"A população já está se acostumando com essa violência", diz especialista sobre segurança pública
Pesquisa aponta que 33% dos entrevistados citam a violência como principal preocupação; Armando Nascimento analisou o impacto do tema nas eleições
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A violência aparece como a principal preocupação dos brasileiros na pesquisa Quaest, citada durante entrevista do consultor e especialista em Segurança Pública, Armando Nascimento, ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.
A pesquisa, divulgada nesta sexta-feira (14), aponta a violência como a principal preocupação dos eleitores, citada por 33% dos entrevistados. Na sequência aparecem economia, com 15%, saúde e corrupção, ambas com 14%, e problemas sociais, com 7%. O levantamento ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais e está registrada no TSE sob o código BR-06773/2026.
Para Armando, o resultado deve fazer com que a segurança pública ganhe espaço no discurso dos candidatos. O especialista, porém, avalia que a população encontra dificuldades para diferenciar propostas concretas de promessas eleitorais e que elas serão fundamentais.
“A população já está se acostumando com essa violência, ou seja, já está fazendo parte do dia a dia dela. Ela não consegue realmente avaliar se aquele candidato realmente tem um projeto que vai responder àquele sentimento de insegurança, aquela percepção de insegurança que ela tem”, afirmou.
Municípios precisam assumir papel na segurança
Ao discutir formas de reduzir o poder das organizações criminosas, Nascimento defendeu uma maior participação dos municípios na política de segurança pública. Segundo ele, é nas cidades e nos bairros que os crimes acontecem e, por isso, os municípios precisam assumir a responsabilidade prevista no sistema nacional.
“O crime acontece no município, ele não acontece no estado de Pernambuco nem no Brasil, ele acontece no bairro, o bairro está dentro do município. Então, o município tem que fazer a parte”, afirmou.
O pesquisador também defendeu a implementação efetiva do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), instituído em 2018. Na avaliação dele, apesar de o país já possuir uma estrutura prevista em lei, grande parte dela permanece no papel.
Integração é apontada como caminho contra facções
Para Armando, a atuação isolada em determinados municípios pode apenas deslocar a criminalidade para localidades próximas. Por isso, ele defende uma estratégia integrada entre municípios, estados e União.
“Eu preciso montar um sistema que realmente integre a nível municipal, um município com o outro, a nível estadual, a nível regional e a nível de Brasil”, afirmou.
Segundo o especialista, a integração permitiria direcionar esforços para as regiões que concentram os maiores índices de violência, em vez de distribuir as ações de maneira uniforme pelo território.