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Eleição de Pernambuco é uma das mais disputadas nas redes do país, diz especialista

Manoel Fernandes aponta vantagem de João Campos e recuperação da presença digital de Raquel Lyra, mas vê Lula como possível fator de desequilíbrio

Por Pedro Beija Publicado em 06/08/2026 às 14:00

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Encerrada a fase das convenções partidárias e oficializadas as chapas que disputarão o Governo de Pernambuco nas eleições de outubro, a campanha entra em uma nova etapa também no ambiente digital. Para o diretor executivo da Bites, empresa especializada em análise de dados e monitoramento de redes sociais, Manoel Fernandes, a corrida entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) está entre as mais competitivas do país nas plataformas digitais.

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quinta-feira (6), Fernandes afirmou que Pernambuco reúne características que diferenciam a disputa das demais eleições estaduais acompanhadas pela empresa.

"Essa eleição de Pernambuco foi uma das eleições mais interessantes do país em relação ao uso de redes sociais na campanha. A gente está acompanhando as eleições nas 27 unidades da federação e não está encontrando algo tão forte entre dois candidatos", afirmou.

Segundo o especialista, João Campos continua colhendo os efeitos da estratégia digital construída durante sua gestão à frente da Prefeitura do Recife, considerada por ele uma referência para outras lideranças políticas do país. Ao mesmo tempo, avalia que Raquel Lyra conseguiu reduzir a diferença nos últimos meses ao adotar uma comunicação semelhante nas redes.

"O João Campos continua sendo o que ele construiu do ponto de vista digital, mas a governadora conseguiu uma recuperação nos últimos tempos muito importante", disse.

Apesar do crescimento da presença digital da governadora, Fernandes avalia que a disputa permanece sem favorito definido.

"É uma eleição completamente em aberto. Obviamente ela tem alguma vantagem nas pesquisas, mas é uma eleição muito aberta, porque tem um agente externo que pode desbalancear tudo isso, que é o presidente Lula. A força do presidente Lula em Pernambuco pode desbalancear toda essa questão", afirmou.

Buscas revelam dúvidas do eleitor

Além do desempenho nas redes sociais, a Bites monitora tendências de pesquisas feitas por eleitores na internet. De acordo com Fernandes, uma das perguntas que mais cresceram nos últimos dias em Pernambuco diz respeito ao posicionamento político de Raquel Lyra em relação à polarização nacional.

Segundo ele, aumentou o volume de buscas perguntando se a governadora apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje representado na disputa presidencial pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

No caso de João Campos, o principal interesse identificado pelos levantamentos da empresa envolve a composição da chapa majoritária.

"A pergunta mais comum que a gente identificou de crescimento é quem é o vice de João Campos. Isso mostra que esse nome ainda não se disseminou entre o eleitorado", afirmou, em referência a Carlos Costa (Republicanos), candidato a vice-governador na chapa do socialista.

Mulheres e alcance digital

Os dados da empresa também indicam predominância feminina entre os seguidores dos dois candidatos no Instagram. Segundo Fernandes, 62% da audiência de João Campos na plataforma é formada por mulheres, enquanto Raquel Lyra reúne 59%.

Na avaliação do especialista, o desempenho acompanha a estratégia de comunicação adotada pelo ex-prefeito nas redes sociais e ajuda a explicar a vantagem observada por ele nesse segmento do eleitorado em levantamentos de intenção de voto.

"A rede reflete um pedaço da opinião pública do eleitorado. Mas eu entendo que, nesse aspecto da agenda focada nas mulheres, pelo contexto do material que eles publicam, o João Campos tem mais aderência, e isso está refletido nas pesquisas", analisou.

Redes ajudam, mas não elegem

Apesar da crescente importância do ambiente digital nas campanhas eleitorais, Fernandes ponderou que o desempenho nas plataformas não garante resultados nas urnas.

"O que ganha uma eleição é voto, não é a internet. A internet serve para construir argumentos, percepções e ocupar espaço no debate público. Se eleição fosse decidida por seguidores, o Elon Musk já era presidente do mundo", afirmou.

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