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Beleza instantânea? O que o "efeito Ozempic" expõe sobre ansiedade e autoestima feminina

Busca por resultados rápidos cresce no Brasil e levanta debate sobre a relação entre corpo, emoção e expectativa

Por Bianca Tavares Publicado em 28/04/2026 às 7:48

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Em uma rotina guiada pela velocidade, esperar virou quase um desconforto. O que antes fazia parte de um processo (dieta, treino, construção de hábitos), hoje disputa espaço com soluções que prometem transformar o corpo em pouco tempo. É nesse cenário que medicamentos como Ozempic e Mounjaro ganham protagonismo e passam a simbolizar algo maior do que uma tendência estética.

Para a psicóloga Juliana Coria, o fenômeno revela uma mudança mais profunda na forma como lidamos com frustração e expectativa. “Hoje, não queremos só resultados. Queremos resultados imediatos. E isso diz muito sobre como estamos lidando com nossas inseguranças, frustrações e expectativas”, explica.

O novo padrão de beleza e a aceleração dos processos

A ideia de transformação deixou de estar associada ao tempo. Procedimentos, tratamentos e medicamentos encurtam etapas e entregam resultados mais rápidos, alterando também a percepção sobre o próprio corpo.

Mas existe um descompasso nesse ritmo. “Existe um risco de desconexão. A mulher alcança o resultado estético, mas emocionalmente ainda carrega as mesmas inseguranças. A transformação externa não substitui o processo interno”, afirma Juliana.

Ansiedade e comparação moldam novas escolhas

O contexto ajuda a explicar o comportamento. Dados da Organização Mundial da Saúde colocam o Brasil entre os países com maiores índices de ansiedade do mundo, enquanto levantamentos da IQVIA apontam o crescimento da demanda por medicamentos à base de GLP-1.

A equação parece simples, mas é enganosa: mudar rápido significaria se sentir melhor mais rápido. Na prática, o resultado nem sempre acompanha essa expectativa. “A pressa em mudar o corpo muitas vezes é uma tentativa de aliviar um desconforto emocional. Mas sem olhar para isso, o alívio pode ser temporário”, pontua a psicóloga.

Mesmo em um mercado que valoriza agilidade, há um movimento paralelo que resgata a importância do processo. Cuidar do corpo e da imagem passa por constância, percepção e, principalmente, autoconhecimento.

“A verdadeira autoestima não nasce de um resultado imediato. Ela é construída na forma como a mulher se relaciona consigo mesma ao longo do caminho”, diz Juliana.

Entre o resultado e o significado

A discussão não se limita ao uso de medicamentos ou às escolhas estéticas. Ela aponta para uma mudança de comportamento mais ampla, em que a pressa deixa de ser apenas uma característica do cotidiano e passa a influenciar decisões pessoais.

Nesse contexto, a pergunta que começa a surgir não é mais sobre como acelerar resultados, mas sobre o que está por trás dessa urgência. Em um cenário que valoriza performance e transformação constante, desacelerar pode parecer contraintuitivo, mas abre espaço para uma relação mais consciente com o próprio corpo e com a própria imagem.

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