Treinos com inteligência artificial crescem, mas especialistas alertam para riscos sem supervisão
Cia Athletica defende equilíbrio entre tecnologia e acompanhamento humano para evitar lesões
Clique aqui e escute a matéria
O avanço da inteligência artificial no universo fitness vem transformando a forma como muitas pessoas se relacionam com os treinos. Aplicativos e plataformas capazes de criar programas personalizados ganharam espaço pela praticidade e pelo acesso facilitado. Apesar disso, especialistas alertam que a tecnologia, sozinha, não substitui o acompanhamento profissional.
Para Cacá Ferreira, gerente técnico corporativo da Cia Athletica, o principal risco está na falsa sensação de personalização completa oferecida por sistemas automatizados.
“Quando a pessoa confia cegamente nesse modelo, ela pode deixar de perceber sinais do próprio corpo. Cada organismo responde de forma diferente às cargas de treino, e a ausência de ajustes constantes e de monitoramento pode levar a sobrecargas e lesões”, explica.
Segundo o especialista, a presença do profissional de Educação Física continua sendo indispensável para garantir segurança e eficiência nos exercícios. Entre os pontos centrais do acompanhamento estão o planejamento adequado do treino, a prescrição correta dos movimentos e a observação técnica durante a execução.
“A falta de um olhar técnico durante a execução, de uma orientação simples ou de uma progressão adequada pode, no médio e longo prazo, gerar lesões importantes. A seleção do exercício é relevante, mas a forma como ele é prescrito e executado é ainda mais determinante”, afirma.
Além da parte técnica, o acompanhamento humano também influencia diretamente a motivação e o bem-estar emocional, fatores considerados essenciais para manter constância na prática de atividades físicas.
Na visão da Cia Athletica, o futuro do setor passa justamente pela integração entre tecnologia e supervisão profissional. Cacá compara essa relação à dinâmica entre piloto e copiloto: enquanto a inteligência artificial analisa dados, identifica padrões e aponta riscos, cabe ao profissional interpretar essas informações e adaptá-las à realidade de cada aluno.
“Mesmo com bases de dados avançadas e protocolos científicos, ainda é indispensável o olhar humano para identificar falhas sutis de movimento e adaptar o treino à realidade de cada pessoa. A tecnologia potencializa, mas é o educador físico que garante segurança, didática e engajamento, especialmente em um país que ainda precisa desenvolver sua cultura de prática física”, conclui.
O crescimento das ferramentas digitais mostra uma mudança importante no setor fitness, mas reforça também que personalização vai além de algoritmos: envolve contexto, adaptação e acompanhamento contínuo.