ponte Nova.
Comida: Filé ao Poivre.
Filme: Perfume de Mulher, de Martin Brest
Livro: A Bíblia.
Música: Um Dia de Domingo, de Tim Maia
Cantor: Caetano Veloso.
Local favorito: Minha casa.
Hobby: Dançar.