Qual é o primeiro país a celebrar o Ano Novo?
Conheça a ilha de Kiritimati e entenda como os fusos horários e as decisões políticas definem quem recebe o novo ciclo antes de todo o mundo
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Enquanto muitos brasileiros ainda estão preparando a ceia ou escolhendo a roupa branca na manhã do dia 31 de dezembro, em um ponto remoto do Oceano Pacífico, as taças já estão brindando à chegada de um novo ano.
Devido à rotação da Terra e à organização dos fusos horários, a celebração do Réveillon não acontece simultaneamente em todo o globo. O título de "primeiro lugar a entrar no ano novo" pertence à República de Kiribati, um arquipélago que desafia a geografia convencional para estar na vanguarda do tempo.
Kiribati e a ilha de Kiritimati na vanguarda do tempo
O primeiro local habitado a dar as boas-vindas ao novo ano é Kiritimati, também conhecida como Ilha Christmas, que faz parte da República de Kiribati.
Localizada no fuso horário UTC+14, a ilha está exatamente 17 horas à frente do horário de Brasília (ou 14 horas à frente do Tempo Universal Coordenado). Isso significa que, quando são 7h da manhã do dia 31 de dezembro no Brasil, os habitantes de Kiritimati já estão vivenciando a meia-noite do dia 1º de janeiro.
Embora seja uma celebração mais tranquila em comparação aos grandes shows pirotécnicos das metrópoles, o momento é carregado de significado cultural. Os moradores costumam se reunir em comunidades chamadas maneabas para danças tradicionais e banquetes que celebram não apenas o novo ano, mas a posição privilegiada de serem os "sentinelas do tempo" no planeta.
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Por que a Linha Internacional de Data faz curvas?
A razão para Kiribati ocupar essa posição de destaque é tanto geográfica quanto política. A Linha Internacional de Data é um traçado imaginário que separa um dia do calendário do próximo.
Originalmente, essa linha seguia o meridiano de 180°, o que dividia o território de Kiribati em dois dias diferentes. Para resolver problemas administrativos e comerciais, o governo decidiu, em 1995, "puxar" a linha para o leste.
Essa manobra criou um desvio proeminente no mapa, fazendo com que todo o país ficasse do mesmo lado da data. Como resultado, as ilhas orientais de Kiribati tornaram-se os pontos terrestres mais avançados no tempo. Além de facilitar a comunicação interna, essa mudança transformou o país em um destino turístico cobiçado por aqueles que desejam ser os primeiros humanos a presenciar o primeiro amanhecer de cada ano.
Samoa e a mudança estratégica de 2011
Até pouco tempo atrás, Kiribati dividia as atenções com Samoa, mas por motivos opostos. Durante muitos anos, Samoa foi um dos últimos lugares a celebrar o Ano Novo. No entanto, em 2011, o país tomou uma decisão drástica: "saltou" o dia 30 de dezembro para se alinhar aos fusos horários de seus principais parceiros comerciais, a Austrália e a Nova Zelândia.
Com essa mudança, Samoa atravessou a Linha Internacional de Data e passou a ser um dos primeiros países a inaugurar o calendário anual, juntamente com Tonga e Kiribati. Curiosamente, essa alteração criou uma situação inusitada: é possível celebrar a virada em Samoa e, depois de um voo curto de menos de uma hora, chegar à Samoa Americana - que permanece do outro lado da linha - para comemorar o Ano Novo novamente, 24 horas depois.
Após a largada em Kiribati e Samoa, a onda de celebrações segue para a Nova Zelândia e Austrália, onde cidades como Auckland e Sydney realizam alguns dos espetáculos de fogos de artifício mais famosos do mundo. O ciclo só se encerra mais de um dia depois, em ilhas remotas como Baker e Howland, encerrando a jornada global de renovação e esperança que começa nas águas cristalinas do Pacífico Central.