Pernambucano Marquinhos Navais retorna ao estado após viralizar com "Vagão da Sofrência" e conquistar milhões de seguidores
O artista volta ao Recife entre os dias 12 e 16 de setembro após transformar apresentações no metrô em um fenômeno nas redes sociais
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O cantor e compositor pernambucano Marquinhos Navais está de volta ao seu estado de origem após viver uma virada na carreira. Entre os dias 12 e 16 de setembro, o artista cumpre uma agenda de compromissos no Recife, cidade onde começou a construir sua relação profissional com a música. O retorno acontece depois de uma mudança para Salvador, em 2025, e de uma sequência de vídeos que fez o projeto “Vagão da Sofrência” alcançar 54,8 milhões de visualizações nas redes sociais.
A trajetória de Marquinhos com a música começou ainda na infância, quando cantava na igreja e participava de grupos infantis e de jovens, corais e de uma banda gospel formada por amigos. No entanto, foi durante a pandemia que a música passou a representar também uma possibilidade concreta de sustento para sua família.
Na época, o artista fazia apresentações nas ruas do Recife quando recebeu uma sugestão que mudaria sua trajetória. “Uma menina me viu cantando e disse: ‘Rapaz, no metrô tu vai conseguir ganhar um dinheirinho’”, lembra ele, em entrevista ao Social1.
Marquinhos decidiu aceitar a ideia e passou a se apresentar nos vagões do transporte público. O que inicialmente surgiu como uma alternativa diante das dificuldades financeiras se transformou em uma rotina de trabalho que durou cerca de cinco anos. Foi nesse período que ele passou a enxergar a música não apenas como uma paixão, mas como uma profissão.
Segundo o cantor, naquele momento sua família enfrentava dificuldades e a experiência no metrô mostrou que era possível viver do trabalho artístico. “Foi quando comecei a levar isso a sério e a acreditar que a música poderia proporcionar uma vida melhor.”
Do metrô de Recife para Salvador
Em 2025, Marquinhos deixou Pernambuco e se mudou para Salvador em busca de novas oportunidades profissionais. A escolha da Bahia esteve diretamente ligada ao arrocha, gênero que ocupa um espaço importante na cena musical local e que passou a fazer parte de sua trajetória.
Atualmente, o cantor integra a Núcleo 5, ao lado dos sócios Léo Ferreira, Bell Marques e Rafa Pipo. A mudança permitiu que ele acompanhasse mais de perto o mercado do gênero.
Na capital baiana, o artista retomou as apresentações no metrô. Morando próximo a uma estação, voltou aos vagões cerca de um ano e meio depois de ter deixado Pernambuco. A experiência, que já fazia parte de sua história, ganhou uma nova dimensão quando começou a ser registrada em vídeo.
Os registros deram origem a uma nova fase do “Vagão da Sofrência”. A proposta uniu as apresentações no transporte público ao repertório de arrocha e à interação com os passageiros. Em pouco tempo, os vídeos começaram a circular pelas redes sociais e alcançaram números que surpreenderam o próprio cantor.
O projeto já soma 54,8 milhões de visualizações. Em poucos dias, Marquinhos ganhou mais de 400 mil seguidores e ultrapassou a marca de 4,5 milhões nas redes sociais.
De artista de rua a fenômeno nas redes
A repercussão também levou o trabalho de Marquinhos a artistas que ele acompanhava à distância antes da fama. Nomes como Léo Santana, Léo Foguete e Kevi Jonny estiveram entre os que ajudaram a impulsionar o alcance dos vídeos.
“Fiquei muito surpreso. Muitos desses artistas eu só acompanhava pelas redes sociais ou pela televisão, como Luan Santana e Mano Batista, entre vários outros. Foi muito especial saber que o meu trabalho chegou até eles”, conta.
Relação com o arrocha
A consolidação do arrocha na carreira de Marquinhos aconteceu justamente em meio à expansão do “Vagão da Sofrência”. Para o cantor, o gênero é parte fundamental da transformação que viveu nos últimos anos.
“Sou muito grato ao arrocha, porque é um gênero que vem mudando a minha vida e a vida da minha família. Ele está me levando a lugares aos quais nunca imaginei chegar”, afirma.
A expectativa é que o ritmo continue ocupando espaço em sua carreira e ampliando seu alcance. Marquinhos também destaca o impacto que esse crescimento pode ter sobre sua família: “Tenho fé de que o arrocha ainda vai proporcionar muitas coisas boas não apenas para mim, minha esposa e meus filhos, mas também para minha mãe, meu pai e minha irmã.”
Identidade pernambucana
Apesar da mudança para a Bahia e da projeção nacional, Marquinhos mantém referências diretamente ligadas a Pernambuco. Uma delas está na própria maneira de falar.
Entre as expressões que o cantor levou para fora do estado está “cuida”, segundo ele, bastante usada no cotidiano recifense. “É uma forma de animação: ‘Avambora, cuida!’, ‘Se arrumou? Cuida!’, ‘Tá pronto? Cuida!’, ‘Vai aonde? Pra ali? Cuida!’”, explica.
Para ele, a identidade pernambucana também aparece no sotaque, na cultura e nas referências musicais: “Isso representa muito o nosso Pernambuco, assim como o sotaque, a cultura e a música pernambucana, com referências como Reginaldo Rossi e Solange Almeida.”
Retorno ao Recife
Marquinhos retorna a Pernambuco entre os dias 12 e 16 de setembro. “É uma alegria voltar ao meu estado para falar sobre minha agenda, meus projetos, minha música e esse sentimento que estamos levando, que é a sofrência”, diz.
Mais do que uma passagem profissional, o retorno também representa, para o cantor, uma oportunidade de revisitar o lugar onde sua trajetória começou e de compartilhar uma história que ganhou novos capítulos em Salvador: “Também é especial voltar dessa forma porque a minha história pode estimular outros pernambucanos a acreditarem nos próprios sonhos, principalmente quem vive da música. Estou muito feliz em voltar para Recife.”