Chá para emagrecer funciona? Especialista explica mitos e verdades
Infusões podem auxiliar na rotina saudável, mas não substituem alimentação equilibrada e exercício físico. Entenda os limites e benefícios reais.
Clique aqui e escute a matéria
Basta uma busca rápida nas redes sociais para encontrar promessas de “chá seca-barriga” ou fórmulas naturais que prometem acelerar o metabolismo em poucos dias.
Com a crescente procura por alternativas naturais para perda de peso, as infusões voltaram ao centro do debate. Mas afinal, chá emagrece mesmo?
Especialistas alertam que é preciso separar evidência científica de discurso publicitário. O farmacêutico homeopata Jamar Tejada afirma que o consumo pode, sim, ter papel complementar, desde que inserido em um contexto maior de hábitos saudáveis.
“Chá não é milagre. Ele pode ser um aliado dentro de um plano estruturado, mas não substitui alimentação equilibrada, sono adequado e atividade física”, afirma.
Chá ajuda a perder peso?
Algumas plantas possuem compostos bioativos com potencial efeito termogênico. O chá verde, por exemplo, contém catequinas e cafeína, substâncias associadas a um leve aumento do gasto energético. Estudos indicam que o efeito existe, mas é discreto.
“O efeito é modesto. Sozinho, dificilmente promove perda de gordura significativa. Muitas vezes o que a pessoa percebe é redução de inchaço, não de gordura corporal”, explica Tejada, proprietário da ANJO DA GUARDA Farmácia de manipulação e homeopatia.
Ou seja: incluir infusões na rotina pode contribuir, mas não substitui mudanças alimentares e prática de exercícios.
Desinchar não é o mesmo que emagrecer
Chás com ação diurética aumentam a eliminação de líquidos, reduzindo temporariamente o peso na balança. No entanto, essa diminuição não representa perda de tecido adiposo.
“Perda de líquido é diferente de perda de tecido adiposo. Confundir esses dois processos cria expectativas irreais e pode levar a frustrações”, alerta o farmacêutico.
A distinção é fundamental para evitar a ilusão de resultados rápidos, um dos principais motores do marketing de produtos para emagrecimento.
Termogênicos naturais funcionam?
Bebidas com cafeína, como chá verde e chá-mate, podem estimular o metabolismo por curto período. No entanto, o organismo tende a se adaptar ao estímulo.
O uso excessivo pode provocar efeitos adversos como taquicardia, ansiedade, insônia e aumento da pressão arterial. “Natural não significa isento de risco”, reforça Tejada.
Por isso, a orientação profissional é recomendada antes de consumir misturas prontas ou fórmulas concentradas com finalidade terapêutica.
LEIA TAMBÉM: Mormaço exige atenção à saúde durante o período chuvoso
O papel dos chás na fome emocional
Um aspecto menos discutido envolve estresse e compulsão alimentar. Isso porque o aumento do cortisol, hormônio ligado ao estresse crônico, pode favorecer o acúmulo de gordura abdominal.
Chás como camomila, melissa e erva-cidreira não queimam gordura diretamente, mas ajudam no relaxamento e na qualidade do sono.
“Quando a pessoa dorme melhor e reduz o estresse, ela regula melhor hormônios como leptina e grelina, que controlam fome e saciedade”, afirma.
Nesse contexto, a bebida atua como apoio comportamental, não como solução isolada.
Emagrecimento sustentável exige mais do que chá
A conclusão é clara: infusões podem integrar uma rotina saudável, mas não substituem mudanças estruturais no estilo de vida.
Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade e manejo do estresse continuam sendo pilares centrais.
“Chá pode ajudar. Mas emagrecimento sustentável exige olhar metabólico, emocional e comportamental. A promessa rápida raramente é a solução duradoura”, conclui o especialista.