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Fenearte celebra reconhecimento da Renda Renascença e amplia espaço para um dos maiores patrimônios culturais de Pernambuco

Técnica artesanal ganha ainda mais visibilidade na 26ª edição da feira, que reúne rendeiras de diferentes regiões do Estado e fortalece a economia

Por Bianca Tavares Publicado em 15/07/2026 às 9:19

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A Renda Renascença vive um momento histórico em Pernambuco. Reconhecida nesta semana como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado, a técnica artesanal ganha ainda mais destaque na 26ª Fenearte, que segue até o dia 19 de julho, no Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda. Considerada a maior feira de artesanato da América Latina, a Fenearte reúne dezenas de estandes dedicados ao trabalho das rendeiras, valorizando uma tradição secular que atravessa gerações e representa uma importante fonte de renda para centenas de famílias.

Entre toalhas, peças de vestuário, acessórios e itens de decoração, o público encontra produções feitas manualmente por artesãos de diferentes municípios pernambucanos. Cada peça carrega técnicas transmitidas de geração em geração e reforça a identidade cultural de uma das expressões mais marcantes do artesanato do Estado.

Um dos destaques desta edição está na Alameda dos Mestres, que recebe pela primeira vez uma representante indígena do povo Xukuru de Ororubá. Aos 80 anos, a Mestra Francisca Xukuru apresenta um trabalho iniciado ainda na infância, quando aprendeu a fazer renda aos sete anos com uma tia que havia levado o conhecimento de Poção para a família.

"A renda renascença representa a minha vida. Meu emprego sempre foi a renascença", resume a artesã.

Foi por meio desse ofício que Francisca criou os oito filhos, todos envolvidos com a produção artesanal. Para ela, participar da Fenearte vai além da comercialização das peças e representa uma oportunidade de preservar um patrimônio cultural.

"A feira é muito importante porque mostra o nosso trabalho para gente de todo canto. Quem vem conhece a nossa história, aprende a dar valor à renda renascença e isso ajuda a manter viva essa tradição. É um patrimônio que a gente recebeu dos nossos antepassados e tem a responsabilidade de passar adiante", afirma.

O legado da artesã também está presente em outro espaço da feira. Sua filha, Alcione de Souza, de 48 anos, expõe seus trabalhos no estande do Programa do Artesanato de Pernambuco (PAPE). Moradoras da Aldeia Pé de Serra dos Nogueiras, em Pesqueira, mãe e filha mantêm viva uma tradição que faz parte da identidade do povo Xukuru de Ororubá.

Além das vendas presenciais, Francisca passou a comercializar suas peças pela internet, ampliando o alcance do trabalho artesanal.

"Está sendo ótimo estar aqui porque a gente recebe o povo assim que ele chega", conta.

Outra referência da Renda Renascença presente na Alameda dos Mestres é Dona Odete, artesã de Pesqueira que dedica cerca de oito décadas ao ofício. Ao seu lado está a sobrinha, Márcia Carneiro, de 70 anos, que também aprendeu a técnica dentro da família.

"Fui criada nisso. Aprendi com minhas tias", lembra Márcia.

Rafael Aroeira/Fenearte
Imagem da Mestra Francisca Xukuru e sua obra - Rafael Aroeira/Fenearte

Histórias como essas se repetem pelos corredores da Fenearte. Em dezenas de estandes, rendeiras apresentam trabalhos produzidos manualmente, preservando uma técnica que chegou ao Brasil durante o período colonial e encontrou no interior de Pernambuco um dos seus principais centros de desenvolvimento.

Para a diretora-presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Roberta Andrade, o reconhecimento da Renda Renascença fortalece o papel da Fenearte como espaço de valorização dos saberes tradicionais.

"Temos o compromisso de preservar e dar visibilidade aos ofícios que fazem parte da identidade cultural do nosso estado. A Renda Renascença é um dos maiores símbolos do nosso artesanato e esse reconhecimento fortalece ainda mais um trabalho construído por gerações de rendeiras. Na feira, elas encontram um espaço para comercializar suas peças, contar suas histórias e garantir que esse patrimônio continue vivo e sendo transmitido para o futuro", afirma.

Programação reúne oficinas, gastronomia, moda e cultura popular

Além dos mais de 700 espaços de comercialização, a Fenearte preparou uma programação especial para o fim de semana. O tema desta edição é "Seleiros de Pernambuco: Ofício que Transforma", homenageando artesãos que fazem do couro uma matéria-prima para preservar tradições e fortalecer a economia criativa.

As Oficinas Fenearte, realizadas no Mezanino, oferecem atividades como macramê, biojoias, bordado, gravura, esculturas em papel e confecção de utilitários. Já a Praça de Alimentação recebe apresentações de quadrilhas, maracatus, afoxés, grupos de coco, bacamarteiros e shows de artistas pernambucanos.

Na Cozinha Fenearte, chefs convidados apresentam aulas-show inspiradas nos sabores regionais, enquanto o espaço Moda Fenearte promove desfiles de marcas autorais que aproximam o artesanato da moda contemporânea.

A feira também realiza concursos voltados ao fortalecimento da economia criativa, contemplando estudantes de arquitetura, design e moda, além de premiar os melhores projetos de estandes.

A acessibilidade permanece como uma das prioridades do evento, com visitas guiadas e recursos voltados a pessoas com deficiência visual, pessoas neurodivergentes e pessoas surdas ou ensurdecidas.

Para facilitar a chegada do público, a organização disponibiliza traslados gratuitos saindo dos shoppings Recife, RioMar, Plaza, Tacaruna e Patteo até o Pernambuco Centro de Convenções, que nesta edição conta com um novo terminal de desembarque para oferecer mais conforto aos visitantes.

Ao reunir artesãos de diferentes regiões do Brasil, a Fenearte consolida seu papel como um dos principais eventos da economia criativa nacional, promovendo a preservação dos saberes tradicionais e ampliando as oportunidades de geração de renda para milhares de produtores artesanais.

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