Como harmonizar vinho com pratos e sobremesas no Natal?
Dezembro é o mês das mesas fartas e dos reencontros. Para elevar a experiência gastronômica das festividades, a escolha do vinho certo é fundamental para equilibrar a complexidade da culinária natalina brasileira
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A ceia de Natal no Brasil é um mosaico de influências. Do bacalhau herdado dos portugueses às aves ricas em frutas tropicais, o desafio de harmonizar reside na diversidade.
Segundo Thamirys Schneider, sommelière da Wine, o segredo não está apenas na proteína principal, mas no modo de preparo.
“Na harmonização, além de entender o elemento principal, é de suma importância saber o tipo de preparo e as especiarias utilizadas. Se é uma versão mais leve, intensa ou condimentada, esses detalhes guiarão a escolha do rótulo ideal”, explica a especialista.
Bacalhau e Peixes Intensos
O bacalhau, clássico das ceias, exige vinhos com estrutura para suportar sua fibrosidade e o sal característico. Se o prato for rico em azeite, batatas ou natas, a untuosidade pede brancos encorpados.
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Dica de Rótulo: O português Casa Burmester Reserva D.O.C. Douro Branco, com estágio em carvalho, traz o volume necessário para pratos assados e untuosos.
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A Opção Tinta: Para quem não abre mão do tinto, a saída são uvas de taninos delicados e alta acidez, como a Pinot Noir ou Barbera. O chileno T.H. [Terroir Hunter] Pinot Noir é ideal: servido a 14°C, oferece frescor e acidez vibrante que cortam a gordura do peixe sem mascarar o sabor.
Carnes Assadas e Molhos Encorpados
Carnes que passam por longas marinadas e horas de forno exigem vinhos à altura: tintos de grande estrutura, taninos firmes e boa concentração.
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Uvas Recomendadas: Cabernet Sauvignon, Malbec, Syrah e a elegante Sangiovese.
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Destaque: O italiano Carpineto Riserva D.O.C.G. Chianti Classico é uma escolha de prestígio. Com 24 meses de amadurecimento, ele entrega elegância e um paladar aveludado que complementa perfeitamente a intensidade dos assados.
Aves Natalinas e o Tender
Peru, chester e o popular tender (presunto suíno) possuem carnes mais magras, mas que ganham peso com recheios e acompanhamentos agridoces. Aqui, a versatilidade é a palavra-chave.
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Aposta Certa: Vinhos brancos encorpados, tintos leves ou Rosés. O italiano Tenuta Sant’Antonio Scaia Rosato é uma opção refrescante, com notas florais que conversam bem com a leveza das aves.
Acompanhamentos
Farofa, salpicão e arroz com passas criam uma explosão de texturas na mesa. Para não errar na mistura de tantos sabores, o Espumante Rosé Brut é a escolha definitiva.
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Por que funciona? Por ser elaborado com uvas tintas, possui uma estrutura tânica delicada que encara até carnes vermelhas, enquanto o frescor e a borbulha limpam o paladar entre uma garfada e outra. O brasileiro Maraví Rosé Brut é uma indicação vibrante e cremosa para este momento.
Harmonizando sobremesas
A regra de ouro para o encerramento da noite é simples: o vinho deve ser tão doce quanto (ou mais doce que) a sobremesa. Açúcar pede açúcar para evitar que o vinho pareça amargo ou excessivamente ácido.
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Sobremesas de Chocolate: Pedem vinhos fortificados, como o clássico Vinho do Porto.
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Sobremesas Cítricas e Frutadas: Pavês, mousses e rabanadas harmonizam com brancos e espumantes adocicados.
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Sugestão: O Fontanafredda D.O.C.G. Moscato D’Asti é leve, aromático (notas de mel e lichia) e possui a acidez perfeita para equilibrar a doçura do prato, finalizando a ceia com delicadeza.