Giro Metropolitano: Pernambuco inicia 2026 com oito feminicídios e especialista alerta para falhas na rede de proteção às mulheres
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O ano de 2026 mal começou e Pernambuco já enfrenta uma realidade alarmante no que tange à segurança das mulheres. Apenas no mês de janeiro, foram registrados oito feminicídios consumados e onze tentativas no estado. O tema foi debatido na edição deste sábado do programa Giro Metropolitano, apresentado por Natalia Ribeiro, que recebeu a advogada especialista em direito das mulheres e professora universitária, Dra. Fabiana Leite.
O cenário atual sucede um ano de recordes negativos. Segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), 2025 encerrou com pelo menos 88 feminicídios, o maior número desde 2020. Para a especialista, esses números não podem ser vistos apenas como estatísticas, mas como o desfecho trágico de uma longa trajetória de violências — psicológicas, morais e patrimoniais — que muitas vezes já haviam sido denunciadas.
Ouça o programa na íntegra:
O Perfil da Violência e o Machismo Estrutural
A análise dos dados revela um padrão conhecido: o lar é o local mais perigoso para as mulheres. Em 2025, dos 29 casos analisados pela especialista, 15 ocorreram dentro da própria residência da vítima e 86% foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros.
Segundo Dra. Fabiana, a raiz do problema está no machismo estrutural, que sustenta a ideia de posse do homem sobre a mulher. "Se o homem compreende e foi educado desde o início que mulher é igual a ele, que mulher é dona da sua própria vida (...) quando ela disser não, não quer mais, ele vai respeitar", explicou.
Falhas na rede de proteção: falta de delegacias e abrigos
A entrevista destacou a incapacidade do Estado em agir de forma preventiva e integrada. Um dos pontos mais críticos levantados no Giro Metropolitano é a insuficiência de equipamentos públicos. Embora a Lei Maria da Penha seja considerada a terceira melhor do mundo pela ONU, a estrutura física deixa a desejar:
• Delegacias Fechadas: Pernambuco possui 15 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), mas apenas sete funcionam 24 horas (Recife, Olinda, Paulista, Jaboatão, Cabo, Caruaru e Petrolina). Cidades importantes e polos regionais como Vitória de Santo Antão, Garanhuns e Palmares não contam com atendimento ininterrupto.
• Falta de Abrigos: As Casas Abrigo, essenciais para salvar a vida de mulheres em risco extremo, estão presentes em apenas 12 dos 185 municípios pernambucanos (incluindo Fernando de Noronha). Isso significa que mais de 90% das cidades do estado não contam com esse equipamento.
Dependência econômica e ciclo da violência
Outro fator crucial abordado no programa foi a dependência financeira. Muitas mulheres permanecem em relações abusivas por não terem para onde ir ou como sustentar os filhos. "Sem independência financeira e sem rede de apoio eficiente, muitas mulheres vão permanecer expostas à violência por não enxergarem alternativas reais de sobrevivência", pontuou Dra. Fabiana.
Onde buscar ajuda
O programa reforçou que a denúncia pode salvar vidas e não precisa partir apenas da vítima; vizinhos e familiares têm papel fundamental. Confira os canais de denúncia e apoio em Pernambuco:
• Emergência (Risco Imediato): 190 (Polícia Militar).
• Denúncias e Informações: 180 (Central de Atendimento à Mulher).
• Secretaria da Mulher de PE: 0800 281 8187.
• Boletim de Ocorrência Online: www.policiacivil.pe.gov.br.
• Aplicativo TJPE+: Para solicitar medidas protetivas de urgência.
*Texto produzido por auxílio de IA com supervisão de uma fonte autoral da Rádio Jornal