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"O grande vencedor foi a República Islâmica do Irã", avalia especialista sobre acordo de paz com os Estados Unidos

Monique Sochaczewski afirmou à Rádio Jornal que o cessar-fogo fortaleceu o regime iraniano e expôs limitações da estratégia adotada por Trump

Por Eduardo Scofi Publicado em 16/06/2026 às 11:59 | Atualizado em 16/06/2026 às 12:01

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O anúncio de um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito iniciado em fevereiro representa um avanço diplomático importante, mas ainda deixa dúvidas sobre sua efetividade e seus desdobramentos na geopolítica do Oriente Médio.

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, a professora de Relações Internacionais do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Monique Sochaczewski, avaliou que o entendimento surgiu após uma guerra que já demonstrava sinais de desgaste para Washington.

Segundo ela, o conflito acabou produzindo um efeito contrário ao esperado pelos Estados Unidos e por Israel, fortalecendo politicamente o regime iraniano e ampliando sua capacidade de pressão regional.

“Essa guerra, enfim, a gente sabia que não ia dar certo. O Trump acreditou demais no instinto dele e acabou encontrando uma realidade muito mais complicada”, afirmou.

Regime iraniano sai fortalecido

Para Sochaczewski, embora o país tenha sofrido impactos militares e econômicos, quem saiu fortalecido foi justamente a República Islâmica do Irã, comandada pelos aiatolás.

Segundo a pesquisadora, o governo conseguiu transformar uma situação de fragilidade interna em uma demonstração de força ao utilizar sua influência sobre o Estreito de Ormuz e sua capacidade de pressionar economicamente o restante do mundo.

Ela lembra que, antes da guerra, o regime enfrentava desgaste junto à própria população e atravessava uma grave crise econômica, mas o conflito acabou oferecendo uma sobrevida política à liderança iraniana.

Trump e Netanyahu enfrentam cenário mais difícil

Na avaliação da professora, o acordo também evidencia erros de cálculo da estratégia adotada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Ela afirma que o republicano acreditou em uma solução rápida para enfraquecer o regime iraniano, mas acabou enfrentando uma guerra assimétrica em que fatores econômicos tiveram peso tão importante quanto o confronto militar.

Monique também avalia que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, saiu enfraquecido politicamente e deve continuar pressionado por sua própria base de apoio.

Países do Golfo devem buscar novas estratégias

Outro efeito apontado pela especialista é a mudança de postura dos países do Golfo, que tiveram infraestrutura estratégica atingida durante o conflito e passaram a questionar o modelo de segurança baseado na proteção americana.

Para a pesquisadora, o cenário que se desenha após o acordo ainda é de incerteza, mas deixa claro que as disputas no Oriente Médio passam por uma reorganização das relações de poder na região.

Confira a entrevista na íntegra

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