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Imprensa antecipa 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro e estimula voto útil, aponta estudo

Levantamento inédito mostra que 15% das notícias já focam na disputa final.

Por Rádio Jornal Publicado em 29/06/2026 às 7:00

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A cobertura da imprensa brasileira para as eleições presidenciais de 2026 está antecipando o segundo turno de uma maneira que nunca foi vista antes. Uma pesquisa baseada nos dados da plataforma Media Cloud, responsável por monitorar 1.400 veículos de comunicação em todo o país, revelou que 15% das publicações sobre o pleito feitas entre janeiro e o início de junho já miram diretamente no segundo turno.


Esse percentual representa o maior índice já registrado quando comparado ao mesmo período das eleições de 2014, 2018 e 2022. Na prática, o debate público está sendo quase que inteiramente restrito aos dois candidatos que atualmente lideram as pesquisas de intenção de voto: o presidente Lula e Flávio Bolsonaro.

Escute a reportagem na íntegra:


O fenômeno da "corrida de cavalos" na mídia

Para o cientista político, professor da UERJ e PUC-Rio e pesquisador do INCT Redem UFPR, Fabio Vasconcellos, esse cenário demonstra que a imprensa foi, de certa forma, capturada pelos institutos de pesquisas de opinião. Ao focar na polarização antecipada testada pelas pesquisas, a cobertura jornalística passa a adotar o que a literatura chama de "enquadramento de corrida de cavalos".


O resultado dessa ênfase exagerada nos dois líderes é o sufocamento do debate democrático. "Isso acaba suprimindo a discussão de outras candidaturas, de outros perfis e, obviamente, as agendas políticas para o país acabam sendo suprimidas", explica Vasconcelos, destacando que o primeiro turno passa a ser tratado pela mídia como uma "simples etapa classificatória".


Profecia autorrealizável: a pressão sobre o eleitor de centro

A antecipação midiática do segundo turno não muda apenas as manchetes, mas afeta diretamente o comportamento do eleitorado nas urnas. O cientista político alerta para a criação de uma profecia autorrealizável.


Ao direcionar os holofotes exclusivamente para a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, a imprensa pressiona os eleitores de centro ou independentes a escolherem um lado muito antes do tempo. Consequentemente, as plataformas, ideias e projetos dos demais concorrentes são completamente esvaziados do debate público.


Voto estratégico antecipado: o fim das convicções ideológicas?


O efeito colateral mais drástico dessa cobertura é a alteração da forma como o brasileiro vota na primeira etapa da disputa. Tradicionalmente, o primeiro turno é o momento ideal para o eleitor escolher um candidato com base em suas convicções, preferências ideológicas e afinidade com a agenda política.


Contudo, a polarização induz ao chamado voto estratégico (ou voto útil) antecipado. Vasconcelos detalha como essa dinâmica funciona na mente do eleitor: "O eleitor que eventualmente percebeu que Flávio Bolsonaro apresentou uma pequena elevação na intenção de votos e ele não quer que o Flávio ganhe, então ele já vota logo no primeiro turno no Lula e vice-versa".


Com isso, a riqueza do debate eleitoral fica ofuscada por uma fria "competição numérica" entre os dois nomes mais fortes. Em vez de votar no que acredita ser o melhor para o país, o eleitor passa a votar com o objetivo exclusivo de frear o candidato que mais rejeita, transformando as eleições deste ano em uma disputa matemática de sobrevivência política.

Texto gerando com auxílio de Inteligência Artificial

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