Roberta Sá celebra 20 anos e transforma show em álbum intimista
Em entrevista exclusiva ao Social1, cantora fala sobre liberdade criativa, bloco feminino e o audiovisual Tudo Que Cantei Sou, marco de sua trajetória
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Roberta Sá está vivendo um momento especial — e fez questão de compartilhar cada detalhe em entrevista exclusiva ao Blog Social1.
Celebrando 20 anos de carreira, a cantora lança Tudo Que Cantei Sou, um audiovisual intimista que também chega aos aplicativos de música como seu 12º álbum e funciona como um verdadeiro retrato da sua trajetória artística.
Para Roberta, o projeto nasce de um lugar muito claro: a liberdade. “Esse projeto representa para mim a liberdade de fazer o que se dá na telha, que tem vontade assim, porque na verdade ele não era para ser um disco, ele era para ser um show comemorativo”, contou ao Social1.
A decisão de transformar o espetáculo em registro audiovisual veio da reação do público. “Deu vontade de gravar porque as pessoas pediram muito. Ele realmente tava muito bonito e muito redondo”.
Gravado sem plateia, na Casa de Francisca, em São Paulo, o audiovisual exigiu uma entrega diferente da cantora. “Influenciou para caramba porque eu gravei num horário que eu já não estou mais acostumada a cantar”, revelou.
Sem o calor do público, Roberta precisou criar outra conexão: “Cada câmera é uma pessoa. Eu vou cantar para essas pessoas”. E completou: “Para mim tinha uma multidão, todo mundo que vai assistir em casa tava lá já comigo”.
O repertório funciona como um retrato afetivo da trajetória da artista e reúne canções que marcaram diferentes fases da carreira.
Entre elas, aparecem músicas do álbum Giro, feito em parceria com Gilberto Gil. Sobre esse período, Roberta destaca a importância de como essas canções seguem atuais e potentes dentro do novo projeto.
“É um disco que eu regravei canções importantes da minha história”, explicou. Para ela, Tudo Que Cantei Sou é tanto celebração quanto movimento. “Tem um repertório que comemora e celebra esses 20 anos de carreira, mas também tem um repertório que aponta pros próximos 20 anos”.
Escolha das faixas
Sobre o processo de escolha das 14 músicas que compõem o álbum, Roberta falou sobre a dor da tomada de decisão em deixar de fora algumas canções que adoraria ter gravado.
"Ficou muita coisa de fora, tipo Me Erra da Adriana Calcanhoto, não deu para entrar porque era o eu tinha acabado de gravar no samba Sá (...), dói muito, mas quando você vê o trabalho pronto, também você vê que fez sentido aquele corte”, contou.
Perguntada sobre os diálogos do projeto com o passado e o presente, a cantora falou da influência da escolha dos compositores:
"Eu acho que quando você vê, eu tenho canções, como Eu Sambo Mesmo, que é da década de 40, até músicas que foram compostas há poucos anos atrás com Dora e com Zé Ibarra. (...) A música quando ela encontra o lugar do discurso, do que é preciso ser dito, ela pode durar e ser renovada e ser recantada. Eu acho que essa que é a ponte do passado pro futuro. A ponte é o que aquelas palavras querem dizer, como você interpreta aquelas palavras", contou.
Vozes femininas no projeto
Um dos momentos mais especiais do projeto é o bloco dedicado às compositoras, reunindo vozes femininas de diferentes gerações, como Teresa Cristina, Rosa Passos, Dora Morelenbaum e Marina Íris.
Para Roberta, essa escolha reflete um processo pessoal. “Essas vozes femininas têm sido importantíssimas na minha reconstrução assim de pessoa, na minha construção”.
Ela destaca a força dessas narrativas: "Eu acho que desde o movimento Me Too, que começou nos Estados Unidos e veio pro Brasil, acho que deu um despertar na gente, nas mulheres, do que a gente não aceita mais, do que que a gente não quer mais viver. E eu acho que ter essas experiências contadas por vozes femininas, sejam histórias de amor, sejam histórias de superação, sejam histórias, a história que a gente quiser contar na nossa voz, isso para mim me parece muito importante agora, sabe? (...) É o olhar de superação que a Marina Iris traz no Virada, o lugar de liberdade que a Rosa Passos traz no Juras, que é muita liberdade. Então, cada lugar é de vivência feminina, e trazer essas vozes para junto de mim, me fortalece como mulher e como intérprete".
Amadurecimento artístico ao longo dos 20 anos
Ao falar sobre amadurecimento, a cantora reconhece o quanto mudou ao longo dos anos. “Eu acho que eu sou uma pessoa muito mais fácil de lidar, principalmente para mim mesma. Eu acho que eu me perdoo muito mais”.
"Eu era muito exigente num lugar quase doentio. Eu continuo sendo uma pessoa muito exigente porque eu acho que o público merece que eu seja exigente para que eles tenham um resultado cada vez melhor de mim", contou.
Mesmo mantendo a exigência artística, ela valoriza o afeto no processo de construção com a equipe: "Eu trabalho hoje em dia com pessoas muito exigentes, mas que são de uma leveza infinita. O Alan Monteiro e o Gabriel de Aquino são muito exigentes. tanto quanto eu. Então, a gente conversa muito bem, porque a gente é muito exigente, mas a gente é também muito generoso um com o outro", frisou.
Homenagens e simbolismo
Entre as homenagens do álbum, Rosa Passos ocupa um lugar especial. “A Rosinha é aquela cantora que com a voz e com o violão ela faz tudo”, disse Roberta.
Para ela, a trajetória da artista é prova de que é possível construir uma carreira sólida e coerente. “É muito bonito ver que isso é possível, eu com 20 anos de carreira, é muito lindo ver que esse caminho é possível”.
Lançado no dia 12/12, Tudo Que Cantei Sou carrega um simbolismo que surpreendeu até a própria cantora.
"Eu acho que tem uma coisa curiosa que esse disco nasceu, ele foi lançado no dia 12/12. E aí um fã meu falou: 'Roberta, você percebeu que é o 12º disco no dia 12/12?'. Eu falei: "Gente, tem um portal aí". Aí eu fui ler sobre o que que era o dia do número 12 e significa fechamento de ciclo para para início de outro".
Se tivesse que definir o projeto em uma palavra, Roberta não hesita: “Encontro”. E é exatamente isso que ela deseja para quem assiste. “Um abraço desse encontro, sabe? Um abraço, um carinho”.
Shows e novos projetos em 2026
Com shows marcados para janeiro de 2026, Roberta Sá segue celebrando o presente e olhando para o futuro, sem pressa, mas com vontade. “Nenhum ciclo se fecha sem começar outro”.
"O meu maior desejo de 2026 é conseguir espaço para produzir um novo trabalho, de inédita e de estúdio, mas também trabalhar o Tudo Que Cantei Sou, e também continuar com Samba que é um show super festivo e eu adoro festa, então também não quero ficar fora da festa", revelou.
Lançado em 12 de dezembro de 2025, com distribuição digital pela Deck, o audiovisual Tudo Que Cantei Sou foi gravado na Casa de Francisca, em São Paulo. A direção artística é assinada por Roberta Sá e Pedro Seiler, com direção de vídeo de Guta Tolhuizen e produção musical de Alaan Monteiro.
No palco, Roberta é acompanhada por Alaan Monteiro (bandolim e direção musical) e Gabriel de Aquino (violão). A produção conta ainda com direção de produção de Fernanda David, iluminação de Olívia Munhoz e figurino de Marina Franco.
O projeto reúne uma equipe técnica robusta nas áreas de vídeo, áudio, design e comunicação, com destaque para a mixagem de Tuta Macedo e masterização de Fábio Roberto, realizadas no Estúdio Tambor, no Rio de Janeiro.
FAIXAS
1. ÁGUA DOCE (Roque Ferreira)
2. EU SAMBO MESMO (Janet de Almeida)
3. CASA PRÉ-FABRICADA (Marcelo Camelo)
4. PAVILHÃO DE ESPELHOS (Lula Queiroga)
5. NÃO POSSO ESCONDER O QUE O AMOR ME FAZ (Cezar Mendes/ Capinam)
6. VIRADA (Manu da Cuíca/ Marina Íris)
7. LAVOURA (Pedro Amorim/Teresa Cristina)
8. JURAS (citação: Saudade Louca) (Fernando de Oliveira / Rosa Passos)
9. ESSA CONFUSÃO (Dora Morelenbaum / Zé Ibarra)
10. MAREJADA (Roque Ferreira)
11. COCADA (Roque Ferreira)
12. O LENÇO E O LENÇOL (Gilberto Gil)
13. FOGO DE PALHA (Gilberto Gil / Roberta Sá)
14. OLHO DE BOI (Rodrigo Maranhão)