"O que vai fazer diferença nessa reta final é mobilização", avalia diretor da Quaest sobre as eleições para governador de Pernambuco
Guilherme Russo analisou o empate entre Campos e Lyra e apontou redução dos indecisos e participação eleitoral como pontos de atenção
Clique aqui e escute a matéria
A pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (29) mostra João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) empatados numericamente, com 42% das intenções de voto cada, na disputa pelo Governo de Pernambuco. O levantamento foi realizado entre 25 e 28 de setembro e tem margem de erro de três pontos percentuais.
Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o cientista político e diretor de Inteligência da Quaest, Guilherme Russo, explicou os movimentos registrados na pesquisa. Segundo ele, o avanço de João não ocorreu por uma queda de Raquel, que oscilou de 41% para 42%, mas principalmente pela redução do número de eleitores indecisos.
Redução dos indecisos explica avanço de João
A mudança no cenário, segundo Russo, não ocorreu por uma queda na intenção de voto de Raquel Lyra, mas pela redução do número de eleitores indecisos. Parte desse eleitorado migrou para João Campos, o que levou os dois candidatos ao empate numérico na pesquisa.
“A gente tenta estimular que o eleitor fale que está indeciso, se ele estiver indeciso, mas o que a gente viu foi uma pequena queda de indecisos que foi para o João”, afirmou Russo.
O diretor da Quaest também apontou uma mudança entre os eleitores lulistas. Na avaliação apresentada ao Passando a Limpo, a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Pernambuco contribuiu para que parte desse eleitorado associasse o apoio do presidente a João Campos e deixasse a condição de indeciso.
A pesquisa ouviu 1.302 eleitores com 16 anos ou mais em Pernambuco. O levantamento foi contratado pela Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Aprovação de Raquel não se transforma integralmente em voto
Outro ponto analisado por Russo foi a diferença entre a aprovação do governo Raquel Lyra e a intenção de voto na governadora. Segundo a pesquisa, 59% aprovam a gestão estadual, enquanto 42% declaram intenção de votar nela.
Para o diretor da Quaest, parte desse eleitorado que avalia positivamente a administração estadual pode escolher João quando a disputa eleitoral é colocada diante do eleitor. Ele atribui o movimento, entre outros fatores, a questões ideológicas e à associação do candidato com Lula.
“Quando a gente traz o João Campos para a disputa, ela [Raquel Lyra] perde parte desse apoio na hora de decidir o voto. E é por questões históricas, ideológicas, que parte desse eleitorado vai para o João, mesmo aprovando a governadora. Vai para o João especialmente, a cidade do Recife, até mais do que a Metropolitana, e os eleitores também mais de esquerda passam a associar mais João Campos”, afirmou.
Mobilização ganha peso na reta final
Com a proximidade do primeiro turno, Russo destacou a mobilização dos eleitores como um dos pontos de atenção. Segundo ele, João apresenta desempenho mais forte na Região Metropolitana, enquanto Raquel tem maior força no Agreste e em outras áreas do interior.
“O que vai fazer diferença nessa reta final é mobilização”, afirmou o diretor da Quaest. Ele também apontou diferenças na participação eleitoral entre capital e interior e destacou o desafio de transformar a intenção de voto em comparecimento às urnas.
A Quaest deve divulgar no sábado (3) uma nova pesquisa, com estimativa de votos válidos e análise do chamado eleitor provável, buscando identificar quais grupos apresentam maior ou menor probabilidade de comparecer às urnas. Russo ressaltou que os cálculos ainda serão necessários para avaliar como esse eleitorado estará distribuído.
A pesquisa atual, portanto, registra empate numérico entre os dois candidatos, enquanto a análise do diretor da Quaest destaca a redução dos indecisos e a mobilização eleitoral como elementos relevantes para a leitura dos últimos dias da campanha.