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Economista sobre novas tarifas americanas: "Brasil construiu uma trajetória de posicionamentos contrários aos EUA"

Edgard Leonardo afirmou à Rádio Jornal que medidas comerciais e divergências acumuladas nos últimos anos ajudam a explicar a ofensiva dos EUA

Por Eduardo Scofi Publicado em 04/06/2026 às 10:52 | Atualizado em 04/06/2026 às 11:10

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O anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros reacendeu o debate sobre os rumos da relação econômica entre os dois países.

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o economista Edgard Leonardo avaliou que a decisão não pode ser explicada por um único fator, mas por um conjunto de divergências acumuladas ao longo dos últimos anos.

Tarifas têm base em disputas antigas

Durante a entrevista, o economista destacou que parte das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos está ligada a questionamentos antigos sobre temas como etanol, propriedade intelectual, tarifas preferenciais e barreiras comerciais.

“Agora é diferente. Agora a gente tem processos que caminham e seguem um trâmite que não são recentes. São processos que estão aí desde junho do ano passado”, explicou.

Segundo ele, debates envolvendo alternativas ao uso do dólar nas transações comerciais dos Brics e posicionamentos adotados pelo Brasil em organismos internacionais ajudaram a ampliar as divergências com os Estados Unidos.

“Você não desconstrói uma relação comercial do dia para a noite. Mas o Brasil vem buscando uma série de posições sempre contrárias e desalinhadas com o seu parceiro”, afirmou.

Edgard Leonardo também avaliou que a atual ofensiva tarifária dos Estados Unidos possui uma base técnica mais consistente do que medidas anunciadas anteriormente pelo presidente Donald Trump.

Impacto deve atingir setores específicos

Na avaliação de Edgard Leonardo, as tarifas não devem afetar todos os produtos brasileiros da mesma forma, mas podem gerar impactos relevantes em setores que já enfrentam forte concorrência internacional.

Ele citou segmentos como o de suco de laranja e siderurgia, que historicamente convivem com disputas comerciais e pressões de grupos econômicos norte-americanos.

“De fato, a gente deve ter um impacto relevante e que não vai ser fácil da gente conseguir retirar ou derrubar dessa vez”, afirmou.

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