Comportamento | Notícia

Burnout: sintomas que podem passar despercebidos no dia a dia

Sintomas físicos como dor e insônia podem indicar esgotamento antes mesmo do colapso emocional; especialista revela como lidar com o diagnóstico

Por Bianca Tavares Publicado em 05/05/2026 às 11:59

Clique aqui e escute a matéria

O burnout nem sempre se manifesta primeiro na mente. Em muitos casos, o corpo dá os sinais iniciais e eles passam despercebidos. No Brasil, os afastamentos por esgotamento cresceram 677% em cinco anos, saltando de 628 registros em 2019 para 4.880 em 2024, segundo a Fundacentro.

Esse cenário ganha ainda mais relevância com as novas diretrizes da NR-1, que entram em vigor a partir de 26 de maio e passam a exigir que empresas identifiquem e gerenciem riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como o estresse crônico, principal gatilho do burnout.

De acordo com a psiquiatra Livia Beraldo de Lima, do Hospital Sírio-Libanês, a condição vai muito além do cansaço emocional. “O burnout é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas relacionados ao estresse crônico no contexto profissional. Dentre as principais características estão a exaustão extrema, esgotamento físico, ansiedade, depressão, alteração de humor, negatividade e falta de interesse em realizar as atividades”.

No Brasil, o Ministério da Saúde reconhece o burnout como um distúrbio relacionado ao trabalho. Entre os sintomas estão dores no corpo, tontura, fadiga persistente e alterações no sono. Do ponto de vista fisiológico, o quadro mantém o organismo em estado constante de alerta, conhecido como “luta ou fuga”, elevando os níveis de cortisol por períodos prolongados.

“Os impactos do burnout não são apenas emocionais, mas também físicos, e podem incluir desde alterações no sono até prejuízos cognitivos importantes, como dificuldade de concentração e memória”, afirma a médica.

Quando a dedicação excessiva esconde o problema

A dificuldade de identificar o burnout precocemente pode estar relacionada a um comportamento cada vez mais comum: o chamado burnon. Nesse caso, a pessoa continua produtiva, mas sob um nível constante de pressão interna.

“O termo burnon tem sido utilizado para situações em que há dedicação excessiva ou obsessão pelo trabalho, com dificuldade de impor limites. A pessoa acredita que sua entrega nunca é suficiente e mantém níveis elevados de exigência pessoal”, explica Livia.

Esse padrão mantém o corpo em estado contínuo de alerta, o que pode aumentar o risco de hipertensão, comprometer a imunidade e desencadear ansiedade e insônia. Com o tempo, pode evoluir para o próprio burnout.

Sinais de alerta no dia a dia

  • Identificar o problema antes do colapso é essencial. Entre os principais sinais de burnout estão:
  • Cansaço persistente mesmo após descanso
  • Distanciamento emocional e visão negativa do trabalho
  • Dores físicas frequentes, como gastrite, tensão muscular e cefaleia
  • Queda de produtividade e dificuldade em tarefas simples
  • Falhas de memória e dificuldade de concentração
  • Falta de satisfação mesmo após conquistas

Já o burnon pode ser percebido por comportamentos como dificuldade de “desligar” do trabalho, perfeccionismo excessivo, sensação constante de insuficiência e priorização contínua das demandas profissionais em detrimento da vida pessoal.

Estratégias e quando buscar ajuda

Segundo a especialista, práticas simples podem ajudar a reduzir os efeitos do estresse no organismo, como exercícios físicos regulares e técnicas de respiração. No entanto, em quadros mais avançados, o acompanhamento profissional é indispensável.

“Sinais como exaustão que não melhora, insônia persistente ou o uso de substâncias para ‘desligar’ indicam a necessidade de apoio especializado. Reconhecer que o trabalho não pode ser o único eixo da vida é o primeiro passo para uma produtividade sustentável e para a preservação da saúde mental”, conclui Livia.

O avanço dos casos e a ampliação do debate indicam uma mudança de perspectiva: mais do que produtividade, a saúde física e mental passa a ocupar espaço central na discussão sobre trabalho e qualidade de vida.

Compartilhe

Tags