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Olivier Cresp, criador de Angel e Light Blue, revela as próximas obsessões da perfumaria

Em entrevista exclusiva em Paris, o mestre perfumista francês discute o poder das memórias afetivas, a explosão dos perfumes gourmands e mais

Por Bianca Tavares Publicado em 25/05/2026 às 8:50

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Um dos nomes mais influentes da perfumaria contemporânea, Olivier Cresp concedeu uma entrevista exclusiva à especialista em perfumaria de nicho Poliana Palhano, da Fragrance de L’Opéra, durante um encontro realizado em Paris.

Reconhecido mundialmente por criações que marcaram a indústria de fragrâncias, o perfumista assina sucessos como Angel, da Mugler, considerado um divisor de águas da perfumaria gourmand moderna, além de Light Blue, da Dolce & Gabbana.

Durante a conversa, Cresp falou sobre memória olfativa, luxo sensorial, perfumaria de nicho e as principais transformações que devem impactar o mercado internacional nos próximos anos.

Perfume ainda não consegue reproduzir completamente certos cheiros

Mesmo após décadas trabalhando com cerca de 1.500 matérias-primas diferentes, o francês afirmou que a perfumaria ainda encontra limitações para traduzir determinados cheiros da natureza.

“Eu adoraria encontrar uma molécula que reproduzisse o cheiro da areia quente. Sabe quando você está na praia, no verão, e existe aquele cheiro mineral aquecido pelo sol? Ainda não conseguimos recriar isso perfeitamente na perfumaria”, afirmou.

A declaração evidencia um dos grandes desafios da indústria atual: transformar experiências sensoriais extremamente subjetivas em fórmulas capazes de despertar emoções universais.

Hoje, Cresp direciona sua faceta mais experimental para a Akro, marca fundada em parceria com sua filha, Anaïs Cresp. A proposta da casa é explorar perfumes inspirados em vícios, prazeres cotidianos e experiências sensoriais intensas.

Segundo o perfumista, a perfumaria de nicho permite uma liberdade criativa que dificilmente existe no mercado comercial tradicional.

“Na perfumaria tradicional, muitas vezes somos limitados pelo custo. Já na perfumaria de nicho, posso trabalhar com matérias-primas excepcionais e construções mais sofisticadas. O consumidor percebe essa qualidade”, explicou.

A fala reforça um movimento crescente dentro do setor de luxo: consumidores passaram a buscar exclusividade, assinatura olfativa e experiências mais emocionais do que apenas fragrâncias massificadas.

Fragrâncias gourmand continuam crescendo

Considerado um dos pioneiros do movimento gourmand após o lançamento de Angel, em 1992, Olivier acredita que a categoria ainda está longe de atingir seu limite criativo.

“Os gourmands continuam extremamente fortes. Hoje conseguimos criar perfumes inspirados em café, pão quente, madeleines, arroz, coquetéis… ainda existem muitas histórias para contar através do cheiro”, afirmou.

Para o perfumista, o sucesso desse tipo de fragrância acontece porque ela estabelece conexões imediatas com memórias pessoais e afetivas.

“Quando você sente cheiro de café em um perfume, por exemplo, ele imediatamente te leva para uma memória pessoal. Minhas criações sempre foram muito sensoriais. Elas fazem as pessoas viajarem nas próprias lembranças.”

Ao analisar o futuro do setor, Cresp apontou que o mercado de luxo deve se dividir entre duas grandes vertentes: fragrâncias “fresh & clean”, focadas em conforto, sensação de limpeza e bem-estar, e perfumes gourmand cada vez mais sofisticados.

Segundo ele, a influência da perfumaria árabe e do oud também continuará crescendo globalmente.

“Os perfumes frescos e limpos serão muito importantes nos próximos anos. Mas o gourmand continua sendo uma tendência global. Hoje, de cada dez perfumes lançados no mercado internacional, sete ou oito possuem algum aspecto gourmand”, explicou.

O avanço dessas tendências acompanha mudanças de comportamento do consumidor contemporâneo, que passou a enxergar o perfume como extensão emocional da identidade pessoal.

Consumidor atual busca conexão emocional

Para Poliana Palhano, o encontro com Olivier Cresp simboliza uma transformação importante no universo da beleza e do luxo: o perfume deixou de ser apenas um acessório ligado à vaidade.

“O Olivier é um dos grandes responsáveis por transformar o perfume em memória afetiva. Conversar com ele é entender como a perfumaria contemporânea está cada vez mais conectada ao sensorial, ao conforto e às emoções”, concluiu.

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