Comportamento | Notícia

Além do sol: o guia completo para manter seus níveis de vitamina D

Sintomas como fraqueza muscular, dores ósseas, fadiga crônica e baixa imunidade acendem o alerta para uma possível insuficiência de vitamina D

Por Paloma Xavier Publicado em 22/05/2026 às 18:13

Clique aqui e escute a matéria

Basta estar excessivamente cansado para ser questionado: "será que não é vitamina D baixa?". Instintivamente, uma solução é eleita: tomar sol. No entanto, nem sempre esse cansaço está relacionado à insuficiência da vitamina e, quando está, o simples ato de se expor mais aos raios solares pode não ser o suficiente.

O endocrinologista Fábio Moura, do Hospital Jayme da Fonte, explica que a vitamina D atua principalmente no metabolismo do cálcio, promovendo a absorção intestinal de cálcio e fósforo e mantendo a saúde dos ossos e dentes. "Além disso, também participa no funcionamento do sistema imunológico, da função neuromuscular, tendo ainda algum papel em processos cardiovasculares e metabólicos", acrescenta.

De acordo com o especialista, a recomendação de "tomar sol" ocorre porque a principal fonte de vitamina D é a síntese cutânea. "Quando a pele é exposta à radiação ultravioleta B (UVB), o 7-desidrocolesterol é convertido em pré-vitamina D3, que depois se transforma em vitamina D3 ativa. O grau de formação de vitamina D vai depender do 'índice de exposição solar, que sofre a interferência de vários fatores: idade do sujeito, cor da pele, superfície corporal exposta ao sol, tempo de exposição ao sol e incidência de raiso ultravioleta'", explica.

O que acontece quando a vitamina D está abaixo do ideal?

Fábio afirma que a insuficiência de vitamina D desencadeia a redução da absorção de cálcio, com aumento compensatório dos níveis séricos de PTH, aumentando risco de osteopenia, osteoporose, fraturas e em casos graves de osteomalácia.

Além disso, os níveis baixos dessa vitamina podem estar relacionados ao maior risco de quedas, à fraqueza muscular, a doenças autoimunes e/ou cardiovasculares e até a alguns tipos de câncer.

Como descobrir se a vitamina D está baixa?

De acordo com o endocrinologista, o nível de vitamina D corporal é averiguado através do exame de sangue que dosa 25-hidroxivitamina D [25(OH)D]. "É o marcador mais confiável do status de vitamina D. Exames de rotina podem incluir essa dosagem, mas nem sempre fazem parte do check-up básico", complementa.

Ele ressalta que níveis séricos inferiores a 30ng/dl caracterizam deficiência de vitamina D. E elenca os grupos mais suscetíveis a essa deficiência:

• Idosos (menor síntese cutânea);
• Pessoas com pouca exposição solar;
• Indivíduos com pele escura;
• Pacientes com obesidade (armazenamento da vitamina no tecido adiposo);
• Pacientes com síndromes de má absorção ou doença renal crônica.

Como a alimentação pode ajudar a garantir a vitamina D?

O especialista afirma que alguns alimentos podem auxiliar na manutenção da vitamina D no corpo, mas que atuam de forma limitada. São eles: Peixes gordurosos (salmão, sardinha), óleo de fígado de bacalhau, gema de ovo e laticínios fortificados.

Além de uma dieta com esses alimentos, um estudo realizado por pesquisadores do Reino Unido e publicado na revista científica Advanced Science mostra que praticar exercícios físicos regularmente pode ser tão eficaz quanto a exposição ao sol na manutenção da vitamina D.

Quando suplementar a vitamina D?

Fábio ressalta que é praticamente impossível atingir níveis corporais adequados de vitamina D apenas pela dieta e que, por isso, muitas vezes a suplementação é recomendada.

"Especialmente em grupos de risco ou em regiões com pouca incidência solar. As doses utilizadas dependerão dos níveis séricos basais, do peso do paciente e da capacidade de absorção", acrescenta.

Quais são os efeitos colaterais da deficiência prolongada de vitamina D?

Caso a deficiência de vitamina D se prolongue, alguns efeitos colaterais podem ser desencadeados. Segundo o especialista, os mais comuns são as doenças ósseas (osteoporose, fraturas, raquitismo, osteomalácia); a fraqueza muscular e o aumento do risco de quedas. Além disso, há a possibilidade de repercussões cardiovasculares, metabólicas e imunológicas.

É recomendado consultar um especialista de confiança antes de suplementar a vitamina D ou qualquer outra.

 

Compartilhe

Tags