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Museu de Arte Moderna de São Paulo anuncia nova identidade conceitual assinada pelo estúdio Porto Rocha

Concepção gráfica de uma das mais relevantes exposições bienais do país utiliza elementos digitais tridimensionais e texturas minerais

Por Bianca Tavares Publicado em 26/05/2026 às 9:55

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O Museu de Arte Moderna de São Paulo anunciou a identidade conceitual e visual que guiará a realização de sua próxima grande mostra coletiva nacional. Desenvolvido pelo estúdio de comunicação PORTO ROCHA, o projeto gráfico se apoia em uma reflexão profunda sobre os fluxos temporais para dialogar diretamente com as bases teóricas estabelecidas pela curadoria de Diane Lima.

A identidade visual foi estruturada a partir da representação de elementos minerais que simbolizam tanto processos históricos de longa duração quanto a fragilidade do momento presente, com título da exposição "Depois que tudo foi dito".

A escolha de simular digitalmente superfícies arenosas permitiu criar uma dinâmica visual que oscila entre a solidez e a volatilidade. Os responsáveis pela criação artística apontam que essa dualidade serve para questionar as divisões cronológicas tradicionais, abrindo margem para a representação de cenários instáveis.

O uso de tecnologia de modelagem em três dimensões proporcionou um jogo de contrastes entre os aspectos táteis da matéria e os recursos eletrônicos modernos, resultando em um arranjo visual que se recusa a permanecer estático.

“Um gesto sobre a superfície da areia pode desaparecer rapidamente com o vento ou com a água, e foi essa tensão entre permanência e impermanência que orientou o desenvolvimento do projeto”, conta Leo Porto, fundador e diretor criativo da PORTO ROCHA. “A partir dessa dualidade, a identidade propõe relações e temporalidades não lineares, abrindo espaço para um território de incerteza e fluidez, em sintonia com o tema da exposição.”

Felipe Rocha, também fundador e diretor criativo da agência, complementa: “Ao transpor a areia para o ambiente digital por meio de ferramentas 3D, a identidade estabelece um contraste entre o tátil e o tecnológico, criando um campo visual instável e em constante mutação. Trata-se de um sistema que, além de representar a exposição, se coloca como um campo em transformação, que não busca estabilidade, mas que se assume em fluxo, assim como o tempo que procura tornar visível.”

Transitando entre formatos orgânicos e desenhos geométricos mais simples, o arrnajo gráfico tomou como base a fonte Quadrant Text Mono, letras que combinam o passado e o atual, reforçando a ideia de sobreposição de épocas.

O direcionamento conceitual do evento, batizado de Depois que tudo foi dito, tem como base intelectual o pensamento da filósofa e teórica contemporânea Denise Ferreira da Silva.

A autora propõe uma reflexão crítica sobre a capacidade da arte de alcançar dimensões que ultrapassam os discursos tradicionais sobre as violências históricas, raciais e coloniais. “Seria possível lançar mão de uma sensibilidade que presuma e antecipe o que está além de tudo o que foi dito e feito sobre a violência colonial e racial, e o trabalho que elas realizam para o capital global?”

Dentro desse pensamento, as manifestações artísticas atuam como espaços de embate e de negação de leituras imediatas ou superficiais. A partir desse ponto de contato com as teorias da filósofa, a organização curatorial reuniu produções que desafiam categorizações fixas e delimitações geográficas tradicionais. O conjunto de obras selecionadas busca aproximar criadores de origens e linguagens variadas, destacando poéticas que operam de maneira fluida e maleável.

A intenção é dar visibilidade a movimentos de contestação estética que rompem com modelos tradicionais de representação e oferecem novas abordagens críticas para a produção artística do país.

Instituído no final da década de 1960, o Panorama da Arte Brasileira consolidou-se como um mecanismo de vital importância para o mapeamento da diversidade cultural e das discussões sociais de cada período.

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