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Por que soltamos fogos no Ano Novo?

Entenda como o estrondo e as cores no céu deixaram de ser um método de proteção contra espíritos para se tornarem o maior espetáculo visual da virada

Por Alice Lins Publicado em 31/12/2025 às 19:44

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Quando o relógio marca meia-noite, o céu de todo o planeta se ilumina em uma explosão de cores e sons.

Mas, muito antes de ser um show para postar nos Stories, o ato de espalhar luz e barulho no horizonte era carregado de misticismo.

A tradição de soltar fogos no Ano Novo é um costume milenar que atravessou continentes, evoluindo de um ritual de afugentamento de energias negativas para a celebração máxima da esperança e da alegria coletiva.

A origem: do bambu queimado à pólvora chinesa

A história nos leva diretamente para a China Antiga, por volta do século IX. Naquela época, acreditava-se que o barulho intenso era a única forma de espantar o "Nian", uma criatura mitológica que trazia má sorte e destruição nas passagens de ciclo.

Antes da invenção da pólvora, os chineses jogavam pedaços de bambu no fogo; o ar preso dentro das fibras aquecia até explodir, gerando um estalo alto que, teoricamente, manteria o mal bem longe.

Com a descoberta da pólvora, o ritual ganhou cores e alturas maiores. Os alquimistas perceberam que misturar minerais criava efeitos visuais deslumbrantes:

  • Estrôncio: gera o vermelho intenso.
  • Bário: cria os tons de verde.
  • Cobre: responsável pelo azul brilhante.
  • Sódio: produz o clássico dourado e amarelo.

Hoje, essa técnica química é o que garante que o seu Instagram fique repleto de fotos incríveis durante a contagem regressiva.

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Fogos de artifício no Ano Novo - iStock

O custo e a tecnologia dos grandes espetáculos

Organizar um show pirotécnico de grande porte é um investimento pesado que envolve tecnologia de ponta. Nas capitais brasileiras, um espetáculo de 10 a 15 minutos pode custar de R$ 500 mil a vários milhões de reais, dependendo da quantidade de balsas e da complexidade das cores.

Para quem faz a própria festa em menor escala, o mercado oferece baterias de fogos prontas para uso doméstico (sempre com foco na segurança) com preços que variam entre R$ 150 e R$ 600. No entanto, a tendência para 2026 é o crescimento dos fogos de baixo ruído ou "silenciosos".

Esses produtos priorizam o efeito visual em vez do estrondo, sendo mais amigáveis para animais de estimação, crianças autistas e idosos. Um kit desses pode ser encontrado por valores entre R$ 80 e R$ 200 em lojas especializadas.

O simbolismo da luz na virada

Além do aspecto histórico, soltar fogos é um ato psicológico de renovação. A luz que rasga a escuridão da meia-noite representa o despertar da consciência e a queima simbólica do que não serve mais. É um convite para olhar para o alto, renovar os votos de felicidade e vibrar em conjunto com milhares de outras pessoas.

Em 2026, muitas cidades também estão integrando shows de drones luminosos às tradicionais queimas de fogos. Essa mistura de tradição milenar com tecnologia futurista mostra que, não importa a ferramenta, o ser humano sempre sentirá a necessidade de iluminar o céu para celebrar a vida e o tempo que recomeça.

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