Comportamento | Notícia

Pesquisa da Booking.com revela que muitos viajantes LGBTQ+ ainda escondem a própria identidade durante viagens

Relatório Travel Proud mostra que parte da comunidade evita demonstrar orientação sexual em determinados destinos e aponta avanços na inclusão

Por Bianca Tavares Publicado em 17/07/2026 às 11:09

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A possibilidade de viajar sendo autêntico ainda não é uma realidade para muitas pessoas LGBTQ+. É o que mostra o mais recente Relatório Travel Proud, divulgado pela Booking.com, que analisou as percepções e experiências de mais de 13.300 viajantes da comunidade em 19 países, incluindo o Brasil. O levantamento revela que, embora existam avanços na hospitalidade inclusiva, esconder a própria identidade continua sendo uma estratégia adotada por parte dos turistas para se sentirem mais seguros durante as viagens.

Um dos dados que mais chama atenção é que apenas 38% dos brasileiros afirmam assumir sua orientação sexual quando viajam. Entre amigos próximos, esse percentual sobe para 73%, evidenciando que muitos ainda mudam seu comportamento ao visitar determinados destinos. Além disso, 31% dos entrevistados disseram que esconderiam sua identidade para conhecer um destino dos sonhos, mostrando que, para parte da comunidade, o desejo de viajar ainda precisa ser conciliado com preocupações relacionadas à segurança.

O estudo também identificou diferenças entre os próprios grupos da comunidade LGBTQ+. Globalmente, viajantes que se identificam como "não assumidos" relataram menos experiências negativas relacionadas à sexualidade nos últimos 12 meses. Enquanto 34% desse grupo afirmaram ter enfrentado situações desagradáveis, entre os viajantes LGBTQ+ em geral esse índice chega a 62%.

Viajantes adotam cada vez mais medidas de segurança

A pesquisa mostra que a preocupação com a segurança durante as viagens aumentou nos últimos anos. No Brasil, 55% dos viajantes LGBTQ+ afirmam tomar mais precauções hoje do que faziam anteriormente.

Entre os cuidados mais comuns estão compartilhar a localização em tempo real com pessoas de confiança, prática adotada por 33% dos entrevistados. Outros 18% levam celulares descartáveis durante as viagens, 13% utilizam VPN para ocultar atividades ou acessar conteúdos bloqueados e 12% apagam aplicativos de relacionamento antes de atravessar fronteiras.

Além disso, 54% dos brasileiros disseram observar constantemente o ambiente antes de demonstrar afeto ao parceiro ou parceira em espaços públicos.

Pessoas trans enfrentam desafios ainda maiores

O relatório também destaca as dificuldades enfrentadas por viajantes trans. Esse foi o único grupo em que o número de pessoas que afirmam estar mais ansiosas para viajar supera o de quem passou a se sentir mais tranquilo.

Globalmente, 43% dos viajantes trans disseram que a ansiedade relacionada às viagens aumentou nos últimos anos, percentual significativamente superior à média de 27% observada entre viajantes LGBTQ+ em geral.

Enquanto a principal preocupação da maioria dos entrevistados é assumir publicamente sua identidade durante passeios noturnos, entre pessoas trans a maior fonte de ansiedade está no uso de espaços separados por gênero, como banheiros e vestiários, preocupação citada por 24% dos participantes.

Turismo mais inclusivo mostra resultados positivos

Apesar dos desafios, o levantamento também aponta avanços importantes na experiência de viagem da comunidade LGBTQ+.

No Brasil, 89% dos entrevistados afirmaram ter vivido ao menos uma experiência positiva relacionada à própria identidade de gênero ou orientação sexual durante viagens realizadas no último ano.

Entre as situações mais lembradas estão a presença de funcionários LGBTQ+, citada por 47% dos participantes, além de sinais de inclusão nas acomodações, como bandeiras do orgulho LGBTQ+ e banheiros unissex, ambos mencionados por 37%. O uso correto de pronomes pela equipe também foi destacado por 32% dos viajantes.

Outro dado positivo mostra que 59% dos brasileiros acreditam que a aceitação da comunidade LGBTQ+ melhorou nos últimos anos.

Inteligência artificial ganha espaço no planejamento das viagens

A tecnologia também aparece como uma aliada dos viajantes LGBTQ+. Segundo a pesquisa, 78% dos brasileiros utilizaram inteligência artificial para planejar viagens no último ano.

Entre eles, 49% afirmam confiar na IA para obter recomendações objetivas e livres de preconceitos relacionados à identidade. Outros 45% acreditam que a tecnologia facilita a descoberta de estabelecimentos voltados à comunidade LGBTQ+ que dificilmente apareceriam em pesquisas convencionais.

Além disso, 37% disseram sentir mais segurança para fazer perguntas delicadas sobre a cena LGBTQ+ local para ferramentas de inteligência artificial do que para outras pessoas. Já 40% considerariam útil a inclusão de um filtro específico para viajantes LGBTQ+ nas plataformas de reservas online.

"A pesquisa deste ano mostra por que nosso programa Travel Proud continua sendo tão importante quanto sempre foi. É com muita satisfação que observamos o crescimento do programa nos cinco anos desde seu lançamento em 2021 e o entusiasmo com que ele foi acolhido por tantos de nossos parceiros em todo o mundo. O treinamento já está disponível em 11 idiomas e foi concluído por mais de 142 mil propriedades, permitindo que viajantes filtrem por acomodações que acolhem a comunidade LGBTQ+ em mais de 20 mil cidades e destinos em todo o mundo. Apesar dos desafios e das precauções cada vez maiores que viajantes LGBTQ+ estão tomando para sentirem segurança, nossa inspiração vem dos 66% em todo o mundo que priorizam viagens nas quais podem ser pessoas 100% autênticas e que continuam a viajar de forma intensa e autêntica com o Travel Proud", afirma Matthias Schmid, vice-presidente sênior de acomodações da Booking.com.

Na plataforma da Booking.com, viajantes podem utilizar o filtro Travel Proud (opções para LGBTQ+) ou identificar acomodações participantes por meio do selo com o ícone da mala nas cores do arco-íris, facilitando a busca por hospedagens comprometidas com uma experiência mais acolhedora e inclusiva.

O Relatório Travel Proud foi encomendado pela Booking.com e realizado de forma independente entre fevereiro e março de 2026. A pesquisa ouviu 13.331 pessoas da comunidade LGBTQ+ em 19 mercados. Todos os participantes tinham 18 anos ou mais, haviam realizado ao menos uma viagem de lazer com hospedagem nos últimos 12 meses e eram responsáveis pelo planejamento ou reserva da viagem.

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