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"O forró une as pessoas": Petrúcio Amorim celebra legado e força da cultura nordestina

Autor de clássicos do São João, cantor relembra carreira, histórias por trás dos sucessos e celebra a força da cultura nordestina

Por Catêrine Costa Publicado em 12/06/2026 às 17:32

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Autor de clássicos que atravessam gerações e embalam festas juninas em todo o Nordeste, o cantor e compositor Petrúcio Amorim segue celebrando a força da cultura popular nordestina após quatro décadas dedicadas ao forró. Em entrevista ao Social1, o artista relembrou o início da trajetória, falou sobre o sucesso de composições marcantes e destacou a importância de manter viva a tradição junina.

Natural de Caruaru, cidade conhecida nacionalmente como a “Capital do Forró”, Petrúcio contou que nem sempre imaginou seguir carreira como cantor. O sonho inicial era outro: queria ser engenheiro e chegou a integrar a Aeronáutica durante seis anos. Mas, segundo ele, a música acabou falando mais alto.

“Eu sonhava somente em ser compositor. Não sonhava em ser cantor, intérprete. Mas as pessoas começaram a dizer que eu precisava cantar minhas músicas”, relembrou.

Atualmente, aos 67 anos, o artista soma mais de 200 canções gravadas e mais de 15 trabalhos lançados entre LPs, CDs e DVDs. Entre os sucessos que ganharam o Brasil estão músicas como “Tareco e Mariola”, “Filho do Dono”, “Anjo Querubim” e tantas outras que se tornaram presença obrigatória no período junino.

Durante a conversa, Petrúcio destacou a relação afetiva que mantém com o São João e com o povo nordestino. Para ele, o forró representa muito mais do que entretenimento.

“É um prazer subir no palco, cantar para multidões e manter viva a tradição do nosso povo. O forró une as pessoas, abraça a cultura e representa o Nordeste inteiro”, afirmou.

Histórias por trás dos sucessos

Entre os momentos mais marcantes da entrevista, Petrúcio relembrou como nasceu “Tareco e Mariola”, um dos maiores clássicos de sua carreira. Segundo o cantor, a música surgiu após enfrentar dificuldades para conseguir espaço para cantar no São João de sua própria cidade.

Na época, já morando no Recife, ele organizou uma banda e decidiu procurar a Fundação de Cultura de Caruaru em busca de uma oportunidade para se apresentar durante os festejos juninos. Após ouvir diversos “nãos”, conseguiu uma chance através da ajuda de amigos, mas voltou para casa refletindo sobre as dificuldades enfrentadas.

Foi nesse momento que lembranças da infância no bairro do Vassoural começaram a surgir: o marceneiro da rua, as brincadeiras, o mato, os sabores simples da época e, principalmente, o tradicional “tareco e mariola”.

“Aquele não serviu de combustível. A vida não é feita só de sim. E daquela lembrança nasceu a música”, contou.

Outra canção lembrada pelo artista foi “Filho do Dono”, composta a partir de frases escutadas durante viagens pelo interior de Pernambuco em períodos eleitorais. Uma delas, escrita na traseira de um caminhão, acabou inspirando o refrão que se tornaria conhecido nacionalmente.

Créditos: Jonas Aquino
Petrúcio Amorim - Créditos: Jonas Aquino

Relação com a nova geração

Ao falar sobre o atual cenário do forró, Petrúcio Amorim fez questão de elogiar artistas da nova geração, como João Gomes, Zé Vaqueiro e Tarcísio do Acordeon.

Para o compositor, a renovação é fundamental para manter o gênero vivo.

“Sempre achei que a juventude dita os novos caminhos da música. Acho maravilhoso quando aparecem jovens gravando forró, usando sanfona, zabumba e triângulo”, disse.

Ele também comemorou o fato de suas músicas continuarem sendo regravadas por artistas mais novos. Segundo Petrúcio, só neste ano, João Gomes já gravou três composições suas.

 
 
 
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Reconhecimento nacional

Além do carinho do público, Petrúcio revelou que deve receber em breve um reconhecimento importante ao lado de Santanna, que lançou recentemente o projeto “Santanna, O Cantador canta Petrúcio Amorim”, reunindo interpretações de músicas compostas pelo pernambucano.

Segundo o artista, o trabalho já é considerado um sucesso e pode render uma premiação nacional ligada ao Prêmio da Música Brasileira, criado em 1987 pelo produtor Zé Maurício Machline e considerado uma das mais importantes premiações da música nacional.

“É um reconhecimento fenomenal. Tenho certeza de que esse trabalho terá um êxito muito grande”, afirmou.

Agenda intensa aos 67 anos

Mesmo após 40 anos de carreira, Petrúcio diz viver uma das fases mais intensas da vida artística. Segundo ele, o período junino segue com agendas cada vez mais lotadas.

“Quando comecei, a gente fazia 10 ou 15 shows no São João. Hoje chegamos a fazer mais de 26 apresentações. Isso é uma alegria muito grande”, contou.

Ao final da entrevista, o cantor deixou uma mensagem de valorização da cultura nordestina e da tradição junina.

“Vamos manter acesa a chama da fogueira, da quadrilha, da canjica, do forró e da união. O São João é um presente da nossa cultura e precisa continuar vivo nas próximas gerações.”

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