1 em cada 4 conversas sobre fragrâncias envolve memórias e emoções, revela pesquisa
Estudo analisa milhões de menções e mostra como o olfato se conecta diretamente a vínculos afetivos e lembranças da infância no Brasil
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O olfato e a memória caminham lado a lado no cotidiano dos brasileiros. É o que aponta um estudo de social listening realizado pelo Boticário, que mapeou mais de 4,4 milhões de menções a perfumes, fragrâncias e aromas no Brasil. Desse total, cerca de 1,13 milhão de publicações — o equivalente a uma em cada quatro conversas — também trazem referências diretas a emoções, lembranças ou experiências pessoais.
Para compreender melhor esse comportamento, a marca analisou um recorte qualificado de mais de 217 mil postagens. Os dados indicam que sentimentos como amor, conforto e saudade concentram 84,5% das referências emocionais identificadas nas redes.
A força da nostalgia e dos vínculos afetivos
A memória ocupa um papel central na forma como o público se relaciona com os cheiros. O levantamento identificou quase 26 mil publicações com menções explícitas a nostalgia, infância ou à sensação de ser transportado para outro momento da vida.
Entre os territórios mapeados nas conversas, 36,5% remetem a fases e lugares marcantes, enquanto 29% dizem respeito à família e à infância. Quando alguém é citado nominalmente nessas lembranças olfativas, as figuras maternas lideram as menções, aparecendo em 33% dos relatos que envolvem pessoas, seguidas por amigos, filhos, parceiros e avós.
Processo criativo inspirado no comportamento
A partir desse mapeamento comportamental e de uma pesquisa de dez meses que envolveu a escuta de mais de 6 mil consumidores, a marca desenvolveu o projeto chamado Box do Sentir. O trabalho reuniu perfumistas de grandes casas internacionais, sob a regência de César Veiga, perfumista do Grupo Boticário, para traduzir cinco emoções em caminhos olfativos.
“O perfumista é, antes de tudo, um observador. A gente observa comportamento, cultura, memórias e aquilo que as pessoas sentem, muitas vezes antes mesmo de conseguirem colocar em palavras. No Box do Sentir, o desafio foi partir de cinco emoções conectadas ao nosso repertório brasileiro e, junto a esses grandes perfumistas globais, transformá-las em caminhos olfativos surpreendentes. Pesquisa, ciência e tecnologia nos ajudam a ampliar as possibilidades, mas é o repertório humano que dá intenção e significado à criação. E o mais interessante é que não existe uma fórmula pronta para uma emoção: nós propomos uma interpretação e cada pessoa completa essa história a partir das próprias memórias”, afirma César Veiga, perfumista do Grupo Boticário.
Para materializar os conceitos, o projeto contou com a participação de Yann Vasnier, que interpretou o otimismo com notas frescas; Natasha Côté-Mouzannar, que traduziu a euforia por meio de acordes frutais; Leslie Gauthier, responsável por associar a garra a madeiras e notas salinas; Veronique Nyberg, que construiu o amor com baunilha e âmbar; e Honorine Blanc, que deu forma à saudade utilizando notas lactônicas e lavanda.