Drayton Nejaim e a liderança que conecta Pernambuco
Todas as segundas-feiras, a Coluna João Alberto apresenta entrevistas exclusivas com personalidades de destaque na sociedade pernambucana
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Drayton Jaime Nejaim Filho carrega no sobrenome uma tradição política e empresarial de peso em Pernambuco, mas construiu sua própria trajetória com identidade e propósito. Natural de Caruaru, transformou a herança de liderança recebida do avô e do pai em um projeto voltado à articulação empresarial e ao desenvolvimento do Estado. Administrador de empresas e jornalista, percorreu caminhos que passam pela educação corporativa, televisão e imprensa, consolidando o LIDE Pernambuco como uma das unidades mais relevantes do sistema no Brasil. Casado com a geriatra Alexsandra Siqueira Campos Nejaim, valoriza profundamente a família. Pai “do coração” de Daniel Asfora, Gustavo Maranhão Neto, Davi e Beatriz Siqueira Campos, mede conquistas menos por números e mais pela qualidade das relações que construiu ao longo da vida. Nesta entrevista, revisita a influência dos pais, os desafios de trilhar um caminho fora da política partidária, os bastidores da criação do LIDE em Pernambuco e sua visão sobre liderança, networking e propósito.
O que na sua infância e juventude mais influenciou sua visão de liderança e empreendedorismo?
Minha veia empreendedora foi inspirada nos exemplos do meu avô, Jayme Nejaim, e do tio-avô, Ibrahim Nejaim, empresários de destaque em Pernambuco entre as décadas de 1920 e 1970, além da minha capacidade de comunicação, que percebi desde muito novo como diferencial. Meu pai, Drayton Jayme Nejaim, foi uma grande liderança em Pernambuco. Homem inteligente e de grande coração, ajudou muita gente como político e trabalhou por Caruaru (onde foi prefeito por doze anos) e pelo Agreste (com 20 anos de mandato como deputado). Minha mãe, Cleonice Cardoso de Alcântara Nejaim, defensora pública, me ensinou humildade, simplicidade e honestidade.
Você é administrador de empresas e jornalista, como foi o processo de entrada nessas profissões?
Administração de Empresas foi o caminho natural para quem queria empreender. Formei-me na UFPE e fui orador da turma. Lá também fui professor dos MBAs de Administração por 15 anos, de 2000 a 2014. O jornalismo entrou na minha vida a partir de um convite de Paulo Jardel Cruz, então diretor da TV Universitária, no início dos anos 2000, para um programa de negócios nos moldes do Show Business, de João Doria. Assim nasceu o Ponto de Equilíbrio, meu primeiro programa de entrevistas, exibido aos domingos à noite, às 22h, iniciando uma trajetória de 15 anos na televisão, com passagens pela TV Guararapes, TV Jornal, TV Tribuna e NET.
Nesse período, escrevi por sete anos a coluna semanal Folha Empresarial, na Folha de Pernambuco, a convite de Eduardo Monteiro. Em 2007, fundei com Omar Aguiar e Daniel Asfora a Editora Negócios, responsável por guias, livros e pela Revista Negócios PE, sucesso por uma década.
Quais foram os maiores desafios no início da sua carreira — e qual deles mais ensinou?
O maior desafio foi não aceitar o caminho convencional da política. Tendo o nome de papai, Drayton Nejaim, e considerando o impacto de sua trajetória marcante e bem-sucedida como líder político, seguir um caminho original era um desafio. Felizmente, meus pais nunca me incentivaram. E sempre conversaram muito comigo sobre os desafios do ambiente. A partir das nossas conversas, pude entender também que, apesar da aptidão inegável, não tenho a vocação que reconhecia em papai. A política é um sacerdócio que exige 24x7.
Suas primeiras atividades profissionais:
A primeira de destaque foi na multinacional Amway, como distribuidor direto, oportunidade concedida pelo arquiteto Marcos Domingues (meu primeiro sogro e um segundo pai para mim) e pelo meu amigo Rui Ferraz, um grande líder nesse período. Na Amway estive dos 20 aos 25 anos e aprendi bastante sobre vendas, relacionamento interpessoal, liderança, oratória e ego. Aos 25 anos montei uma empresa que seria muito bem sucedida no mercado de educação corporativa, o ICAP - Educação Empresarial, que treinou 5 mil empresários e gestores de empresas durante uma década. Neste período atuei também como palestrante profissional.
Como nasceu a ideia de fundar o LIDE Pernambuco?
O LIDE chegou por dois caminhos simultâneos: por Yuri Romão e Geraldo Júlio. Yuri, a pedido de Geraldo Júlio (que recebeu essa demanda do governador Eduardo Campos, na época — 2011 — muito próximo a João Doria, porque buscava nacionalizar seu nome para presidente da República e entendia o LIDE como a melhor alternativa para se aproximar da elite nacional através do prestígio de Doria), ficou encarregado de buscar um nome e me fez a consulta num almoço no Tio Armênio, do Shopping Recife. No mesmo dia, antes do almoço com Yuri, Francisco Cortez, à época, presidente da Sansonite no Brasil, muito amigo de João Doria, me ligou. JD tinha feito a ele o mesmo pedido que havia feito a Eduardo Campos: encontrar alguém em Pernambuco para fundar o LIDE aqui. Para ambas as consultas, de Cortez e Yuri, eu disse que iria a São Paulo conhecer o LIDE e conhecer João Doria. No retorno, convidei Yuri Romão para liderar comigo essa iniciativa, e ele ocupou a vice-presidência por 7 anos.
No início, qual foi a maior dificuldade para tirar o projeto do papel?
Não tive dificuldade para tirar do papel. Compreendi bem o papel do LIDE como representação empresarial multissetorial. E da importância de manter independência político-partidária no seu papel.
O LIDE Pernambuco elegeu missões nobres para o Estado: tirar o empresário pernambucano da zona de conforto e se unir; fazê-lo ser provocado em relação ao status quo na Região; aproximar-se das lideranças públicas; integrar a elite tradicional pernambucana com novos líderes empresariais do Estado; conectar Pernambuco com o pensamento empresarial dos grandes nomes do Brasil em diversas áreas; dar voz e potência a novos líderes do Estado; acompanhar e propor projetos que interfiram na competitividade de Pernambuco. Tudo isso já foi feito. E, depois de 15 anos de atuação no Estado, estamos no melhor momento.
Você imaginava que a unidade se tornaria uma das maiores do mundo?
Talvez o fato de eu ter encarado o LIDE, desde o ponto zero, como um agente de transformação para Pernambuco tenha produzido um resultado expressivo (hoje são 500 empresas filiadas e somos a maior unidade do Brasil há dez anos), já que, mesmo eu não tendo optado pela política partidária como atividade profissional, carrego no sangue o desejo de servir a Pernambuco, que testemunhei em meus pais. Eu entendi o LIDE como um ambiente que me daria essa oportunidade. É nisso que acredito. É isso que me move. E o que me faz feliz.
Como é o processo de captação de filiados?
Em Pernambuco não fazemos captação ativa. Realizamos cerca de 80 agendas de excelência por ano, e o impacto dessas agendas acaba estimulando muitos líderes e empresas a nos procurar para filiação.
Que tipo de liderança o LIDE buscou reunir desde o começo — e o que não abre mão nesse perfil?
O LIDE, onde se instala no mundo, atua focado em presidentes de empresa e C-level+. Em Pernambuco, onde 90% das empresas são administradas por donos e não por executivos, o LIDE trabalha junto a esse empresário, de maior senioridade e reconhecimento de mercado.
Houve algum momento crítico na história do LIDE Pernambuco que colocou o projeto à prova?
Claro que sim. Mas numa trajetória o mais importante é a consistência do propósito. Tivemos momentos difíceis nestes 15 anos, que serviram para muito aprendizado e afirmação do core, investir na cidadania empresarial trabalhando para desenvolver Pernambuco, servindo ao filiado e mantendo a sintonia propositiva com o poder público. Sendo o LIDE um ambiente de líderes por onde passaram nos últimos 15 anos os principais líderes do Estado, imagine um monte de gente relevante junta…E, para ser honesto, os momentos de realização foram em quantidade e qualidade muito superiores.
O que diferencia networking de influência de networking de conveniência?
Networking hoje virou commodity. Ter uma rede de relacionamentos é importante, mas a oferta excessiva esvazia a originalidade das conexões. Não acredito em relações superficiais nem no networking de “estar em todas” dizendo a cada um o que quer ouvir.Eventos podem gerar oportunidades quando há equilíbrio; em excesso, transformam tudo em interesse. No LIDE Pernambuco, o foco é outro: apoiar o desenvolvimento do Estado e estimular a cidadania empresarial. Quem está no LIDE é provocado a pensar além do próprio negócio, a perguntar como pode contribuir para o crescimento de Pernambuco. Essa é a coerência que nos move.
O que você observa nos jovens líderes do LIDE Futuro que difere das gerações anteriores?
O jovem de hoje quer tudo para ontem. Tem pressa no caminho. Todo mundo quer ser CEO e montar uma startup de sucesso com 22 anos.
Neste contexto, nosso LIDE Futuro, cuja atividade entra no décimo segundo ano, busca referenciar esse jovem empreendedor. No caso do LIDE Mulher, que também entra no décimo segundo ano de atividades, a preocupação foi fomentar um espaço de valorização do olhar feminino sobre os desafios que cercam as carreiras e os mercados.
Qual hábito pessoal mais contribuiu para seu desempenho profissional?
O hábito pessoal que mais contribuiu para minha vida profissional foi minha capacidade de organização. Sou muito organizado.
Outra coisa que me ajudou muito foi aprender a dizer: “Não sei fazer isso, você me ajuda?”.
E uma terceira foi montar bons times. Tenho um olho muito apurado para gente.
Qual conquista te deu mais orgulho até hoje — e por quê?
A família que tenho hoje com minha amada esposa Alexsandra é uma conquista. Ter tido na vida uma madrinha amorosa que me criou junto com mamãe como Lica, e uma avó que era minha amiga como Dona Santinha, foram conquistas. A convivência com meus amigos de Caruaru, também ajudam muito no meu equilíbrio. Os amigos de coração que fiz no LIDE são um orgulho pra mim. Trabalhar com o que me faz feliz é uma conquista. Ter saúde, rir muito, tomar uma de vez em quando, acreditar em Deus e ir à Igreja são grandes conquistas. Ser amigo do meu irmão Nelson, que tem 13 anos a mais, é uma conquista. Conversar com minha Tia Lilian Nejaim sobre a vida alheia é uma conquista prazerosa. Estar num grupo de corrida com o pior “pace” e me divertir com isso é a minha visão sobre “a maior conquista”.
Que conselho você daria para quem quer construir uma carreira de influência e impacto?
Você precisa buscar ter atitude através do conhecimento e da ação. Chegar antes e sair depois. Fazer o que ninguém te pediu. Não esperar dos outros aquilo que faz por eles.
Ter humildade para entender que o mundo não gira em torno de você. E que ninguém tem tudo. Somos complementares e precisamos uns dos outros.
E, por último, tenha amigos fora da sua bolha, para não acreditar que todo mundo pensa igual a você.
Se pudesse voltar no tempo, que orientação daria ao Drayton do início da carreira?
Jogue a ansiedade fora. Você vai se divertir muito mais. Eu só fiz isso aos 43 anos. Perdi um tempão.
Pernambuco está preparado para a nova economia digital e inovadora?
Pernambuco está se preparando. O Estado pensa grande. Tem líderes nacionais em todos os setores. Tem imensa capacidade de realização. Não tem ainda união política por projetos de Estado. Mas acredito que é uma questão de tempo. A comunidade empresarial hoje está muito mais unida que no passado. E acho que vai avançar mais.
Suas paixões, pessoalmente falando:
Minha paixão maior é viajar. Nos últimos 20 anos saí 40 vezes do Brasil, e conheço 20 países. Fora as viagens no Brasil, que foram muitas (adoro nosso país). Tenho orgulho em descobrir destinos e conhecer bem as cidades, povos e culturas. Foi o caminho que encontrei para me desprovincianizar. Enxergar fora da “caixa”.
Metas pessoais e profissionais que deseja realizar:
Minha meta pessoal é ver as pessoas ao meu redor felizes. Tenho uma satisfação imensa em ser veículo para melhorar a vida de alguém, às vezes com uma boa conversa.
Meta profissional é ser útil também na velhice.
Atuaria em outra área além dos negócios e empreendedorismo?
Atuaria. Adoraria ser cantor (apesar da rouquidão marcante). Me vejo sempre como um comunicador. E aí as possibilidades são infinitas.
RAIOX
Time: Náutico
Hobby: Almoçar com amigos das antigas.
Mania: Dedo no nariz.
Restaurante: Bar de Arnobio em Setúbal (Tropical Mix).
Lugar bonito: Meu lar.
Livro: O jeito Havard de ser Feliz.
Filme: Forrest Gump.