O mito do suor no verão: por que transpirar não garante emagrecimento
Nutricionista explica por que esse mito persiste e como pensar de forma mais saudável sobre exercício, alimentação e objetivos corporais
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Quando chega o verão e a temperatura sobe, aumenta também o número de posts e conversas sobre treino intenso, suor e emagrecimento. Em academias e redes sociais, ver alguém ensopado de suor virou símbolo de esforço "bem-feito" e de queima de gordura.
Mas essa relação entre suor e emagrecimento é, na visão de especialistas, um dos maiores mitos relacionados à saúde e ao comportamento físico, podendo até causar expectativas equivocadas sobre resultados reais.
A nutricionista Raphaella Cardoso, da Cia Athletica Recife, explica que o que muita gente percebe na balança após uma sessão de treino quente não é redução de gordura, mas perda de água e eletrólitos pelo suor. Essa perda líquida pode fazer o ponteiro descer momentaneamente, mas assim que o corpo é reidratado, o peso volta ao normal.
"O suor é um mecanismo natural do corpo para regular a temperatura. Ele libera água e sais minerais, não gordura corporal", conta Raphaella. "A perda de gordura acontece quando o corpo utiliza suas reservas energéticas e isso depende de fatores como alimentação, duração e intensidade dos exercícios e, principalmente, um déficit calórico consistente ao longo do tempo".
Por que essa confusão ainda existe?
A nutricionista aponta que a cultura do esforço visível, com treinamentos em ambientes quentes, roupas que "forçam" a transpiração e o glamour de fotos ensopadas de suor, reforça a ideia de que suor é sinônimo de eficácia. A realidade fisiológica, no entanto, é outra: suar demais está ligado à termorregulação e não à queima de gordura.
Além disso, fatores como genética, temperatura ambiente, condicionamento físico e hidratação influenciam o quanto cada pessoa transpira, o que não é indicativo direto da eficácia do treino.
Perda de líquido x perda de gordura
A perda de líquido através do suor pode chegar a níveis relevantes em situações de clima quente ou treino forte, mas isso não altera a composição de gordura corporal. O que permite perder gordura de forma sustentável é criar um déficit calórico. Ou seja: gastar mais energia do que se consome, por meio de uma combinação de alimentação equilibrada, atividade física regular e descanso adequado.
Raphaella destaca, por exemplo, que a ingestão correta de nutrientes e a manutenção de hábitos saudáveis são fatores-chave para se atingir metas de peso com segurança. Isso inclui não apenas o gasto calórico do exercício, mas também a qualidade e quantidade de alimentos, além da hidratação e do sono.
O que realmente importa para emagrecer?
Em vez de focar na quantidade de suor eliminada durante o treino, ela orienta que a atenção esteja voltada para fatores mais consistentes e seguros, como a regularidade na prática de exercícios, a adequação da duração e da intensidade das atividades, o equilíbrio entre alimentação e gasto energético, além da hidratação ao longo do dia e da reposição de eletrólitos quando necessário.
"O acompanhamento do progresso também deve ser feito ao longo de semanas e meses, e não com base em uma única sessão de treino, já que mudanças reais na composição corporal acontecem de forma gradual", enfatiza a especialista.
Raphaella conclui alertando ainda que a busca por resultados rápidos por meio de estratégias como treinar em ambientes excessivamente quentes ou usar roupas pesadas para "suar mais" pode trazer riscos à saúde. "Isso aumenta as chances de desidratação e desequilíbrio eletrolítico, com sintomas como tontura, fraqueza e cãibras", finaliza a profissional.