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Como evitar o burnout de dezembro, segundo neurocientista

Especialista explica como o estresse do fim de ano afeta o cérebro e ensina um ritual aromático de três minutos para desacelerar antes do colapso

Por Bianca Tavares Publicado em 08/12/2025 às 11:41

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Dezembro costuma ser celebrado como um mês de encontros, festas e encerramentos, mas por trás desse clima existe uma pressão silenciosa que afeta muita gente.

A soma de prazos acumulados, expectativas emocionais, cobrança por produtividade e fechamento de ciclos cria um ambiente mental propício para o famoso burnout de fim de ano. Não é apenas cansaço. Segundo a aromaterapeuta e neurocientista Daiana Petry, o esgotamento é também uma resposta biológica a semanas de hiperalerta.

“Quando o cérebro permanece semanas em modo de alerta, a amígdala, região responsável por detectar ameaças, fica hiperativada. Isso aumenta a liberação de cortisol, dificulta o sono, desregula o humor e reduz nossa capacidade de concentração. É o terreno ideal para o burnout de dezembro”, explica.

Aromas e estresse

Daiana lembra que o olfato tem ligação direta com o sistema límbico, área que regula emoções e memória, o que permite que certos aromas abaixem o estado de alerta em poucos segundos.

Óleos essenciais como lavanda, bergamota, vetiver e laranja doce ajudam a modular a atividade da amígdala e reduzem o tônus do sistema nervoso simpático, responsável pela resposta de luta ou fuga. “É como se o aroma funcionasse como um comando de desaceleração, ensinando o corpo a sair da hiperexcitação e voltar para um estado de presença e descanso”, afirma.

Além da resposta emocional, alguns óleos atuam diretamente em receptores GABA, neurotransmissores ligados à sensação de calma profunda. Esse processo ajuda a interromper o ciclo de estresse que, quando se torna contínuo, abre caminho para o colapso físico e mental típico do burnout.

Ritual aromático de 3 minutos para encerrar o dia

Daiana sugere um exercício simples baseado em neurociência olfativa para ajudar o cérebro a desligar no fim da jornada.

Escolha o aroma certo

Lavanda para calma imediata, bergamota para reduzir ansiedade e irritabilidade, sândalo para ancoragem emocional ou laranja doce para leveza. Uma gota nas mãos ou em um lenço já basta.

Respiração reguladora

Inspire por quatro segundos, segure por dois e solte por seis durante um minuto. A expiração prolongada reduz a atividade da amígdala e ativa o nervo vago, sinalizando segurança ao corpo.

Palavra âncora

Enquanto respira, repita mentalmente: “Eu encerro o dia. Eu encerro o ciclo.”

A combinação de aroma, respiração e repetição cria um padrão neurológico de desligamento. “O cérebro aprende por associação. Quando repetimos o mesmo aroma no mesmo horário, com a mesma intenção, criamos uma trilha neural que diz: agora é seguro descansar”, afirma.

Segundo a neurocientista, esse ritual diário pode reduzir ansiedade noturna, melhorar o sono e impedir o acúmulo de cortisol que costuma crescer ao longo de dezembro.

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