K-beauty: como adaptar a rotina de skincare coreana ao clima brasileiro?
Menos camadas, mais observação: a proposta é aproveitar a disciplina da K-beauty e ajustar os cuidados às necessidades da pele que vive no calor.
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A K-beauty, abreviação de “Korean beauty”, ajudou a popularizar no mundo a ideia de uma rotina de skincare baseada em disciplina e constância.
Com isso, rituais com várias etapas passaram a fazer parte do imaginário de quem acompanha tendências de beleza. Mas será que reproduzir todas elas faz sentido em um país de clima tropical como o Brasil?
Para a cosmetóloga Roseli Siqueira, que atua há mais de 50 anos na área, a resposta passa pela adaptação. A proposta é aproveitar o hábito de cuidar da pele diariamente, mas sem transformar uma sequência extensa de produtos em regra.
Temperatura, umidade, exposição ao ambiente, idade, sono e características individuais podem interferir na forma como a pele responde aos cuidados.
A ideia, portanto, é buscar luminosidade a partir de uma pele hidratada e com suas defesas naturais preservadas e não necessariamente pelo acúmulo de cosméticos.
Como adaptar a rotina de K-beauty ao clima brasileiro?
Um dos pontos defendidos por Roseli é evitar a reprodução automática de tendências. Para a cosmetóloga, o uso frequente de fórmulas voltadas à renovação celular, especialmente quando combinado a muitas etapas, pode contribuir para a sensibilização da pele.
“A disciplina que as coreanas trouxeram foi muito positiva, porque ajudou a criar uma relação mais constante com os cuidados diários”, disse a profissional.
“Mas não precisamos reproduzir integralmente um ritual desenvolvido para outro clima e outro modo de vida. A pele brasileira precisa estar viva, energética, resistente e preparada para receber a luz e ganhar cor”, explica.
Nesse raciocínio, observar como a pele está em determinado momento se torna mais importante do que seguir uma lista fixa. A quantidade de produtos também pode ser reduzida quando fórmulas diferentes cumprem funções semelhantes.
O que usar de manhã e à noite no skincare?
Na rotina apresentada pela especialista, o cuidado matinal começa com a preservação da camada lipídica da pele. A orientação proposta é evitar uma higienização excessiva e, pela manhã, lavar o rosto apenas com água.
Em seguida, entram a Água Vital e a Máscara Sapajjos, da marca Roseli Siqueira, que deve permanecer por 15 minutos antes de ser retirada. Depois, a rotina segue com hidratação escolhida conforme as necessidades individuais.
À noite, a sugestão é fazer a limpeza e, posteriormente, aplicar produtos hidratantes e outros cuidados compatíveis com o estado da pele naquele momento. A massagem facial durante a aplicação também aparece como parte desse ritual mais atento.
A recomendação não significa que uma rotina extensa seja necessariamente inadequada para todas as pessoas. A principal questão é evitar acrescentar produtos apenas porque uma tendência se popularizou.
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Luminosidade não precisa vir do excesso de produtos
Para Roseli, o chamado “glow” está mais relacionado à aparência de uma pele hidratada e preservada do que ao brilho produzido pela sobreposição de cosméticos.
“Glow não é o brilho deixado pelo acúmulo de produtos. É a luminosidade de uma pele com energia, hidratação e proteção natural preservada. Podemos aproveitar a disciplina da K-beauty, mas precisamos traduzi-la para uma pele que vive em um país quente, toma sol e não precisa permanecer pálida para parecer bem cuidada”, afirma.
A proposta de uma K-beauty tropical, assim, não abandona a principal lição dos rituais coreanos: a constância. A diferença está em adaptar a quantidade e a escolha dos produtos à realidade de cada pele, evitando transformar tendências em obrigações.