Fazer amizades na academia pode ser o segredo para não abandonar os treinos
Pesquisa mostra que apoio social e sensação de pertencimento têm mais impacto na frequência aos exercícios do que a força de vontade isolada
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A busca por um corpo ideal e por melhores resultados físicos ainda domina boa parte das conversas nas redes sociais.
No entanto, uma pesquisa recente mostra que os exercícios cumprem um papel muito maior na vida das pessoas, envolvendo saúde emocional, vínculos sociais e sensação de pertencimento.
O levantamento, compartilhado pelo portal VEJA Saúde e encomendado pela BEON Studios, responsável por marcas como Velocity, AERA Pilates e Race Bootcamp, ouviu mil brasileiros entre abril e maio de 2026. Os dados apontam que os ambientes de treino estão se consolidando como espaços de convivência, acolhimento e construção de relações.
“Durante muito tempo, a continuidade em hábitos de bem-estar foi associada principalmente à disciplina individual. No entanto, os dados indicam que fatores relacionados ao contexto social têm influência relevante nesse processo“, afirma Carol Corona, CEO da BEON Studios.
Saúde mental lidera as motivações
O principal objetivo dos brasileiros segue sendo o bem-estar emocional. De acordo com a pesquisa, sete em cada dez entrevistados recorreram às atividades físicas para aliviar tensões emocionais.
A maioria das metas relatadas para os próximos 12 meses são relacionadas com à saúde mental, incluindo redução da ansiedade, controle do estresse e melhora da qualidade do sono lideram as propriedades.
Aumento da energia e disposição aparece em segundo lugar, sendo citado por 20% dos participantes. Já a busca pelo emagrecimento apareceu na quarta colocação: apenas 13% dos entrevistados escolheram essa opção.
Mais vontade, menos obstáculos
No entanto, transformar esse hábito em rotina é um verdadeiro desafio. Apesar de 94% revelarem que desejam ter um estilo de vida fitness, seis em cada dez admitem que não conseguem dedicar a si mesmos o cuidado que gostariam.
48% afirma que imprevistos são responsáveis por boa parte do tempo perdido na frequência dos treinos, com 36% tendo interrompido a prática por motivos pessoais.
É aí que entram as amizades. Os dados sugerem que a permanência nos treinos depende menos de força de vontade isolada e mais das conexões estabelecidas ao longo do caminho.
"Ver que 57% das pessoas já foram treinar porque alguém do grupo esperava por elas mostra que a consistência não é construída apenas individualmente", interpreta Carol para a VEJA SAÚDE.
Quando o grupo vira incentivo
A influência das relações sociais vai além de apenas um incentivo para um dia de desânimo. O estudo aponta que 69% do impacto exercido por outras pessoas está relacionado à motivação e à manutenção da rotina.
Além disso, 25,6% dos entrevistados afirmaram já ter comparecido a uma aula porque sentiam que sua presença era importante para os colegas.
Na prática, é uma rede de apoio, com os benefícios mais citados sendo: redução das faltas aos treinos, mencionada por 36%, o estímulo extra em momentos difíceis, citado por 33%, e até mesmo a melhora na execução dos exercícios, apontada por 24%.
Outro fator relevante é o reconhecimento: quando os professores conhecem os alunos pelo nome e acompanham sua evolução, a sensação de pertencimento cresce significativamente.
A pesquisa ainda revela que 72,2% dos participantes já perceberam que sua ausência foi notada em alguma aula. Por outro lado, 55,9% também disseram ter sentido falta de colegas que deixaram de comparecer.
O pertencimento faz diferença
Apenas 1% dos entrevistados afirmou que escolheu uma academia ou estúdio motivado pela vontade de integrar uma comunidade. A maior parte das matrículas continua sendo impulsionada por objetivos físicos, praticidade ou preocupações com a saúde.
No entanto, os laços criados depois da entrada acabam desempenhando papel decisivo na continuidade. Mais da metade dos participantes frequenta os treinos sempre nos mesmos horáriso, convivendo regularmente com as mesmas pessoas. Entre eles, a percepção de que aquele ambiente é "o meu lugar" é mais de três vezes maior do que entre aqueles que mudam constantemente seus horários.
Com isso, academias e estúdios passam a funcionar também como espaços de convivência, amizade e suporte emocional.
“Outro dado muito relevante foi que 82% dos entrevistados afirmam se sentir emocionalmente melhor quando treinam em grupo. Isso reforça que o wellness hoje também atende uma necessidade de conexão humana”, completa Carol Corona.
Em um contexto em que a saúde mental ganha cada vez mais atenção e a solidão afeta uma parcela significativa da população, os benefícios dos exercícios parecem ir muito além da melhora física, alcançando também o bem-estar emocional e as relações sociais.