"A sinalização não é de facilitar as relações, mas de bater de frente", diz cientista político sobre novo embaixador dos EUA
À Rádio Jornal, Ricardo Rodrigues afirma que Pérez revela linha dura de Trump com o Brasil, com Marco Rubio à frente da política externa
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A indicação de Daniel Pérez como novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil pegou o Itamaraty de surpresa. O governo americano não fez a consulta prévia formal – o chamado agrément – exigida pelo protocolo diplomático, o que foi interpretado pela diplomacia brasileira como um desrespeito.
Nesta quinta-feira (4), o cientista político Ricardo Rodrigues analisou o significado da escolha no programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.
Rodrigues lembrou que, quando os EUA querem sinalizar interesse em negociações comerciais, costumam indicar empresários, como fez Reagan.
Mas Pérez não se encaixa nesse molde: é deputado estadual da Flórida, filho de cubanos dissidentes e, aos 38 anos, sem qualquer experiência em diplomacia ou relações internacionais. "Se o Trump tivesse indicado um empresário, estaria sinalizando que deseja fazer valer a sua política transacional, negociar com o Brasil. Mas não é isso que ele colocou."
A leitura do analista é que o secretário de Estado Marco Rubio será o verdadeiro condutor da política com o Brasil, usando Pérez como seu representante direto em solo brasileiro. "Lá na Flórida, dizem que o Daniel Pérez é uma espécie de mini Marco Rubio. A ideia é que o Marco Rubio vai estar à frente da política externa com o Brasil e vai ter aqui o seu indicado preferencial."
Eleições brasileiras no radar
A chegada de um embaixador alinhado à direita americana às vésperas das eleições gerais no Brasil também acende um alerta. Fontes do governo brasileiro admitem preocupação com uma eventual interferência no processo eleitoral, embora o processo de sabatina no Senado americano possa atrasar a chegada de Pérez ao país.
"A sinalização primeira dessa nomeação é que a ideia não é facilitar as relações diplomáticas entre os países, mas de uma certa forma bater de frente."
Apesar do mal-estar, a diplomacia brasileira reconhece que ter um embaixador – e não apenas um encarregado de negócios – amplia os canais de interlocução com Washington. A decisão final sobre autorizar ou negar a atuação de Pérez em solo brasileiro ainda está em aberto.