Disputa pelo governo de Pernambuco segue acirrada e eleição para o Senado pode ser decidida na reta final, avalia diretor da Quaest
Passando a Limpo comenta o empate técnico entre Raquel Lyra e João Campos e os quatro candidatos competitivos na corrida por duas vagas ao Senado
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A mais recente pesquisa Quaest divulgada revela que a disputa pelo governo de Pernambuco continua acirrada e que a corrida por duas vagas ao Senado permanece aberta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também perdeu pontos entre os eleitores do estado.
Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, analisou o resultado da pesquisa durante entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, na manhã desta quarta-feira (9). Para ele, o levantamento mostra mudanças importantes em relação aos cenários anteriores, mas ainda não aponta uma definição para nenhuma das principais disputas. A tendência é de uma eleição competitiva até a votação.
Limite da margem de erro
A pesquisa da Quaest mostrou que Raquel Lyra (PSD) não conseguiu abrir a vantagem que vinha sendo cogitada após um período de crescimento nas intenções de voto. A disputa com João Campos (PSB) permanece tecnicamente empatada. "A eleição segue competitiva, com um empate no limite da margem de erro. Ainda tem mais um mês de, digamos, bastante emoção", pontua Russo.
Ele também identificou uma movimentação do eleitorado de esquerda em direção a João Campos. A mudança, ainda que pequena, aparece associada à aliança do candidato com Lula. O diretor avalia que o principal desafio de João Campos agora é avançar sobre o eleitorado de centro. Raquel, por sua vez, mantém a vantagem numérica conquistada nos últimos meses, mas sem conseguir se distanciar do adversário.
A tendência, na avaliação do pesquisador, é de manutenção do equilíbrio. Os dois candidatos têm baixa rejeição e potencial de voto elevado, o que dificulta que um deles consiga se descolar.
Cinco candidatos competitivos para o Senado
A disputa pelo Senado apresenta uma dinâmica ainda mais aberta. Com dois votos para o cargo e eleitores que, segundo Russo, costumam decidir mais próximo da votação, os números atuais podem sofrer alterações na reta final. "O que acontece é o eleitorado muda muito rápido de opinião. O eleitor olha e fala, 'quem é o candidato do Lula?' ou 'Quem é o candidato da Raquel?', e essa aproximação acontece nos últimos dias da campanha".
No cenário atual, Marília Arraes (PDT) aparece à frente, seguida por Humberto Costa (PT). Eduardo da Fonte (PP) e Mendonça Filho (PL) também estão competitivos, enquanto Túlio Gadelha (PSD) é citado como quinto candidato. Para Russo, a configuração torna difícil prever quais nomes conseguirão ocupar as duas vagas.
A possibilidade de um candidato ao governo conseguir impulsionar diretamente um nome para o Senado também é limitada, na avaliação dele. A proximidade entre Raquel Lyra e João Campos reduz o espaço para que qualquer um dos dois concentre sua campanha na eleição para o Senado.
Por isso, Russo considera que o eleitor pernambucano deve definir os votos de maneira mais individual, levando em conta questões nacionais, ideológicas e preferências pessoais. "E não acredito nesse voto conjunto como acontece em outros estados. Não acho que vai ser o caso de Pernambuco".
Lula perde pontos
Na disputa presidencial, Lula continua com vantagem em Pernambuco, mas a pesquisa da Quaest registrou queda na intenção de voto. Durante a entrevista ao Passando a Limpo, o diretor explica que movimento não é exclusivo do estado e acompanha uma redução observada em outras regiões do país.
Na avaliação do pesquisador, o início da campanha reduz parte da força institucional do presidente, que passa a ser percebido mais diretamente como candidato. Ao mesmo tempo, notícias negativas recentes contribuíram para um cenário menos favorável.
Acerca dos eleitores que não são tão próximos ao presidente, Russo enxerga que estão "ficando um pouco mais desanimados. Essa é a sensação, é mais emocional do que racional". Mesmo com a redução, a avaliação é de que Lula mantém uma vantagem expressiva em Pernambuco. O que mudou, segundo o diretor da Quest, é o grau de mobilização em torno do presidente. "Ou seja, o Lula vai ter vantagem em Pernambuco, mas a animação está menor do que foi em eleições anteriores".