Baile Municipal do Recife precisa ter mudanças
As notícias sobre sociedade, política, moda, eventos, cultura e entretenimento em Pernambuco e no Brasil na coluna de João Alberto desta quinta
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João Campos ou Victor Marques, quem for o prefeito no próximo ano, deve ter um cuidado especial para evitar a clara decadência do Baile Municipal. Conheço bem a festa, pois estive em todas desde que comecei minha carreira. Na primeira etapa, eram eventos alinhados, na sede do Clube Português, em traje a rigor e reunindo, nos camarotes, muitas e muitas figuras de destaque, incluindo convidados famosos do Rio e de São Paulo e desfilantes de fantasias consagrados. Era organizado por uma comissão presidida pela primeira-dama do Recife, com pessoas envolvidas no baile. Participei de várias delas, presididas por Magdalena Arraes, Jane Magalhães, Silvia Cavalcanti e Geralda Farias (no tempo de Jarbas Vasconcelos). O Municipal tinha apenas duas orquestras que se revezavam e conseguiam manter o clima no intervalo em que eram substituídas. Não precisava de shows. O concurso de fantasias, com nomes famosos e colunáveis na comissão julgadora, sempre atraía muito interesse.
PERDA DO BRILHO
Quando foi para o Classic Hall, aos poucos a festa foi perdendo o glamour. Nos dois primeiros anos, ainda teve figuras alinhadas; depois, virou uma festa comum, quando os foliões vão com roupas comuns, muitos de bermuda. Quando foi prefeito, João Paulo criou um novo Municipal, dividindo o palco com dezenas de artistas. Um mesmíssimo esquema, que continua sendo usado e que não pode dar certo. Vinte anos depois, faz tempo que a festa não tem uma novidade, um problema que alertei várias vezes nesta coluna. Antes, a festa ainda conseguia reunir pessoas de destaque nos camarotes e tinha sempre a presença do governador do Estado, mesmo nos casos em que era adversário político do prefeito. Sempre havia o camarote do prefeito e o camarote do governador, e isso gerava muita mídia. Estive em Municipais com Miguel Arraes, Joaquim Francisco, Roberto Magalhães, Jarbas Vasconcelos, Marco Maciel, Carlos Wilson Campos, Paulo Câmara. E com Eduardo Campos que em dois anos me convidou para ir na sua comitiva, que se reunia antes do baile no Campo das Princesas.
EVENTO POLÍTICO
A festa deixou de ser um baile para se tornar praticamente um evento político. Todas as matérias publicaram apenas fotos desses políticos, todos alinhados com o governo municipal. Como nosso Estado está totalmente dividido, quem é da oposição não foi. Antes havia um congraçamento entre todos. Sábado, muitos camarotes estavam vazios. As empresas e pessoas compram, não vão e não distribuem os ingressos. O resultado foi a imagem ruim de vários deles vazios. Diferentemente de anos anteriores, não foi possível encontrar nomes colunáveis ou empresários de destaque. Apesar de lotar por causa dos ingressos baratos, o público era muitas vezes menor que nos anos anteriores. O desfile das fantasias, num concurso que a Prefeitura promove, deu pena. Criações bonitas, mostradas com o Classic Hall vazio. Interesse zero.
ATRAÇÕES
O palco, dividido por muitos artistas, segue um esquema que raramente deu certo, com direito a alguns nomes totalmente desconhecidos. A festa teve a participação de três orquestras. Na substituição dos seus equipamentos, em alguns casos, houve até 40 minutos de intervalo, quebrando muito o clima de animação. Claro que muitos nomes pernambucanos deram brilho às apresentações, mas, convenhamos, Carlinhos Brown está longe de ser um grande nome e não seria capaz de levar um grande público sozinho. Está muito atrás de atrações baianas como Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, Daniela Mercury, Bell Marques, Banda Eva e Léo Santana. E dos muitos nomes que vieram para o Réveillon do Polo Pina. Com absoluta certeza, Alceu Valença teria conseguido maior sucesso, com o detalhe de ser pernambucano.
MINHA TORCIDA
Levanto o problema com a autoridade de alguém que sempre divulgou e prestigiou o Baile Municipal. E que estive em praticamente todos. Sempre vou torcer pelo sucesso do Municipal e confesso que a atual decadência me deixa muito triste.