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Pilates emagrece ou define? O que a ciência e especialistas dizem sobre a prática que virou tendência

Em um cenário em que o sedentarismo ainda é predominante, o crescimento do pilates anima; entenda tudo sobre a atividade física

Por Bianca Tavares Publicado em 16/04/2026 às 8:10

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O pilates deixou de ser uma atividade de nicho para se tornar uma das práticas físicas mais populares no Brasil. Nos últimos anos, o número de estúdios cresceu de forma acelerada, acompanhando o interesse de quem busca melhorar o corpo sem abrir mão do bem-estar mental.

De acordo com levantamento da empresa Metalife, o país já contava com cerca de 55 mil estúdios até 2023. A popularização também ganhou força com a adesão de celebridades como Hailey Bieber, Lindsay Lohan, Miley Cyrus e Meghan Markle. Até Ed Sheeran entrou na onda, com um vídeo praticando a modalidade que viralizou nas redes sociais.

Criado por Joseph Hubertus Pilates no início do século 20, o método combina movimentos controlados, respiração e fortalecimento do core, região que envolve músculos abdominais, lombares e pélvicos. O resultado é um treino completo, que trabalha o corpo de forma integrada e melhora a consciência corporal.

Na prática, o pilates pode variar de intensidade leve a moderada, dependendo da proposta do treino e do perfil de quem pratica. Ainda assim, alguns benefícios aparecem de forma consistente: melhora da flexibilidade, ganho de força, equilíbrio e postura. Esses fatores também contribuem para tonificação muscular e prevenção de dores e lesões.

Os impactos vão além do físico

Freepik
Imagem de uma mulher fazendo yoga - Freepik

Pesquisas indicam que a prática favorece o envelhecimento saudável, melhora o equilíbrio em idosos e reduz o risco de quedas. Há também evidências de ganhos cognitivos e sociais, já que as aulas exigem concentração e interação.

Outro ponto relevante envolve a saúde cardiovascular. Estudos conduzidos por instituições como a Universidade Federal de São Paulo mostram que o pilates pode ajudar na redução da pressão arterial, especialmente em pessoas sedentárias e hipertensas, diminuindo o risco de problemas como infarto e AVC.

“A modalidade ainda melhora a capacidade cardiorrespiratória. Sem contar que favorece a autoestima e a motivação, uma vez que envolve princípios que propõem a perfeita coordenação entre corpo, mente e espírito”, disse Inelia Garcia, diretora do The Pilates Studio Brasil, à VEJA SAÚDE.

Essa conexão entre corpo e mente faz com que o pilates seja frequentemente comparado a práticas como ioga e tai chi, sendo classificado como um exercício integrativo.

“Consciência corporal, flexibilidade, coordenação, equilíbrio, tonificação, tudo isso é trabalhado através de gestos que convergem com a respiração, a concentração, a precisão e a fluidez”, resumiu, para reportagem, Anny Oliveira, instrutora de Teresina, no Piauí.

Pilates ajuda a emagrecer?

Apesar da popularidade, o pilates não é a opção mais eficiente para quem tem como foco principal a perda de peso. Em média, uma aula de uma hora pode gastar cerca de 200 calorias, número inferior ao de atividades aeróbicas como corrida, que podem chegar ao dobro no mesmo período.

Isso não significa que a prática não contribua para o emagrecimento. Estudos realizados na Universidade de São Paulo apontam que o método pode melhorar a composição corporal, especialmente em pessoas com obesidade. Nesse contexto, ele funciona como porta de entrada para sair do sedentarismo ou como complemento a treinos mais intensos.

E o ganho de massa muscular?

O pilates também costuma gerar dúvidas quando o assunto é hipertrofia. Embora fortaleça e defina a musculatura, o método não tem como objetivo principal o aumento expressivo de massa muscular, como acontece na musculação.

Ainda assim, pode contribuir de forma indireta para esse ganho, principalmente quando combinado com exercícios de sobrecarga. O foco está mais na qualidade do movimento, na força funcional e na estabilidade do corpo.

Como funciona na prática

Os exercícios combinam movimentos de força e alongamento, muitas vezes de forma simultânea. Há também contrações isométricas, que exigem controle muscular e concentração.

Nos estúdios, o modelo mais comum envolve acompanhamento próximo, com poucos alunos por aula e orientação constante. Os equipamentos, criados pelo próprio método, utilizam molas para gerar resistência, substituindo pesos tradicionais.

Além disso, existe o pilates solo, que utiliza o peso do corpo e acessórios simples para execução dos exercícios.

Novas versões e tendências

Com a popularização, o pilates ganhou novas releituras. Entre elas, o Pilates Reformer, realizado em um equipamento com plataforma deslizante e molas, e versões mais intensas, como o power pilates, que incorpora exercícios aeróbicos.

Também surgiram modalidades como o aero pilates, feito em tecidos suspensos, e práticas na água, que reduzem o impacto e o risco de lesões.

Essa evolução ajudou a ampliar o público. O que antes era visto como atividade voltada para reabilitação ou pessoas mais velhas agora atrai diferentes perfis.

“Antes se achava que ele era um exercício de baixo impacto para pessoas de meia-idade ou idosas, alguém que queria se manter ativo mas tinha limitações ou foi encaminhado pelo médico”, conta Anny.

“Agora, com as redes sociais e o advento do pilates contemporâneo, vemos mulheres e homens de todas as idades buscando o método para definição muscular, equilíbrio, postura, estética e melhora da performance esportiva”, completa.

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