Modismo ou ciência? Dermatologista alerta para o perigo da rotina coreana de skincare na pele brasileira
O clima, a rotina e a pele das brasileiras se beneficiam muito mais de cosmecêuticos testados e recomendados por dermatologistas locais
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Basta abrir as redes sociais para ser inundado por vídeos de peles impecáveis, conhecidas como glass skin, conquistadas através da famosa rotina coreana de cuidados.
Prometendo milagres através de tônicos hidratantes e essências em múltiplos passos, o mercado asiático virou febre. Mas será que a pele da mulher brasileira realmente precisa de tantas camadas?
Conversamos com a Dra. Ana Luiza Gadelha, dermatologista do Hospital Jayme da Fonte, que trouxe um alerta importante sobre o modismo: o que funciona no clima e na genética da Coreia pode ser um gatilho para alergias e desperdício de dinheiro por aqui.
O mito do tônico hidratante e das "essências"
Historicamente, o público brasileiro associa o tônico àquela sensação de pele repuxando — reflexo de fórmulas antigas com alto teor de álcool para controlar a oleosidade. Hoje, a indústria tenta emplacar o "tônico hidratante", mas a especialista pondera a eficácia real dessa combinação.
"O tônico, por natureza, é uma solução voltada para o controle de poros em peles oleosas. Existem produtos que dão uma certa contração, mas o efeito é extremamente rápido e curto. Tônico hidratante, na realidade, não combina. O tônico adstringente resseca; ele não hidrata", explica a Dra. Ana Luiza.
Sobre as famosas "essências" e perfumes que inundam os produtos importados, o risco de irritação aumenta, especialmente no inverno, quando a barreira da pele já está sensibilizada pelo banho quente.
Cosmético vs. cosmecêutico: por que a Coreia usa baixas concentrações?
Uma das maiores revelações da especialista envolve a estratégia de mercado por trás dos produtos asiáticos. Para conseguir exportar em massa e evitar problemas jurídicos com dermatites de contato, a indústria coreana aposta em formulações muito suaves.
"A Coreia faz produtos com baixa concentração e sem uma comprovação científica tão apurada para o nosso biotipo. Eles utilizam concentrações mínimas com a intenção de passar a ideia de que 'quanto mais produto, melhor'. Na realidade, o mercado brasileiro trabalha com mais seriedade em cima de evidências científicas", afirma a médica.
Enquanto as marcas asiáticas focam no conceito de cosmético (que dá apenas uma sensação agradável de brilho e emoliência temporária), os produtos validados por dermatologistas no Brasil entram na categoria de cosmecêuticos — cosméticos com real ação terapêutica e concentrações de ativos que trazem resultados profundos, como o Ácido Hialurônico, Retinol e a Centelha Asiática.
Pele brasileira vs. pele coreana: climas diferentes, necessidades diferentes
A médica lembra que tentar copiar a rotina de outra cultura ignora fatores geográficos básicos.
"Nós temos características de pele que até se assemelham em alguns pontos, mas não temos o clima igual ao dos coreanos", alerta. O acúmulo de 10 a 14 produtos diários em um clima tropical como o brasileiro pode resultar em poros obstruídos, acne cosmética e dermatite.
Menos é mais: como hidratar o rosto do jeito certo?
Para quem quer proteger a pele no inverno sem errar a mão, a Dra. Ana Luiza dá as coordenadas de onde investir o seu dinheiro no balcão da farmácia:
- Esqueça os excessos vegetais/animais se tiver pele sensível: Substâncias como a lanolina (origem animal) são altamente alergênicas. Para a face, o ideal são hidratantes com base de ácido hialurônico ou de origem mineral testada (como o silicone e o petrolato seguros).
- Fuja dos aplicadores e escovinhas: A internet ama escovas elétricas ou de cerdas para espalhar produtos, mas a médica é categórica: "Só faz você desperdiçar produto e contaminar a pele, já que as escovas precisam ser lavadas e esterilizadas após cada aplicação".
- O clássico funciona: O melhor caminho continua sendo aplicar o hidratante direto com as mãos limpas na pele limpa e, acima de tudo, consultar o seu dermatologista.