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"É uma medida muito mais populista do que visando o trabalhador", diz economista sobre PEC da escala 6x1

Programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, repercute o recente acordo entre o presidente Lula e Hugo Motta, recebendo o economista Rodrigo Salvador

Por Cristiane Ribeiro Publicado em 26/05/2026 às 10:25 | Atualizado em 26/05/2026 às 10:52

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A proposta de redução gradual da jornada de trabalho prevista na PEC que discute o fim da escala 6x1 voltou ao centro do debate político e econômico após o recente acordo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o economista Rodrigo Salvador afirmou que a medida ainda está em fase inicial de discussão no Congresso e criticou a forma como o tema vem sendo conduzido.

Segundo ele, a proposta pode aumentar custos para empresas, pressionar a inflação e gerar impactos em setores que funcionam de forma contínua, como supermercados e serviços essenciais.

Redução da jornada ainda gera dúvidas

Acerca do texto da PEC, Rodrigo que ainda sofrerá alterações no Congresso e que há divergências sobre como será feita a redução da carga horária semanal de 40 horas, proposta pelos presidentes da República e da Câmara.

"Tem uma ala que diz que a redução deve ser gradual para as empresas e empresários terem tempo de se adequar. Porém, o governo quer que faça isso a toque de caixa, o quanto antes", afirmou.

Economista vê motivação eleitoral

Rodrigo Salvador relacionou a discussão da PEC ao cenário político de 2026 e classificou a proposta como eleitoreira. "Eu acho que é uma atitude muito mais populista, consolidando que a gente hoje passa por um ano eleitoral, do que uma medida visando o trabalhador", disse.

Tecendo um comparativo com países europeus e asiáticos que já implementaram a redução da escala 6x1, e obtiveram resultados positivos quanto à produtividade, como França, Alemanha e Coreia do Sul, o economista afirma que o mesmo não se repetiria no Brasil.

Ele também afirmou que o momento econômico não seria o mais adequado para a mudança. "Nos últimos anos, o aumento da produtividade aqui foi de 0,2%, e para a gente ter um corte de 4 horas na jornada semanal, teria que ter sido um aumento de 1,4%".

E complementa: "o índice de produtividade deles era muito alto, que é o contrário do que acontece aqui no Brasil hoje. O timing não é dos melhores".

Impacto pode chegar a preços e empregos

Segundo o economista, empresas terão dificuldade para absorver o custo da redução da jornada sem alterar salários ou repassar despesas. "Esse preço, alguém vai ter que arcar com esse custo, e pouco provável que sejam as empresas".

Ele explicou que os setores podem reagir de diferentes formas, como reduzindo horários de funcionamento, contratando mais pessoas com salários menores ou aumentando preços. "Ao repassar esse preço, automaticamente estará gerando uma pressão inflacionária", disse.

Rodrigo também comentou a possibilidade levantada por representantes do setor supermercadista de fechar lojas aos domingos para compensar custos trabalhistas. "Uma das possibilidades é essa, você tira um dia da semana de funcionamento, porque aí você consegue adaptar essa escala".

Segundo ele, a medida poderia representar perda de comodidade para consumidores e menos horas de trabalho para parte dos funcionários. O economista também alertou para os impactos em atividades que funcionam de forma contínua, como portarias, indústrias e serviços essenciais.

Ele afirmou que a atual legislação trabalhista já possui pouca flexibilidade para ajustes de jornada e que isso pode dificultar ainda mais a adaptação das empresas. "Hoje, a CLT é muito rígida. Ela não dá a possibilidade de, por exemplo, o funcionário e o patrão negociarem outros horários dentro dela".

Ouça ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal

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