Multimodal Nordeste reúne setor produtivo e apresenta panorama da logística em Pernambuco
Feira reúne representantes do setor público e privado para discutir investimento, infraestrutura e soluções que podem impulsionar logística no estado.
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A infraestrutura logística de Pernambuco esteve no centro das discussões durante a abertura da Multimodal Nordeste 2026, realizada na última terça-feira (4), no Recife Expo Center.
Além de reunir representantes do poder público, empresários e entidades do setor, o evento marcou a apresentação do Diagnóstico Competitivo da Infraestrutura Logística de Pernambuco 2026, documento que reúne indicadores sobre a situação atual do estado e aponta prioridades para ampliar sua competitividade.
Elaborado pelos organizadores da feira em parceria com a CEPLAN Consultoria Econômica e Planejamento, o estudo destaca o potencial logístico de Pernambuco, mas também chama atenção para gargalos que elevam custos, dificultam investimentos e afetam o desempenho das empresas.
O que mostra o diagnóstico da logística em Pernambuco?
Rodovias ainda são o principal desafio
O levantamento destaca que Pernambuco é a segunda maior economia do Nordeste, com PIB de R$ 270,5 bilhões, reúne mais de 52 mil empregos formais ligados ao setor logístico e abriga o Porto de Suape, quarto maior porto público do Brasil, responsável pela movimentação de 24,3 milhões de toneladas em 2025.
Apesar desse cenário, a infraestrutura rodoviária continua sendo o maior obstáculo. Nenhuma das rodovias avaliadas pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) foi classificada como "ótima".
- Além disso, 83,3% da malha é formada por pistas simples e 70,2% das curvas consideradas perigosas não possuem sinalização.
Quanto a infraestrutura precária custa para a economia?
Os impactos vão além da mobilidade. Segundo o estudo, as condições das rodovias aumentam em 29,9% o custo operacional do transporte em Pernambuco, provocam desperdício anual de 32,4 milhões de litros de diesel e contribuíram para um custo de R$ 794 milhões com acidentes rodoviários apenas em 2024.
O diagnóstico também estima que seriam necessários R$ 3,29 bilhões para recuperar a malha estadual, enquanto o investimento federal realizado no período foi de R$ 76 milhões.
Quais são as prioridades para melhorar a logística no estado?
Empresários apontam perdas e defendem investimentos
A pesquisa ouviu 60 empresários e executivos do setor. Entre eles, 72% afirmaram ter registrado perdas operacionais nos últimos 12 meses devido às condições da infraestrutura.
Outros 64% estimam que os problemas geram um sobrepreço mínimo de 5% nas operações, percentual que ultrapassa 20% para 28% dos entrevistados.
O congestionamento foi apontado como o principal gargalo logístico de Pernambuco. O estudo calcula que a deficiência da infraestrutura representa um custo de oportunidade anual de aproximadamente R$ 1,2 bilhão para a economia estadual.
Durante a apresentação do diagnóstico, os economistas Júlio Becher e Ademilson Saraiva, sócios da CEPLAN, defenderam quatro prioridades para aumentar a competitividade do estado:
- recuperar a malha rodoviária existente,
- destravar os acessos entre Recife e Suape,
- viabilizar o ramal pernambucano da Transnordestina
- e fortalecer a infraestrutura para atrair e reter investimentos produtivos.
Multimodal Nordeste amplia espaço para o debate
A abertura da feira também reuniu representantes dos portos de Suape e do Recife, da FIEPE, do Governo de Pernambuco e de outras instituições ligadas ao desenvolvimento econômico.
Durante a cerimônia, a diretoria da Multimodal Nordeste destacou o crescimento da feira, que, em apenas três edições, passou de meio pavilhão para ocupar toda a estrutura do Recife Expo Center.
Na ocasião, a vice-governadora Priscila Krause recebeu oficialmente o diagnóstico e afirmou que Pernambuco vive um novo ciclo de planejamento e investimentos em infraestrutura, destacando iniciativas como a recuperação de rodovias, o Arco Metropolitano, a duplicação da BR-232 e a retomada da Transnordestina como parte da estratégia para fortalecer a vocação logística do estado.